Área 51, o presidente dos EUA, refugiado no lendário centro de estudos alienígenas em meio a uma invasão, tenta fazer contato com um ET capturado por um soldado numa fracassada ofensiva contra as naves, estacionadas nas mais diversas cidades do planeta. Na conversa meio telepática, o presidente pergunta se há um modo de chegar a um acordo de paz e recebe uma negativa do alienígena, que mostra a prática de seu povo nas invasões de planetas universo afora. Após esse “diálogo”, o presidente americano relata que o povo extraterrestre “invade os planetas, como se fossem gafanhotos e depois que usam todos os recursos, movem com todo seu povo a outro, para repetir o mesmo processo”.
Nesse momento, o leitor deve estar perguntando o que a história acima tem a ver com o título, se eu estou em uma “viagem maionésica”, ou se eu enlouqueci. Calma, não irei fazer uma crítica do filme (meia boca, mas aceitável para se passar o tempo) Independence Day, de onde a cena citada foi retirada.
Ano que vem acontecerá a Copa do Mundo em nosso país, teremos estádios modernos construídos pela iniciativa privada, em conjunto aos clubes (quando possível), os equipamentos não se transformarão em elefantes brancos, serão acessíveis a todos os cidadãos, resultando numa festa essencialmente brasileira que deixará um legado esportivo
imenso ao país do futebol… Não. Na verdade, não teremos nada disso que foi escrito quando a Copa terminar, e os mais diversos cartolas da FIFA (que têm passagem livre pelo país, desde a escolha do Brasil como sede da próxima Copa, lá em 2007) zarparem do Brasil, rumo à próxima sede da maior e mais rentável competição do esporte mundial.
O que nós vimos nos últimos anos foi uma série de desmandos da FIFA (e de aceitações quase sem resistência dos governantes, presidentes de federações e clubes) de como os estádios da Copa deveriam ser construídos ou reformados. Nada de simplicidade, tudo tem que ser suntuoso, a grama tem que ser de tal tipo, as cadeiras de outro. Ninguém poderá ficar em pé, xingar jogadores/técnicos, agitar bandeiras e levar faixas nos jogos da Copa. Ou seja, tudo tem que parecer bonitinho, higienizado, como se fosse uma ópera no Teatro Scala de Milão e não um esporte que provoca no ser humano, emoções, alegrias, tristezas, e uma catarse coletiva, com peculiaridades fantásticas no Brasil.
É claro que não é do interesse dos políticos e organizadores, barrar os desmandos da FIFA, afinal, é mais importante fazer construtoras e empreiteiras lucrarem com qualquer detalhe das novas arenas erguidas Brasil afora. Aliás, uma associação entre o nome “arena”, o gigantismo dos estádios da Copa, e o Milagre Econômico dos anos 1970, não é mera coincidência, basta observar o passado político do presidente do Comitê Local, José Maria Marin.
Ao invés de adequações pontuais que eram necessárias em alguns estádios da Copa, vimos reformas gigantescas, mudando o antigo layout dessas instalações, que significavam tanto para os torcedores que as frequentavam. Ou você, caro leitor, acha que as revoluções feitas no Mineirão, Maracanã, Beira-Rio e Arena da Baixada eram essenciais para o bom andamento da Copa? Era claro que estes estádios com adequações bem menores estariam aptos a receber jogos da competição. Porém, o que é mais nítido ainda é que o grande filão da Copa (e das Olímpiadas) são as grandes construções de estádios, o aumento da especulação imobiliária e valorização extrema de imóveis próximos.
Foram nessas condições que a FIFA/COL mudaram rapidamente a sede da Copa em São Paulo, do Morumbi para o novo Itaquerão. Com a recusa do São Paulo de obedecer todas as exigências da FIFA e o projeto do Corinthians de erguer um estádio pronto, só foi preciso unir o útil ao agradável. Mais uma obra maior do que deveria ser (visto que o projeto original do Itaquerão era bem mais modesto e o Morumbi é um estádio que necessitava, também, de adaptações, apenas). É claro que vários estádios precisavam ser urgentemente modernizados, e nesse lado, a Copa veio bem a calhar, mas não precisava o exagero nos retoques.
A cereja do bolo está no fato de que dinheiro público está sendo usado para pagar a construção/reforma dos estádios, ao contrário do que foi prometido em 2007, tanto por Lula, quanto por Ricardo Teixeira, então presidente da CBF. Não falo da isenção de impostos dada ao Corinthians, ou os empréstimos do BNDES destinados ao Atlético/PR e ao Internacional, porque nesses casos ainda há salvação (o Luís Butti escreveu sobre isto aqui no Brasil Decide), mas sim, dos inúmeros estádios públicos, nos quais não houve nenhuma preocupação em se fazer uma parceria com empresas privadas e onde se gastam rios de dinheiro público diretamente.
Ainda por cima, muitas obras tiveram seus orçamentos multiplicados e deverão render em descobertas de superfaturamento no pós-Copa e, talvez, possam ter o mesmo destino do Engenhão. Pra completar, o orçamento destinado às obras de mobilidade pública não será nem um pouco bem utilizado, visto que muitas das obras previstas nem sairão do papel, ou serão realizadas “nas coxas”.
Enquanto isso, os manda-chuvas da FIFA assistirão tranquilamente o aumento exponencial do patrimônio financeiro da entidade, nem que isso custe rios de dinheiro público e a destruição de uma cultura brasileira, que é o modo de ver um jogo de futebol, sem preocupação alguma com a esterilização que haverá, afinal nem homenagear um dos maiores nomes do jogo em um estádio é permitido.
No fim, a FIFA será idêntica aos alienígenas invasores de Independence Day, usará os recursos do país e quando eles se esgotarem, irão embora rumo à próxima sede (Rússia, 2018), deixando uma “terra arrasada”. Ao contrário do filme, já não há mais tempo para evitar a desgraça. Sinto informá-los, mas a oitava praga do Egito está entre nós, em forma de cartolas da FIFA e políticos “bananas”.
Estádio em Volta Redonda oferece serviços à comunidade durante toda a semana. Foto: O Globo
Wanderson Ferreira
A FIFA surpreendeu a todos nós em 2009 quando anunciou Manaus, Cuiabá e Brasília como sub-sedes para a Copa de 2014. Questionado sobre isso em entrevista ao ‘Roda Viva’ da última segunda-feira (08/04), o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), afirmou “quem é contra a Arena de Manaus tem preconceito contra o Norte”. O questionamento não advém de um preconceito contra a Região Norte, mas surge do fato de que esses estados têm um futebol semi-profissional e não estão representados nas principais divisões do Campeonato Brasileiro.
Pois bem: se os estádios não terão uso compatível com o investimento de R$ 1 bilhão, para quê investir isso tudo neles? Será que um estádio em Belém e em Goiânia não seria melhor? Essas questões, que pelo visto o ministro chamaria de preconceituosas, são essenciais para compreender que o critério esportivo passou longe nas escolhas do Comitê Organizador Local (COL) e da FIFA. O estádio de R$ 532 milhões que não receberá futebol em alto nível por alguns anos após a Copa.
E aqui cabe uma sugestão ao Governo do Amazonas e do Mato Grosso: por que não fazer como o Raulino de Oliveira (Volta Redonda/RJ) e utilizar o estádio também para atender a população de Manaus e Cuiabá com cursos e serviços médicos?
O estádio de Volta Redonda tem academias da Vida e da Terceira Idade, a Ótica da Cidadania, o Centro de Reabilitação para Cardíacos, o Núcleo de Fisioterapia, o Centro de Ensino à Distância (CEDERJ), a Policlínica da Cidadania, o Centro de Imagens e a Biblioteca Virtual de Saúde.
Em todo o país, há uma demanda por serviços. Fazer as Arenas serem algo além do esporte e lazer é uma forma de dar o mínimo retorno que o povo merece. Usar os estádios durante a semana como um centro social pode ser uma forma também de fazer o cidadão gostar do estádio.
Após o fim da Copa, o estádio de Manaus e de Cuiabá receberá jogos do campeonato estadual e da 3º divisão do Brasileiro. Será mais fácil fazer o pai de família, por exemplo, em um sábado às 16 horas, levar o seu filho ao estádio em que o garoto faz um curso durante a semana ou aonde é atendido. Isso se o estádio (ou até o entorno) tiver espaço físico interno para fazer isso.
Sem preconceitos e sem demagogia, fica a sugestão, ministro Aldo Rebelo.
Em primeiro lugar, peço perdão aos amigos do Brasil Decide, site no qual fui convidado pelo João Paulo para escrever sobre. Pois bem, aí está.
Em segundo lugar, é o seguinte. Vejo que, desde 2010, quando anunciaram a construção da Arena Corinthians, percebo que as pessoas estão incomodadas. Não se conformam com um estádio feito com “dinheiro público”, com “esquema MSI”, com “esquema Lula” e demais acusações que mereciam ser ridicularizadas. Mas o espaço Brasil Decide, de meus amigos, é um lugar sério, e falarei sério com todos os que demonizaram a nossa obra.
Vamos fazer um joguinho ?
Eu peço para que vocês respondam rápido (sem Google) três questões relativas a Arena Corinthians, que ao que me parece, vem gerando tamanho incômodo em alguns:
1) Você sabe aonde está (ou melhor, aonde estavam) o montante de 400 milhões para as arquibancadas móveis ?
2) Você sabe o que é um Financiamento ?
3) Você sabe quanto o Corinthians dá de retorno por ano ?
Provavelmente, não é capaz de responder nenhuma das três. Logo, não deveria falar o que não sabe sobre a Arena Corinthians (que, diga-se de passagem, sairia com Copa ou sem Copa, para 48.000 pessoas. Corinthians nunca pensou num estádio para 70.000. Isso é coisa da FIFA). Acusação é uma coisa complicada, é preciso provar.
Você pode sim, é seu direito dizer que a obra foi facilitada pelo Efeito Copa, o que é verdade. Mas isso não é demérito pra ninguém. Em 2007, quando anunciaram a Copa do Mundo aqui, todo mundo queria Copa. Não venha com historinha de “eu não queria”. Queria sim.
Queria, porque nas ruas se via uma aprovação popular de proporções absurdas. E porque os raros que não queriam, não foram a CBF protestar, fazer alguma coisa ? Então, ignoramos os chatos e segue o jogo.
A primeira resposta é que não está. Não, esse dinheiro não é da Saúde, da Educação, das Estradas, dos Hospitais, do Saneamento. Esse dinheiro simplesmente não existe. Não é algo físico, que você pega de lugar X e põe em Y. É apenas um dinheiro que se deixa de pagar, pros cofres do Estado.
É do Estado, não pra investimento. Se não houvesse estádio algum, não haveria 400 milhões pra ninguém, do contrário que vomitam por aí. Não, cara pálida, esse dinheiro, diferente do que você pensa, não é seu, nem meu, nem do seu vizinho, nem do meu vizinho.
A segunda resposta, é que um Financiamento nada mais é um dinheiro do BNDES, que tem este nome justamente para Financiar grandes investimentos que trazem retorno para a sociedade (o que falaremos na Resposta 3).
Quando, na crise econômica, você recebeu desconto de um IPI na compra de um automóvel ou adquirir uma casa financiada, está fazendo exatamente o mesmo que o Corinthians: financiando um sonho. O que é absolutamente normal e legal (não no sentido de “cool”, mas legal, no sentido de Lei). Financiamento não configura dinheiro público, caros amigos.
A terceira resposta saiu esta semana no Globo Esporte: o balanço financeiro do Sport Club Corinthians Paulista de 2012. Faturamento de 358 milhões e 500 mil reais. Agora multiplique isso N vezes com o adendo da Arena Corinthians, e seus parceiros comerciais.
E veja, por tabela, quanto a sociedade (principalmente moradores de Itaquera) vai ganhar. Se, investir no Corinthians hoje, você tem um retorno deste porte (maior da história do país), quanto vai ter investindo na Arena ?
E daí, atrai o comprador, atrai o novo morador pra região, cresce o valor dos imóveis na Região, cresce o número de Obras Sociais alavancadas por empresas parceiras do clube. O que chegaria na casa dos bilhões em retorno para a sociedade. Você, morador da Zona Leste não trocaria 400 milhões (caso este dinheiro, fisicamente, existisse), por 2 bilhões ? A matemática é simples. Não vai acontecer de hoje pra amanhã, é óbvio. Mas em médio prazo. Coisa de cinco a sete anos. A melhoria para a sociedade que este estádio vai trazer é absurda.
Até pelo momento da Economia Brasileira, que vivemos nos últimos 10, 12 anos. Com todos os problemas, quem era miserável em 1990, é classe média hoje. Quem era classe média em 1990, é emergente hoje.
Você tem uma empregada doméstica ? Um funcionário de classe mais humilde ? Faça um teste. Peça para que ele lhe trazer algumas fotos dele de 25 anos atrás. Veja o que ele era, o que tinha e o que é/tem hoje. Hoje tem celular, TV a cabo, filho em escola, em universidade, com brinquedos que o seu filho também tem, um automóvel mais bacana, uma casa mais ajustada. Viaja de avião, se alimenta bem, vai ao cinema e até a estádio.
E assim caminhará a sociedade.
O problema do espanto pelo gigantismo numérico desta Arena é o clubismo. Não entrarei neste mérito. Aguardemos o Naming Rights (que, segundo o Diário de São Paulo, está próximo de ser anunciado) e a transformação do bairro de Itaquera. Não são promessas políticas. São números. Basta ver o que aconteceu com todos os parceiros do clube. Desde os nanicos até os multinacionais. E isso, queira ou não, reflete, cedo ou tarde, na torcida (sociedade).
Só peço que aguarde. Aguarde, veja o projeto andar e refletir no povo, em cinco a sete anos.
Deixe o Corinthians surpreender você com a Arena. O povo agradece.
Na próxima terça-feira, primeiro de janeiro, serão empossados todos os Prefeitos que venceram as Eleições Municipais de outubro desse ano. O primeiro dia de 2013 também será aquele em que faltarão apenas (ou “apenas”, como queiram) 528 dias para a abertura da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada em solo brasileiro.
Logo, os novos comandantes do poder executivo das cidades-sede, serão os responsáveis pela fase conclusiva dos preparativos para o maior torneio de futebol do Planeta.
Prefeitos reeleitos, ou com o apoio dos que deixarão o cargo no dia 31, deverão continuar com os projetos desenvolvidos em seus respectivos municípios. Já nas cidades onde houve troca de comando, poderão haver algumas mudanças no trajeto que levará ao Mundial.
Por isso, o blog faz um balanço do trabalho dos novos (ou não) prefeitos nas cidades – algumas com as obras mais avançadas, outras correndo contra o tempo – que receberão a Copa.
Belo Horizonte
Prefeito Atual: Márcio Lacerda (PSB)
Prefeito Eleito: Márcio Lacerda (PSB)
Estádio da Copa: Mineirão.
Márcio Lacerda é um dos Prefeitos que terão o trabalho mais tranquilo quando o assunto é Copa do Mundo. Reeleito no primeiro turno das Eleições na capital mineira, Lacerda iniciará seu segundo mandato com o Estádio do Mineirãojá reinaugurado. Nos primeiros meses do ano, o palco de Minas Gerais para a Copa já deve receber alguns jogos do Campeonato Mineiro, incluindo, é claro, o clássico Cruzeiro x Atlético.
Presidente Dilma Rousseff junto com o Governador Antonio Anastasia na reinauguração do Estádio do Mineirão. (Foto: Osmar Freire/Imprensa MG)
Outra obra que está avançada é a da BRT Antônio Carlos/Pedro I, um corredor de 16 km e 25 estações, ligando o Aeroporto de Confins, ao Estádio do Mineirão, aos centros hoteleiro e da cidade. Segundo a Prefeitura, as obras estão em fase de acabamento. Vale lembrar que, em março de 2012, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais suspendeu a licitação para as obras, algo que é negado pela Prefeitura (mais detalhes, aqui, aqui e aqui). Também estão sendo cumpridos no prazo os trabalhos no Corredor Pedro II, que ligará importantes vias de acesso da cidade ao Mineirão.
As obras no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) devem ser concluídas em dezembro do ano que vem. Lembrando que, em junho, a cidade receberá a Copa das Confederações.
O maior problema da cidade é a falta de capacidade hoteleira que, de acordo com os estudos feitos, não tem leitos suficientes para os torcedores. Segundo o Comitê Organizador, estão sendo construídos dois hotéis de alto padrão na cidade, o suficiente para cumprir o número necessário de leitos.
Brasília
Prefeito Atual: Não possui
Prefeito Eleito: Não possui
Estádio da Copa: Nacional
Como se sabe, Brasília não tem Prefeito, então não há muito a se dizer. Vale a lembrança de que um dos maiores problemas da cidade é o fato de que, provavelmente, a Capital Federal ganhará um caro “elefante branco” após a Copa, visto que não tem nenhum representante nas Séries A e B do Brasileirão. Uma ideia que está sendo pensada, é a de que a final da Copa do Brasil seja sempre disputada no Estádio Nacional, mais ou menos como ocorre na Inglaterra com o Estádio de Wembley. Ainda assim, parece pouco pelo dinheiro gasto.
Cuiabá
Prefeito Atual: Chico Galindo (PTB)
Prefeito Eleito: Mauro Mendes (PT)
Estádio da Copa: Arena Pantanal
As obras da Arena Pantanal alcançaram 55% de conclusão, número considerado bom para o estádio que não receberá a Copa das Confederações. Os 43 mil lugares do palco cuiabano para a Copa poderiam se tornar um problema parecido com o descrito para Brasília, mas a ideia é de que 20% das arquibancadas sejam retiradas após a Copa, algo que reduziria a capacidade do estádio para pouco menos de 35 mil lugares, número razoável – talvez um pouco exagerado – para um estado sem muita tradição no futebol. A cidade tem tomado todas as providências para ser uma sede “sustentável”, que honre o apelido de “cidade verde”.
O que não está verde é o sinal das obras da VLT Cuiabá/Várzea Grande. O “metrô de superfície” da capital matogrossense, que liga o Centro Político Administrativo ao Aeroporto e o Bairro de Coxipó ao Centro, não teve nem os trilhos implantados. Apenas viadutos, pontes e trincheiras já foram colocadas. A obra, segundo o Tribunal de Contas da União, não fica pronta até a Copa, e já foi paralisada duas vezes pelo Tribunal Regional Federal. É, sem dúvida, um abacaxi para o Prefeito Eleito Mauro Mendes. Já o Corredor Mário Andreazza segue o cronograma das obras, com a reforma da ponte homônima e a duplicação dos 9 km da rodovia que também leva o mesmo nome.
Em 14 de dezembro foi assinada a ordem de serviço para a ampliação do Aeroporto Marechal Rondom.
Curitiba
Prefeito Atual: Luciano Ducci (PSB)
Prefeito Eleito: Gustavo Fruet (PDT)
Estádio da Copa: Arena da Baixada
O Prefeito Eleito de Curitiba, Gustavo Fruet terá que lidar com um dos orçamentos mais altos das cidades-sede, e também um dos que mais ultrapassaram o planejamento inicial. No último dia 21, por exemplo, a Prefeitura de Curitiba liberou mais 33 milhões de reais para a reforma da Arena da Baixada. A liberação dos recursos foi questionada por alguns vereadores (sete votos, dos 31, foram contra), que não aceitaram a ideia de financiar uma construção privada, já que o estádio pertence ao Atlético Paranaense.
A lei 13.620 de 2010, dizia que o Atlético poderia usar R$ 90 milhões de bônus que a Prefeitura concede para a construção de imóveis com tamanho acima do limite dado pela constituição. No entanto, o Prefeito Luciano Ducci – derrotado ainda no Primeiro Turno das Eleições deste ano – propôs uma mudança na legislação, que alterou o limite para R$ 123.666.666,67.
Em março de 2013, começarão as obras do Sistema Integrado de Monitoramento (o SIM, que fará um monitoramento permanente das ruas da cidade) e do Terminal Santa Cândida. As obras, ambas bancadas pela Prefeitura, custarão mais de R$ 81 milhões aos cofres públicos.
Já o Aeroporto Marechal Rondom está na fase final de sua reforma, restando apenas a ampliação do terminal de passageiros e do sistema viário.
Em junho deste ano, começou a construção da VLT Parangaba/Macuípe, que pode ter ser trajeto alterado por conta de um impasse sobre desapropriações em alguns trechos dos seus 13 km. O custo estimado para as obras é de quase R$ 180 milhões. As obras no Eixo Via Expressa/Rui Barbosa voltaram a seu ritmo normal depois de uma paralisação por conta da Construtora Delta, que, no primeiro semestre desse ano, esteve envolvida no escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Na primeira fila, da esquerda para a direita, a Presidente Dilma Rousseff, o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e o Prefeito Eleito de Fortaleza, Roberto Cláudio, assistem a um vídeo (ao fundo) feito pelo Presidente da FIFA, Joseph Blatter. (Foto: Diego Morais/globoesporte.com)
Manaus
Prefeito Atual: Amazonino Mendes (PTB)
Prefeito Eleito: Arthur Virgílio Neto (PSDB)
Estádio da Copa: Arena da Amazônia
Afora o fato de que dificilmente o Fast Club ou o Nacional – dois maiores times do Amazonas -, preencherão grande parte dos 44.310 lugares da Arena da Amazônia, o estádio amazonense para a Copa vai muito bem, obrigado. O Aeroporto Brigadeiro Eduardo Gomes também não dá muitas dores de cabeça – além das habituais em tudo que envolve as obras da Copa.
Entretanto, no quesito mobilidade urbana, a cidade de Manaus está bastante atrasada. As obras do Monotrilho Norte/Centro deveriam ter começado no final de 2011, porém, após a licitação ser feita em março do mesmo ano, o TCU pediu um novo licital, após encontrar falhas no primeiro. Depois de muito ser adiada, a construção do Monotrilho foi retirada do projeto da “Matriz da Copa”, o que basicamente significa que ele não será construído até o Mundial. Situação parecida vive a BRT Eixo Leste/Centro, que, apesar de ainda estar nos planos da “Matriz”, não teve nem a ordem de serviço assinada.
Segundo a Prefeitura, as obras melhorarão a mobilidade urbana da cidade, mas não são indispensáveis para a Copa, pois, o projeto aprovado pela FIFA, em 2010, inclui apenas, na questão da mobilidade, o sistema convencional de transporte da capital amazonense.
Natal
Prefeito Atual: Micarla de Sousa (PV)
Prefeito Eleito: Carlos Eduardo Alves (PDT)
Estádio da Copa: Arena das Dunas
É bem provável que a Arena das Dunas seja o estádio que mais preocupe os organizadores do Mundial. Depois de sofrer com várias greves, a Arena atingiu metade de sua conclusão, mas ainda está com o sinal amarelo. Para se ter ideia, em abril deste ano, apenas 22% dos trabalhos haviam sido concluídos.
Apesar da última greve, que ocorreu no último trimestre do ano, as arquibancadas já estão sendo colocadas. Ainda assim, não há mais tempo para atrasos.
Porto Alegre
Prefeito Atual: José Fortunati (PDT)
Prefeito Eleito: José Fortunati (PDT)
Estádio da Copa: Beira-Rio
A situação de Porto Alegre lembra bastante a de Manaus, quando se fala na Copa do Mundo de 2014. Embora o Prefeito José Fortunati tenha sido reeleito com tranquilidade no primeiro turno das Eleições na capital gaúcha, seu primeiro mandato não conseguiu cumprir as metas no que tange a mobilidade urbana para o Mundial.
De acordo com a “Matriz de Responsabilidades”, órgão oficial do governo, a construção do Corredor Avenida Tronco deveria ter sido iniciada em janeiro de 2011, porém, só em maio desse ano a obra, de fato, teve início. A previsão de entrega é para abril de 2014. Já o Corredor da Terceira Perimetral também sofreu atraso no início de suas obras e, de acordo com o Governo, só fica pronto em maio de 2014, a menos de um mês para a Copa. Qualquer pequeno atraso, portanto, pode significar que não fique tudo pronto a tempo do maior torneio de futebol do Mundo.
A Copa em Porto Alegre já parece ter cometido um grave engano. O estádio escolhido para a cidade foi o Beira-Rio, do Internacional. Enquanto isso, o Grêmio começava a planejar a construção de uma moderna Arena, que ficou de fora. Hoje, a pouco menos de dois anos do torneio, o estádio colorado ainda é um canteiro de obras, que, inclusive, recebeu jogos do Brasileirão até a penúltima rodada. Já o tricolor gaúcho, inaugurou seu novo – e belíssimo -estádio em um amistoso contra o Hamburgo, da Alemanha. Ficou difícil entender a escolha dos porto-alegrenses.
Acima, a recém-inaugurada Arena do Grêmio, que não será utilizada na Copa (foto: UOL). Abaixo, o Beira-Rio, palco de Porto-Alegre para o Mundial, em obras (Foto: Divulgação/Internacional).
Recife
Prefeito Atual: João da Costa (PT)
Prefeito Eleito: Geraldo Julio (PSB)
Estádio da Copa: Arena Pernambuco
Dentre as várias coisas estranhas que acontecem nessa Copa do Mundo do Brasil, uma delas é o fato do estádio de Recife para a Copa não ficar em Recife. A Arena Pernambuco fica em São Lourenço da Mata, a 16 km da Capital. Isso é ainda mais estranho, se pensarmos que Recife tem três grandes estádios que poderiam ser reformados: o Arruda, do Santa Cruz, a Ilha do Retiro, do Sport e o Estádio dos Aflitos, do Náutico, que, inclusive, ficará com a Arena de São João da Mata (algo que não se sabia quando sua construção teve início).
Enfim, apesar dos pesares, a Arena pernambucana já alcançou mais de 60% de sua conclusão e segue em ritmo tranquilo para a Copa do Mundo, já que não cumpriu as exigências da FIFA para sediar a Copa das Confederações de 2013. As obras de mobilidade urbana seguem dentro do programa estipulado pela FIFA.
Rio de Janeiro
Prefeito Atual: Eduardo Paes (PMDB)
Prefeito Eleito: Eduardo Paes (PMDB)
Estádio da Copa: Maracanã.
Embora todas as sedes tenham a sua importância, não dá para negar que a cidade mais importante da Copa de 2014 é o Rio de Janeiro. Além de ter o estádio mais famoso e receber a final, grande parte dos olhos do Mundo estão voltados para a Cidade Maravilhosa que, é bom lembrar, também receberá os Jogos Olímpicos de 2016.
Quem gosta do Maracanã, não ficou nem um pouco feliz com o “novo” estádio. Atitudes como a de tirar a “geral” do Estádio Jornalista Mário Filho tiraram, em grande parte, o seu charme, o que, para muitos, é uma bobagem.
Outra notícia que anda causando bastante tristeza em muita gente é a de que o Maracanã deve ser privatizado em 2013.No último dia 8 de novembro, por exemplo, a primeira audiência pública da privatização enfrentou protestos e vaias de manifestantes que não querem “perder” um dos maiores patrimônios da Cidade do Rio de Janeiro. No entanto, como a administração da Capital Fluminense não será trocada, visto que Eduardo Paes foi reeleito com facilidade, ainda no primeiro turno das Eleições, é bem difícil que o Maracanã não seja entregue a alguma empresa privada (ou mesmo a um clube) ainda antes da Copa do Mundo.
As obras no estádio, no entanto, seguem em bom ritmo e a reabertura deve acontecer no primeiro semestre de 2013, em um amistoso da Seleção Brasileira. Há, inclusive, a ideia da final da Libertadores ser disputada lá, caso o Fluminense, único carioca no torneio, chegue à decisão.
Manifestantes protestam contra a privatização do Maracanã em audiência pública. (Foto: Vinicius Konchinski/UOL)
Salvador
Prefeito Atual: João Henrique Carneiro (PP)
Prefeito Eleito: ACM Neto (DEM)
Estádio da Copa: Arena Fonte Nova
Outra das cidades que receberão a Copa das Confederações, Salvador está bem perto de ver a Arena Fonte Nova inaugurada. Com mais de 85% das obras concluídas, o estádio soteropolitano para o Mundial já tem até alguns assentos colocados.
Sem a necessidade de grandes obras de mobilidade urbana, a cidade caminha tranquila para a Copa das Confederações de 2013. Tudo perfeito, não fosse o fato de que todo o dinheiro gasto na Arena – que, além de ser o estádio mais caro da Copa, é privada, pertence ao Bahia. São R$ 835 milhões (valor dado após um reajuste de 41%), dos quais pouco mais da metade vem de empréstimos através do BNDES e do Banco de Desenvolvimento do Nordeste.
O resto, vem de investimentos do governo baiano.
São Paulo
Prefeito Atual: Gilberto Kassab (PSD)
Prefeito Eleito: Fernando Haddad (PT)
Estádio da Copa: Arena Corinthians
O maior problema de São Paulo para a Copa de 2014 já foi resolvido há muito tempo. E da pior maneira possível. Com um dos maiores estádios do país, a capital paulista optou pela construção de outro: o Morumbi ficou de fora, e, em seu lugar, entrou a Arena Corinthians, em Itaquera.
O estádio, privado, está sendo construído com dinheiro público. No começo do ano de 2012, o valor gasto pelo governo em incentivos fiscais e gastos públicos, já havia ultrapassado a barreira dos 500 milhões de reais.
Corinthians, Andrés Sanchez e a Prefeitura de São Paulo, dizem que é um empréstimo, e que o alvinegro paulista vai pagar. Outros, ainda dizem que o estádio vai ser sede de um evento mundial e, por isso, merece ajuda (ajuda, reparem) do governo. Mas, o fato é que muito dinheiro foi gasto sem necessidade, ou com necessidades ocultas. Agora, o estádio está lindo, as obras caminham bem e, no futuro, isso será só uma resposta para um momento bom do Corinthians, como essas que muitos são-paulinos ouvem sobre o Morumbi e o ex-Governador de São Paulo, Laudo Natel. E segue a vida…
PS: Sou corinthiano. Tudo o que foi falado da Arena Corinthians não é “dor de cotovelo” ou coisa parecida.