Cármen Lúcia tenta corrigir o caos que ela provocou

Essa caça aos ministros muito se deve também a muito editor de jornal incentivando os lobos de rede social contra alguns ministros

Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Cármen Lúcia fez um pronunciamento a dois dias do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula e na véspera de manifestações pedindo a prisão dele e contra o próprio STF.

O pronunciamento lembrou mais um pedido de “trégua” entre a população e o tribunal para a Corte fazer o que a Constituição a outorgou, de que opiniões diferentes sejam respeitadas. Vários ministros viraram alvos de críticas e escracho da população. Gilmar Mendes é o alvo principal, mas outros também são “lembrados”, como Ricardo Lewandowski virando boneco do Judas no sábado de aleluia em frente sua casa.

Cármen Lúcia se faz de inocente, mas de inocente não tem nada. Essencialmente, o que ela falou no pronunciamento está tecnicamente correto. Disse o óbvio, na verdade. E teve que gravar o vídeo porque negligenciou (pra não usar uma palavra mais forte: prevaricou) ao não colocar em votação no plenário ADCs sobre a constitucionalidade da autorização de prisão esgotada a a segunda instância.

Marco Aurélio Melo despachou do seu gabinete duas ADCs, a Cármen Lúcia simplesmente ignorou por achar que a maioria de 6 a 5 a favor da prisão em 2ª instância se desfez. E, também, para posar de resistente a interesses jogando no ar que colegas estão tentando livrar Lula e outros políticos da cadeia.

Cármen Lúcia é confusa ao presidir sessões, não tem pulso firme para enquadrar ministros que batem boca em pleno plenário do STF, demagoga e faz de tudo para aparecer na imprensa como melhor que seus pares nem que para isso seja preciso “queimar a imagem” de colegas, até de quem diz ser amiga como foi no caso envolvendo o Decano Celso de Mello, que só queria uma reunião para resolver o entrave e foi jogado para as feras das redes sociais como o traídor que que abrir as cadeias e livrar corruptos.

Todo Supremo está desmoralizado. Mas essa caça aos ministros muito se deve também a muito editor de jornal incentivando os lobos de rede social contra alguns ministros e outras autoridades. Se um maluco for além do escracho a algum ministro em um avião ou na rua, vai ter editores de jornais dos grandes com mãos sujas. Aliás, promotores do Ministério Público que mais parecem animadores de torcida, até dizem fazer jejum “em nome da justiça”, para manter sua popularidade em alta, também.

Ao colocar o HC de Lula na frente das ADCs atropelando a pauta que deveria zelar e organizar, Cármen Lúcia provocou tudo que está acontecendo e agora tenta apaziguar os ânimos que atiçou com seu populismo, vaidade e irresponsabilidade, bem diferente dos deveres e responsabilidade para um cargo de tamanha relevância institucional.

Quase 2 anos como presidente do STF, Cármen Lúcia vai entregar o cargo em setembro e não vai deixar saudade.

Perplexidade de Janot

janot-bar

Ex-Procurador-Geral Rodrigo Janot resolveu comentar algumas notícias no Twitter. Uma foi o encontro da presidente do STF, Cármen Lúcia, e do presidente Michel Temer, no Palácio Jaburu, para tratar sobre segurança. A imprensa noticiou como se fosse uma “ofensiva de Temer” contra o inquérito do decreto dos portos e a inclusão de seu nome em inquérito com base nas delações da Obedrecht. Temer não tem folga da imprensa que não gosta de seu governo e quer sua cabeça a qualquer custo nem que seja por meios golpistas e saindo da inércia de longos anos sem o mesmo ímpeto investigativo contra o governo.

Para o senhor Rodrigo Janot, um encontro de dois chefes de poderes aos olhos de todos “causa perplexidade”. Para o senhor Rodrigo Janot, “causa perplexidade” tratar assuntos republicanos em “convescotes matutinos ou vespertinos”. Não causa perplexidade em Janot, no entanto, o próprio se encontrar com o advogado de delatores em um boteco de Brasília, dias depois de pedir anulação da delação dos clientes dele por vícios envolvendo inclusive um assessor próximo do Procurador-geral.

Janot também comentou um notícia na qual informa que a sua sucessora Raquel Dodge não firmou novas (delações) colaborações premiadas. Para Rodrigo Janot, o bom procurador-geral é aquele que firma delações açodadas para fazer denúncias ineptas levando ao arquivamento ou absolvição de acusados por conta desse açodamento e dando a sensação de impunidade.

Fora a seletividade deste senhor nos quatro anos como PGR. Por exemplo, Janot demorou mais de um ano para fazer uma denúncia aos ex-presidentes Lula e Dilma no caso “Bessias”, o termo de posse de Lula para ministro da Casa Civil e ele fugir da 1ª instância (Moro), mas fez correndo duas denúncias contra o presidente Temer tentando derruba-lo para conseguir um terceiro mandato como chefe do MPF ou colocar um preposto seu no cargo. E outras denúncias mal feitas contra senadores, deputados, ministros, ex-ministros o levando a pedir constrangido o arquivamento de algumas por não ter encontrado provas.

Janot não teve êxito nas duas empreitadas contra Temer, mas conseguiu barrar a reforma da Previdência Social.