Opinião: Copa 2014

A minha preocupação principal é a maquiagem que o PT pode fazer com a Copa em pleno ano eleitoral. A nossa economia cresceu muito pouco nos últimos anos e a Copa elevaria o nosso PIB em até 1,5 pontos percentuais por ano, isso na teoria, porque pela análise de uns economistas que eu confio e acompanho, só vai crescer 0,4% (O Brasil será o terceiro país em três décadas a sediar uma Copa a registrar desaceleração na economia! Lembra a Grécia, infelizmente). A Copa pode até contribuir para um aumento do PIB, mas vai ser insuficiente para provocar crescimento econômico. E não ganhamos nada com infraestrutura, pelo menos nada que seja realmente útil como melhoria no setor ferroviário e fluvial de transportes, metrôs ou ônibus. Além dos investimentos bilionários inúteis.

O único setor que se deu bem foi aeroportos (e eu sou testemunha de que a mudança é insignificante, possivelmente passaremos por caos aéreo!). Sem a Copa, provavelmente continuaríamos sem ter aeroportos decentes – o Brasil não investe em seus aeroportos há mais de duas décadas e possuímos os piores do mundo – (nesse quesito, perdemos até mesmo para o Haiti pós terremoto e para Líbano pós-guerra!). Pelo menos para os aeroportos a Copa foi boa, o que vai ajudar muito o Brasil a mudar e vai atender a muitas pessoas! (ironia). Os estádios envolvem questões mais complexas. Não faz SENTIDO construir estádio em Manaus, Cuiabá e Brasília que não possuem NENHUMA tradição futebolística! Não faz sentido serem sedes, e São Paulo não tinha necessidade de construir outro estádio. Sem falar do atraso das obras (o Brasil, comparado a outras sedes de mundiais, inclusive África do Sul que também é emergente, está muito atrasado!).

Mas vamos a outro argumento, os amantes do futebol provavelmente vão defender o evento, porém, lamento informar para os fanáticos que a Copa aqui também não vai trazer nenhum benefício para eles, o Campeonato Brasileiro vai continuar tendo média de público inferior a dos EUA (mesmo com o sócio torcedor) e vai continuar com escândalos (que nem o do rebaixamento ano passado), ainda sofreremos com problemas com torcidas organizadas e a seleção brasileira continuará ruim (tivemos troca de técnico durante o ciclo de preparação pra Copa e continuamos numa posição ruim no ranking da FIFA e sem nenhum programa relevante de revelação de craques, ao contrário dos EUA que quando sediou a Copa criou o MLS e fez planejamentos de base).

O que mais me deixou chateada foi o fato de que nas pesquisas de opinião sobre o acontecimento da Copa 72% aprovaram no nordeste contra 49% que aprovaram no sudeste. Essa pesquisa só mostra onde a influência do Governo Federal é mais forte. A imagem para os turistas que nós vamos deixar nessa Copa é importantíssima. Ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil recebe poucos turistas estrangeiros, por motivos de distância (os americanos preferem o Caribe e Califórnia e os Europeus preferem os litorais ibéricos) e de preços (sério cara é muito caro viajar por aqui!).

Essa Copa vai definir a vinda de pessoas para o Brasil nos próximos 50 anos no mínimo. Eu torço que dê tudo certo na Copa somente por causa da nossa imagem lá fora, mas torço para seleção perder, não irei a nenhum jogo por pura teimosia e ainda tentei convencer amigos a não ir também. Não é a toa que a FIFA escolheu o Catar como próxima sede (um país sem tradição futebolística, com várias mortes na preparação dos estádios e com 70% de chance de fracasso). O que a FIFA mais quer é fazer as pessoas esquecerem o possível fiasco que será no Brasil.

Ana Caroline Oliveira é estudante e futura escritora que ama volleyball, xadrez, política, blogs e livros.

Eu quero a Copa, mas não desse jeito

Ao criticar a organização, não criticar o evento, porque assim podemos abrir mão de imensos ganhos culturais e econômicos futuros

Rodrigo Salvador

Quando eu me debruço sobre o assunto Copa do Mundo, penso em duas frentes: a Copa em si, e a organização do evento. Começo pelo primeiro. O futebol é apaixonante. E esta opinião não é uma exclusividade brasileira. Para falar só de países que são modelo de gestão, podemos olhar para Alemanha, com resultados de ponta no torneio e mais de 40 mil pessoas de média de público na sua liga nacional.

Outro exemplo são os Estados Unidos, país sem tradição no esporte, mas cuja população demonstrou mais interesse em assistir a estreia da sua seleção na Copa em 2010 do que nos jogos finais da NBA. Além disso, podemos ver a influência direta do esporte na política de vários países, do Barcelona como ícone do movimento pela independência catalã à torcida do Al Ahly sendo participante direta em manifestações pelo Egito. Ou seja, não faz qualquer sentido questionar a paixão do brasileiro pelo futebol, argumentando que tal paixão atrasa nossa sociedade. Não se compara a sua casa com a do vizinho que não se sabe sequer o nome. O futebol é elemento social e político sim, no Brasil e no mundo.

Não sendo o futebol um vilão, podemos olhar com outros olhos para o seu expoente, a Copa do Mundo. Não quero pensar na Copa da TV, mas na que roda o mundo. O evento, assim como outros eventos de dimensões mundiais como as Olimpíadas, é capaz de destruir fronteiras e colocar a humanidade em sintonia. Evidente que é possível que isso aconteça sem o evento, mas o estímulo que a Copa traz não pode ser ignorado. E, sendo um evento agregador, como não querer que ele aconteça ali, do outro lado da nossa rua? A Copa no nosso país é uma oportunidade de trocarmos de vizinhos sem sairmos de casa. E, se bem pensada, é uma oportunidade de aprender com pessoas que sabem coisas que a gente não sabe, e capitalizar com dinheiros de que não dispomos.

E é aqui que entra o engate entre as duas frentes que citei. É esta expressão que nos causa frisson: “se bem pensada”. Por tudo que foi dito, a Copa é um presente para o mundo todo, mas que tem um potencial incrível para virar um pesadelo para o país-sede.

Vamos pensar nos exemplos: a África do Sul recebeu a Copa de 2010 com festa. A Copa passou e resolveu poucos problemas do país. Em 2002, Japão e Coréia do Sul mostraram a eficácia que se espera do povo oriental, e sofreram pouco também porque – importante dizer – organizaram apenas meia Copa cada. Além destes, de 1990 pra cá, Itália, Estados Unidos, França e Alemanha foram sedes, sendo que todos tinham força econômica para tal. Ainda assim, a Itália passa hoje por uma crise econômica similar a de outras sedes recentes de Copa, Eurocopa e Olimpíadas, como por exemplo Espanha, Portugal e Grécia. Com isso, a escolha da sede é uma tarefa delicada. Para a Copa do Mundo, a FIFA escolheu seguidamente, e não à toa, 3 dos 5 países do BRICS. Por isso, é importante saber que o Brasil era sim um dos candidatos mais interessantes a sediar o evento. Ou isso, ou a Copa passaria sempre, e apenas, por Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra.

O problema não foi a escolha do Brasil como sede. Foi o que o país fez com esta escolha. A organização da Copa no Brasil ser um desastre não nos causa surpresa, infelizmente. Já é quase um clichê citar Ronaldo quando diz que “Copa não se faz com hospitais”. Ouso dizer que ele tem razão na frase. Razão que se desfaz quando ignora que saúde não se faz com estádios. E aqui é preciso definir uma prioridade: Copa ou saúde? Eu imagino, num Brasil ideal, a verba da Copa sendo gasta sim com a Copa, mas o retorno deste investimento (que não é pouco) sendo aplicado de forma coerente, para o bem-estar do brasileiro.

Não lembro, também, de nenhuma previsão de gastos com estádios ter sido plenamente satisfeita. E tenho até medo de pensar de onde veio o dinheiro a mais que foi aplicado nas obras. Aqui em Curitiba, o dinheiro gasto na Arena da Baixada foi mais que o dobro do previsto, e as obras de mobilidade na cidade ou foram inchadas ou canceladas.

Concluo com isso que a discussão sobre a Copa deve ser responsável. Ao criticar a organização, não criticar o evento, porque assim podemos abrir mão de imensos ganhos culturais e econômicos futuros por conta de erros pontuais. Da mesma forma, ao defender o evento, não defender uma organização danosa e corrupta deste. Eu me entristeci demais com os acontecimentos dos últimos 5 anos. Mas nem por isso deixei de comprar cinco ingressos pra assistir a Copa em cinco cidades diferentes e vivenciar oportunidades que não vivenciaria em praticamente nenhuma outra situação.

Por fim, gosto de ter em mente que, em uma sentença, o termo “mas” desmente o que foi dito anteriormente, dando valor apenas ao que vem depois dele. Assim, o título deste texto poderia ser “Não desse jeito, mas eu quero a Copa”. Não, a organização não tem o mesmo peso do evento por si só. Tem mais. Ao menos, deveria ter.

Rodrigo Salvador é matemático industrial e coxa branca – torcedor do Coritiba/PR.

100 dias para Copa

100Faltam 100 dias para a Copa do Mundo do Brasil. Como não poderia deixar de ser, muitas notícias, posts e artigos nos jornais e portais na internet sobre o tema. Notícias que vão do otimismo do governo e dos organizadores do Mundial ao pessimismo dos mais críticos à realização da Copa no Brasil.

Imprensa europeia criticando a organização e revelando a preocupação da FIFA com a “pior Copa do Mundo”.

O curioso é que no final de 2006, essa mesma FIFA não se preocupava com a falta de infraestrutura. Inclusive, a própria entidade aceitou um acordo entre CONMEBOL, CBF e Federação Colombiana que planejava disputar com o Brasil o direito de sediar o Mundial 2014. Assim, o Brasil foi candidato único e ganhou o direito de sediar a Copa.

A população saiu às ruas para comemorar naquele outubro de 2007. Sessenta e quatro anos depois de perder a final para o Uruguai, no Maracanã, a Copa voltava ao País.

Agora, a mesma população sai às ruas para bradar “Não vai ter Copa”, que não quer a Copa, como se fosse possível faltando 100 dias, e já gastos bilhões de dinheiro público em estádios e obras nas cidades-sede.

Por que não gritaram que não queriam a Copa há sete anos? Quando o Ricardo Teixeira convenceu o então presidente Lula de que essa seria a “Copa da iniciativa privada”. O que não seria possível o setor privado bancar a construção de estádios para uma Copa do Mundo sozinho, principalmente depois da crise econômica de 2008.

Esse pessoal do “Não vai ter Copa” perdeu foi o timing, não adianta mais. VAI TER COPA e, dentro das possibilidades, será uma grande Copa.

A imprensa internacional fala das grandes distâncias do Brasil. Claro, o Brasil é um país continental como os EUA e a Rússia, que é a próxima sede da Copa. Falar em “desde a Floresta Amazônica até a dominada pelo crime São Paulo” além de arrumar uma desculpa para futuras derrotas de suas seleções (mesmo que seja verdadeiro o cansaço pelas viagens e o clima quente, é choro de perdedor), beira um preconceito nojento e desinformação.

Há muitas críticas a serem direcionadas para organização da Copa. Se o País abriu muitas concessões à FIFA – e se assinou tem que cumprir (combinado não é caro) -, dos critérios para escolha das cidades-sede, se o Brasil não tinha prioridades antes de organizar uma Copa do Mundo, mas uma Copa do Mundo é um dos maiores eventos – pra mim o maior – do esporte mundial, que extrapola os limites do esporte, que gera empregos e muito dinheiro ao país que sedia por meio dos milhões de turistas.

Entre otimismo bobo de que vai ser a #CopadasCopas e o pessimismo de que vai ser uma Copa trágica (alguns apostando nisso para as eleições de outubro), prefiro curtir esse momento único de ter uma Copa no meu país sem fechar os olhos para os erros e absurdos na organização do torneio.

Vergonha nacional

Leonardo Dahi

No auge das manifestações de junho do ano passado, quando o Brasil recebia a Copa das Confederações, o país foi tomado por protestos “contra a Copa” e eu fiz esse texto dizendo o quanto isso era ridículo.

Pois bem, a menos de cinco meses do início da competição, quando todos os estádios e obras relativas ao torneio estão prontos (ou em fase final), vemos um movimento nas ruas “Não vai ter Copa”. “Sem Direitos, sem Copa”, diz a família de um menino baleado pela PM que até agora não se sabe se estava na manifestação ou não.

Vamos tentar esquecer o fato de que, ao contrário do que eles querem acreditar, esse pessoal não tem força para impedir a Copa. Eu não tenho palavras para descrever a burrice de quem, após bilhões gastos, abre mão dos bilhões a mais que ela pode vir a retornar. Não consigo classificar de outra maneira que não com um mau-caratismo (ou inocência) enorme os líderes da revolta nacional que queriam o dinheiro da Copa em hospitais como se tudo por aqui funcionasse perfeitamente bem até a FIFA anunciar este país como sede do Mundial, lá em 2007. Como se a culpa, a panaceia dos nossos males, fosse a FIFA ou a Copa do Mundo.

2007… Estamos em 2014. Foram sete anos para dizer que não queríamos a Copa. Até mais, se lembramos que havia um lobby pela escolha do Brasil desde 2006 e que éramos o único candidato. Agora, sinto muito, já é tarde. Vamos fazer e vai ser sensacional. Se o Governo não fez a parte dele, façamos a nossa e façamos dessa Copa um momento especial. Não para as Copas, mas para nós. E isso não significa sair por aí protestando “contra tudo”. É receber quem vem pra cá de maneira cordial, é tentar não atrapalhar quem, brasileiro ou não, quer apenas assistir um jogo porque pagou caro por isso.

No auge da revolta popular, surgem grupos que, revoltados com a verba repassada às Escolas de Samba, prometem atrapalhar os desfiles na Marquês de Sapucaí. Ignorantes… Mal sabem, além do retorno que a festa gera, o quanto ela é importante para esse país. Tolos… Não sabem o quanto um samba-enredo – como qualquer música, qualquer forma de arte – pode ser muito mais útil que essa máscara que eles insistem em usar para protestar. Pretensiosos… Não sabem o quanto são inúteis para o progresso desse país.

imperio serrano

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O Brasil da juventude atual é um país apaixonado pela revolução. Isso dito assim pode parecer fantástico, afinal, o descontentamento é uma das principais formas de alcançar uma sociedade decente. Mas aqui no Brasil, isso é ruim. E é ruim porque, na verdade, não somos apaixonados pela revolução, mas sim por sermos revolucionários. Impulsionados por uma geração que, essa sim, lutou para mudar o país, temos a tal geração Y que adora romantizar as coisas para se posicionar como revolucionária, como líder, como o Edson Celulari na histórica Que Rei Sou Eu?, de 1989, ou o Cássio Gabus Mendes na não menos fantástica Anos Rebeldes

Uma juventude que usa bandeiras anarquistas, socialistas, ou fascistas sem, em muitos casos, sequer saber o que elas significam. Uma juventude que, como eu disse, romantiza os problemas brasileiros e nossa política para criar vilões e posar de herói. Que julga estar interferindo nos rumos da nação quando, na verdade, só está causando uma baderna e atrapalhando a vida de quem diz defender. Temos, atualmente, muitos Che Guevaras e Mandelas, e isso em nada tem a ver com esquerda ou direita, que acham que a luta armada – que, no caso deles, nem é tão armada assim (até isso eles romantizam) – é algo legal.

Bobos… A luta armada nunca é legal. Pode até ser mais emocionante de se estudar, de se inspirar, mas é algo, às vezes, necessário. E, agora, não é. Somos um país democrático com muitos problemas políticos, mas que está sempre aberto à mudanças. Lute por elas, mas lute com princípios, não com bagunça. Vote melhor, exponha seus descontentamentos de maneira mais clara, lute por uma bandeira mais sólida. Se a sua revolta ainda não deu resultado, sinto muito, a culpa é sua.

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No fundo, esse pessoal só quer mostrar para o Mundo que o Brasil não é futebol, bunda, caipirinha, praia e Carnaval. Um pessoal que passou a vida dizendo ter vergonha do nosso país por passar essa imagem. Coitados… Não sabem que, na verdade, nada disso nos envergonha lá fora. Não sabem que, na verdade e nesse momento, o nosso maior motivo de vergonha são eles mesmos.

O alvo errado

Leonardo Dahi

O Brasil é o país em que nem o controverso é tão difícil de explicar quanto o óbvio. Nesses temos bicudos de manifestações e protestos por todo o país, o povo, cansado, escolheu um alvo para despejar sua raiva: a Copa do Mundo de 2014. Bradam contra os gastos absurdos lembrando dos problemas do país e caracterizam como “um absurdo” o país sediar um evento desses com as condições atuais, em especial com as dispensáveis exigências da FIFA.

É óbvio que escolher o Mundial de 2014 como alvo principal dos protestos é um erro enorme. Mas, como dito no começo, aqui, é mais difícil explicar o óbvio que o controverso.

A Copa não se faz com 12 estádios. Se faz com obras de infraestrutura, mobilidade urbana, maior estrutura hoteleira, de aeroportos, etc. Ou seja: após os 30 dias do torneio, o brasileiro, mesmo aquele que “não gosta de futebol e não quer a Copa”, pelo menos a princípio, teria sua vida melhorada por todas essas obras.

“Ah, mas quase nada foi feito, tudo ficou no papel”.

Concordo.

Agora me diga: que culpa a Copa do Mundo e a FIFA tem nisso? Se as obras não foram feitas, não foram feitas por culpa do poder público, não da Copa ou da FIFA. Aliás, quando você critica a FIFA por isso, os políticos, verdadeiros responsáveis, adoram. Isso sem falar nos turistas que virão para cá e que, maravilhados com nossas belezas naturais, voltarão e trarão mais gente depois da Copa.

“Tá bom. Mas as obras superfaturadas nos estádios, sendo que alguns nem serão usados depois do Mundial? Isso não vai melhorar a minha vida em nada”. Bom, não vai melhorar se você nunca foi a um estádio de futebol na vida. Ainda assim, é bom lembrar que se o Governo vai fazer um hospital e avalia a obra em R$ 1 milhão, mas acaba gastando cinco, também está errado. Superfaturamento nunca pode ser relevado por causa da importância da obra. Então, se houve superfaturamento no estádio, não é culpa da Copa, assim como, no caso do hospital, não seria culpa da enfermeira.

“Tá, e os estádios precisavam ter tantas frescuras? Com um assento do Maracanã, dava para fazer não sei quantos leitos de hospital!”.

Rá!

Amigos, quando o Ronaldo disse que “não se faz Copa do Mundo com hospitais”, ele estava certo (antes de me xingar, procura a entrevista – de 2011!!! – e veja o contexto em que ele disse isso). E sabe por que você não deve ficar irritado com isso? Porque você viu Copa do Mundo a vida inteira e sempre soube que os estádios, pelo menos desde 2002, precisam ter essas tais “frescuras”. “Ah, mas eu não queria a Copa aqui no Brasil”. Então deixa eu refrescar sua memória. O Brasil foi eleito como sede do Mundial em 2007, seis anos atrás. Sabe quantos países estavam na disputa? UM. Só o Brasil.

Logo, não havia dúvidas de que receberíamos um evento desse porte em 2014. Agora façamos uma soma: você sabe como funciona esse negócio de sediar Copa, sabe que é caro, sabe que o Brasil, país em que tudo termina em superfaturamento, vai ser a sede, não quer a Copa aqui. ENTÃO POR QUE DIABOS NÃO FOI PROTESTAR ANTES DO ANÚNCIO OFICIAL E NEM EM DIA ALGUM DESTES SEIS ANOS? Eu respondo. Porque você não era contra a Copa. Aliás, continua não sendo. Mas na falta de argumentos para protestar “contra tudo”, achou que esse seria um bom alvo.

E como já ouço muita gente bradando impropérios contra a FIFA, gostaria de lembrar que ela é uma entidade privada que não pediu para fazer Copa aqui. Como entidade privada, faz as exigências que quiser, cabendo ao Governo Brasileiro aceitar, ou não.

E eu nem vou comentar os pedidos absurdos de que a Copa não seja mais aqui porque isso é o cúmulo da burrice. Após todo o ônus que a Copa trouxe, abrir mão do bônus é imbecilidade, desculpa.

Festa no Cristo Redentor após o anúncio oficial de que a Copa de 2014 seria no Brasil (2007). O brasileiro sabia o que estava por vir.

Sem contar que o brasileiro tem uma mania engraçada de não olhar pro próprio umbigo quando vai reclamar de alguma coisa.

Quem me conhece sabe que eu gosto muito de Carnaval e, por isso, tento ter algum contato com Presidentes de escolas de samba e Carnavalescos nas redes sociais. E, olha, o que eu vi de Presidente reclamando dos gastos com a Copa, não foi brincadeira. MAS OPA PERAÍ UM POUQUINHO: e a verba que você recebe do Governo todo ano para botar o seu Carnaval na Avenida? Multiplica por 12 escolas no Grupo Especial, 17 no Acesso e quase 50 nos grupos inferiores, isso só no Rio de Janeiro. Não dá para fazer hospital com essa grana?

E o jovem do interior, que, inflamado faz discursos e mais discursos contra a Copa, mas é o primeiro a chegar quando algum cantor famoso vem fazer um show gratuito – e, logo, bancado pela Prefeitura – na cidade?

Então, amigos, se é para deixar de injetar dinheiro “onde não há necessidade”, que seja em todo lugar onde “não há necessidade” (lembrando sempre que o que não é necessário para você, pode ser importante para mim, e vice-versa), independente dos valores. No mais, torçamos e aproveitemos este momento único que acontece em nosso país. Copa das Confederações, do Mundo, Olimpíadas, isso tudo é muito legal e se torna um momento único quando acontece aqui do nosso lado. E, quem quiser ir as ruas, que vá protestar contra quem realmente merece.