Bolsonaro líder; Haddad e Ciro disputando o segundo lugar; Huck crescendo

Pesquisa PoderData/Band mostra o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) líder isolado na corrida para 2022. Bolsonaro tem quase o triplo de intenções de voto em relação ao segundo colocado, que é Fernando Haddad (PT), o seu adversário no segundo turno de 2018. O ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro derreteu e quem aparece bem na foto desta pesquisa é Luciano Huck, aparecendo com 9% em condição de empate técnico com Haddad e Cio Gomes (PDT).

Huck também é quem mais ameaça Bolsonaro em um eventual segundo turno, ficando apenas 6 pontos atrás do atual presidente. Será que vai animar o apresentador a finalmente se decidir sobre uma candidatura ao Palácio do Planalto? O prazo para o seu desligamento da Rede Globo termina em 2021, foi o ultimato que a emissora deu a ele e sua esposa Angélica.

A resiliência do presidente é impressionante. Bolsonaro se comunica com parcela considerável dos brasileiros, mas 2021 será o teste de fogo na busca pela reeleição. O governo vai ter que entregar muito mais do que já entregou, principalmente na saúde (vacinação em massa da população) e economia (desemprego e inflação).

Mensagem de Natal

Bolsonaro e Michelle fizeram o tradicional pronunciamento de natal em rede nacional de TV e rádio.

Huck e Moro iniciam conversas para 2022

A possível candidatura conjunta gerou repercussão e divisão

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o apresentador de TV Luciano Huck e o ex-juiz federal e ex-ministro Sergio Moro tiveram uma longa conversa na casa de Moro, em Curitiba, no final de outubro. Os dois, segundo a reportagem, convergiram na opinião que há espaço para uma candidatura de “racionalidade” em 2022. Essa candidatura de “terceira via” teria o seguinte tripé: liberalismo econômico, luta contra a corrupção e diminuição da desigualdade social. A luta contra a corrupção é bandeira de Moro, luta contra as desigualdades sociais e empreendedorismo são bandeiras de Huck, a agenda liberal na economia é convergência de ambos. Seria uma candidatura de centro para centro-direita.

Segundo a Folha, eles também discutiram a viabilidade de reeleição do presidente Jair Bolsonaro e chegaram a conclusão que ele terá força na eleição por reinar sozinho no segmento conservador, mas que 2021 será um ano difícil pelo fim do auxílio emergencial e o desemprego crescente. A ideia da candidatura conjunta é atrair o máximo de aliados possíveis que estejam de acordo com os princípios acordados acima e formar uma frente de centro contra a esquerda lulista e a direita bolsonarista. Não discutiram quem encabeçaria a chapa, isso ficaria para 2021.

Nas redes, a possível candidatura conjunta gerou repercussão e divisão. Uma parte da esquerda e centro-esquerda rechaçou de logo uma frente com Sergio Moro. Os argumentos se dividiram em parte pela a atuação como juiz e por ter sido ministro de Bolsonaro. Já com Huck, a esquerda não esquece o voto dele em Aécio e, dizem, em Bolsonaro (ele não declarou voto em 2018). Quem não descartou a possível aliança criticou o que chamou de purismo ideológico e lembrou a frente ampla que elegeu Joe Biden contra Donald Trump nos EUA. É complicado fazer comparação da política daqui com a de lá, mas é fato que Biden conseguiu unir em uma frente alas ideológicas opostas dentro do partido democrata em torno de sua candidatura.

O economista Thales Nogueira escreveu no Twitter: “Caro progressista purista de 2020. Aplique seu dogmatismo e moralismo ideológico no tempo e você talvez não votaria sequer no Lyla [Lula] em 2002, cujo vice era um empresário da elite industrial e com carta ao povo e tudo.”.

Já o jornalista Kennedy Alencar comentou o seguinte: “No Brasil, temos uma legião de aventureiros despreparados e rasos que querem tirar proveito de uma falsa equivalência para esconder o bolsonarismo de sapatênis, como faz @LucianoHuck, e o conservadorismo regressivo, como faz @SF_Moro. Não vou normalizar esses selvagens. Tô fora.”

O governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), que já teve conversas com Luciano Huck, escreveu: “Moro grava vídeo para um extremista líder de motim, candidato em Fortaleza. Começou muito mal a sua tentativa de se reinventar como referência do “centro”, após servir a Bolsonaro e dele se servir. Cobram tanto da esquerda, mas com um “centro” assim fica difícil demais”, e postou também: “Análises sobre dificuldades para a formação de frentes políticas no Brasil frequentemente olham apenas para problemas na esquerda. Mas não se pode ignorar as carências e vacilações no que seria o “Centro”. Por exemplo, impossível ser contra Bolsonaro e a favor de Paulo Guedes.”

Juliano Medeiros, presidente do PSOL, foi mais incisivo: “Formar uma frente com Moro, Huck, Maia e outros golpistas, reabilitaria os canalhas que viabilizaram o bolsonarismo no Brasil, direta ou indiretamente. Seria um indignidade da qual o PSOL jamais tomará parte. Devemos construir uma alternativa de esquerda. Não estamos nos EUA.”

José Guimarães, figurão do PT concordou: “Muito menos o PT, é minha opinião. Essa gente é responsável pela eleição de Bolsonaro. Os que bradaram contra o PT e os que se omitiram que paguem a contra (sic) do desastre para nossa democracia que foi a eleição de Bolsonaro! #ForaBolsonaro”

Óbvio que a esquerda, principalmente a mais hardcore, não apoiaria uma candidatura de centro e/ou centro-direita. Assim como a esquerda trabalhista terá Ciro Gomes (PDT) como player. E Ciro trabalha para construir uma “terceira via” de centro-esquerda viabilizando alianças com partidos de centro, conseguiu para as eleições municipais de 2020 aliança com Democratas, de ACM Neto em Salvador, e PSD com Alexandre Kalil em Belo Horizonte. Ciro tem uma candidata com chance de ir ao segundo turno no Rio e apoia Márcio França (PSB) em São Paulo, que tem chance de vitória, e apoia o PSB de Pernambuco com o filho de Eduardo Campos na liderança nas pesquisas no Recife-PE. Além da sua Fortaleza-CE, o seu candidato tem uma frente ampla que tem PP, DEM, PSDB, PSD, PSB, Cidadania.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também já colocou seu nome no jogo e busca uma robusta frente de aliados para ser a alternativa de centro para 2022. E tem o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que ganhou muita visibilidade no começo da pandemia.

Ou seja, Huck e Moro terão dificuldades de conseguir aliados para uma chapa, seja pela concorrência ou pelos dois agregarem rejeição aos seus nomes. Mas dependendo do cenário político do biênio 2021-2022, a candidatura conjunta pode sim ser viabilizada e a ampla aliança de centro.

Bolsonaro forte para 2022, mas com horizonte difícil para o segundo turno

Diferente de 2018, forças de campos opostos e até de lado ideológico semelhante podem se unir contra Bolsonaro

Pesquisa Poder Data mostra que a polarização Bolsonaro e PT se mantém forte. Diria mais: a polarização é Bolsonaro e Lula. Quando o candidato é o ex-presidente, ele aparece com mais que o dobro de Fernando Haddad. Sergio Moro segue sendo a opção mais competitiva fora da atual polarização política, mas vem perdendo força muito provavelmente por não ter mais a vitrine de juiz e ministro da Justiça.

Mantendo os 35% que vem computando em praticamente todas as pesquisas, até a eleição de 2022, Bolsonaro dificilmente ficará de fora do segundo turno. Mas a pesquisa mostrou cenário perigoso para o presidente Bolsonaro. As simulações de segundo turno mostraram empate na disputa contra Lula (41% x 41%), vantagem de apenas 3 pontos contra Moro (40% x 37%) e a maior vantagem do atual presidente é contra Haddad (45% x 38%).

Obviamente, simulações de segundo turno com tanta antecedência é futurologia. O que não impede de concluir que, diferente de 2018, forças de campos opostos e até de lado ideológico semelhante, que preferiram fazer voto crítico sem se aliar ao petismo, podem se unir contra Bolsonaro. Todos contra um.

Lembrando que Lula ainda está inelegível, mas seu capital político coloca qualquer representante seu no segundo turno, o que pode comprometer uma frente ampla novamente.

Com relação ao velho centro político (PSDB, Democratas, MDB), continua sem espaço e desorganizado, e como dizia o ex-marqueteiro do PT, João Santana: sofrendo de “antropofagia de anões”.