Huck acertou sobre o BF

O apresentador Luciano Huck fez um comentário sobre o programa Bolsa Família desagradando muitos e, óbvio, distorceram a sua fala na pura maldade para farmar likes, views e para discurso político. Aliás, o programa Bolsa Família tem gênese liberal e muitos economistas de esquerda criticavam a ideia de uma renda básica.

A ideia de unificar os programas sociais aconteceu porque o Fome Zero foi um fracasso retumbante no primeiro governo Lula, que aceitou o conselho do então governador de Goiás, Marconi Perillo, sob críticas desses mesmos economistas e pessoas do próprio governo.

Voltando ao Huck, a sua fala foi apontando problemas no programa que afetam o desenvolvimento do país. Não pediu o fim dele. Vários municípios nos rincões o BF virou o carro-chefe da economia local e os dependentes do auxílio perderam o estímulo de procurar trabalho seja por falta dele ou acomodação.

Mas é mais fácil acusar o apresentador de ser elitista preconceituoso divulgando o seu alto salário, explorando itens caros que os filhos usam como se fosse crime ser rico.

A escolha de Huck

No programa Pânico, Emílio Surita deu uma informação que mexe com corrida presidencial de 2022.

Dizendo ter uma informação de dentro da TV Globo o apresentador da Jovem Pan disse que Luciano Huck vai para o domingo da grade da emissora em substituição a Fausto Silva, que não vai renovar seu contrato no final de 2021 encerrando mais de 30 anos de seu programa dominical, e Marcos Mion entra no lugar de Huck aos sábados. Mion deixou a Record recentemente.

Huck flerta com a possiblidade de ser candidato a presidente desde a eleição de 2018 e, segundo notícias divulgadas na imprensa, a Globo deu março – próximo mês – como data limite para o apresentador decidir se entra na política e deixa a emissora.

Pesquisa de dezembro de 2020 mostrava Huck com com 9%, empatado tecnicamente com Ciro e Haddad e numericamente à frente de Moro. Na mesma pesquisa Huck era o que perdia com a menor diferença contra Jair Bolsonaro no segundo turno.

A revista Veja deu em janeiro a informação que Huck definiu o seguinte roteiro: encerrar o contrato com a Globo no meio do ano, se filiar ao Democratas, e buscar um vice. Eduardo Leite (PSDB), governador do Rio Grande do Sul seria o favorito dele. O partido Cidadania é outra opção de legenda. Comenta-se de uma fusão entre Rede, PV e Cidadania para receber a candidatura de Luciano.

Seja qual o caminho do apresentador e empresário vai seguir, ele está atrelado a eleição presidencial.

Huck e Moro iniciam conversas para 2022

A possível candidatura conjunta gerou repercussão e divisão

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o apresentador de TV Luciano Huck e o ex-juiz federal e ex-ministro Sergio Moro tiveram uma longa conversa na casa de Moro, em Curitiba, no final de outubro. Os dois, segundo a reportagem, convergiram na opinião que há espaço para uma candidatura de “racionalidade” em 2022. Essa candidatura de “terceira via” teria o seguinte tripé: liberalismo econômico, luta contra a corrupção e diminuição da desigualdade social. A luta contra a corrupção é bandeira de Moro, luta contra as desigualdades sociais e empreendedorismo são bandeiras de Huck, a agenda liberal na economia é convergência de ambos. Seria uma candidatura de centro para centro-direita.

Segundo a Folha, eles também discutiram a viabilidade de reeleição do presidente Jair Bolsonaro e chegaram a conclusão que ele terá força na eleição por reinar sozinho no segmento conservador, mas que 2021 será um ano difícil pelo fim do auxílio emergencial e o desemprego crescente. A ideia da candidatura conjunta é atrair o máximo de aliados possíveis que estejam de acordo com os princípios acordados acima e formar uma frente de centro contra a esquerda lulista e a direita bolsonarista. Não discutiram quem encabeçaria a chapa, isso ficaria para 2021.

Nas redes, a possível candidatura conjunta gerou repercussão e divisão. Uma parte da esquerda e centro-esquerda rechaçou de logo uma frente com Sergio Moro. Os argumentos se dividiram em parte pela a atuação como juiz e por ter sido ministro de Bolsonaro. Já com Huck, a esquerda não esquece o voto dele em Aécio e, dizem, em Bolsonaro (ele não declarou voto em 2018). Quem não descartou a possível aliança criticou o que chamou de purismo ideológico e lembrou a frente ampla que elegeu Joe Biden contra Donald Trump nos EUA. É complicado fazer comparação da política daqui com a de lá, mas é fato que Biden conseguiu unir em uma frente alas ideológicas opostas dentro do partido democrata em torno de sua candidatura.

O economista Thales Nogueira escreveu no Twitter: “Caro progressista purista de 2020. Aplique seu dogmatismo e moralismo ideológico no tempo e você talvez não votaria sequer no Lyla [Lula] em 2002, cujo vice era um empresário da elite industrial e com carta ao povo e tudo.”.

Já o jornalista Kennedy Alencar comentou o seguinte: “No Brasil, temos uma legião de aventureiros despreparados e rasos que querem tirar proveito de uma falsa equivalência para esconder o bolsonarismo de sapatênis, como faz @LucianoHuck, e o conservadorismo regressivo, como faz @SF_Moro. Não vou normalizar esses selvagens. Tô fora.”

O governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), que já teve conversas com Luciano Huck, escreveu: “Moro grava vídeo para um extremista líder de motim, candidato em Fortaleza. Começou muito mal a sua tentativa de se reinventar como referência do “centro”, após servir a Bolsonaro e dele se servir. Cobram tanto da esquerda, mas com um “centro” assim fica difícil demais”, e postou também: “Análises sobre dificuldades para a formação de frentes políticas no Brasil frequentemente olham apenas para problemas na esquerda. Mas não se pode ignorar as carências e vacilações no que seria o “Centro”. Por exemplo, impossível ser contra Bolsonaro e a favor de Paulo Guedes.”

Juliano Medeiros, presidente do PSOL, foi mais incisivo: “Formar uma frente com Moro, Huck, Maia e outros golpistas, reabilitaria os canalhas que viabilizaram o bolsonarismo no Brasil, direta ou indiretamente. Seria um indignidade da qual o PSOL jamais tomará parte. Devemos construir uma alternativa de esquerda. Não estamos nos EUA.”

José Guimarães, figurão do PT concordou: “Muito menos o PT, é minha opinião. Essa gente é responsável pela eleição de Bolsonaro. Os que bradaram contra o PT e os que se omitiram que paguem a contra (sic) do desastre para nossa democracia que foi a eleição de Bolsonaro! #ForaBolsonaro”

Óbvio que a esquerda, principalmente a mais hardcore, não apoiaria uma candidatura de centro e/ou centro-direita. Assim como a esquerda trabalhista terá Ciro Gomes (PDT) como player. E Ciro trabalha para construir uma “terceira via” de centro-esquerda viabilizando alianças com partidos de centro, conseguiu para as eleições municipais de 2020 aliança com Democratas, de ACM Neto em Salvador, e PSD com Alexandre Kalil em Belo Horizonte. Ciro tem uma candidata com chance de ir ao segundo turno no Rio e apoia Márcio França (PSB) em São Paulo, que tem chance de vitória, e apoia o PSB de Pernambuco com o filho de Eduardo Campos na liderança nas pesquisas no Recife-PE. Além da sua Fortaleza-CE, o seu candidato tem uma frente ampla que tem PP, DEM, PSDB, PSD, PSB, Cidadania.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também já colocou seu nome no jogo e busca uma robusta frente de aliados para ser a alternativa de centro para 2022. E tem o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que ganhou muita visibilidade no começo da pandemia.

Ou seja, Huck e Moro terão dificuldades de conseguir aliados para uma chapa, seja pela concorrência ou pelos dois agregarem rejeição aos seus nomes. Mas dependendo do cenário político do biênio 2021-2022, a candidatura conjunta pode sim ser viabilizada e a ampla aliança de centro.

Huck fora do jogo eleitoral

É a terceira tentava fracassada de um “outsider”

Luciano Huck bateu o martelo e decidiu que não será candidato a presidente da República em 2018. Em artigo na Folha de São Paulo, Huck justificou seus encontros com personalidades da política, do mercado financeiro, ativistas e o motivo de não sair candidato: família.

Foi o que deu para tirar do texto. De resto, um monte de amontoados de clichês sobre os políticos, os problemas do Brasil, mas sem apontar uma solução para nada. Além de se autopromover, o que ele sabe fazer muito bem.

Não duvido que o apelo da família foi um dos motivos para Huck não embarcar na política neste momento, como ele colocou no artigo, e sim o ultimato da TV Globo: Se ele fosse realmente se candidatar tinha de se afastar de seu programa na emissora em dezembro, sem volta. E também valia para sua mulher Angélica.

Ao menos, o Brasil escapou da versão para 2018 do Silvio Santos de 1989 ser o apresentador global. Huck representava e ainda representa – frisou que não seria agora – a antipolítica mais caricata possível.

É a terceira tentava fracassada de parte da imprensa e partidos lançar um nome fora da política, um “outsider”. O juiz Sergio Moro foi o primeiro, mas não se deixou levar pela plateia ensandecida; o prefeito João Doria foi o segundo, que se antecipou ao processo eleitoral e se queimou; Huck foi a bola da vez. Façam suas apostas para o próximo.

Luciano Huck candidato já é realidade

É a antipolítica encarnada.

Eliane Cantanhêde diz que a candidatura de Luciano Huck à presidência da República começa a se concretizar. Cantanhêde escreve, em seu blog no Estadão, que Huck vai se filiar ao PPS até o dia 15 de dezembro.

Com legenda disponível (PPS), Armínio Fraga fazendo ponte com mercado financeiro, Huck ainda precisaria se cacifar conseguindo pontos nas pesquisas, apoio de várias camadas da sociedade e apoio de legendas que garantem a ele um bom pedaço do bolo de tempo de rádio e TV.

Não sei se seria informação, balão de ensaio ou vontade da Cantanhêde, o PSDB seria o avalista político de Huck. Seria a pá cal no partido da Social Democracia.

Huck será candidato pelo movimento Agora de Ilona Szabó (queridinha da imprensa progressista), se apresentando como o “novo”, o PPS será apenas uma ponte. É a antipolítica encarnada. Pior que nessa procura desesperada da imprensa, intelectuais, artistas, aventureiros, por essa sanha justiceira, em busca de um candidato fora da polarização Lula-Bolsonaro, ele pode surpreender.

Inexplicável Roberto Freire usar o PPS (herdeiro do Partidão PCB) como catapulta de Luciano Huck. Viu a chance de chegar ao poder, mesmo a reboque de uma celebridade se aproveitando do sentimento de ódio aos políticos.

Também inexplicável Armínio Fraga usar seu prestígio como avalista da candidatura de Luciano Huck. Muito medo de Lula e Bolsonaro ou muita vontade ser ministro manda-chuva. Ou as duas coisas.

Se o Luciano Huck entrar para política e mesmo perdendo a eleição presidencial se candidate a outros cargos (deputado, senador, governador, prefeito) de outras eleições, ele vai mostrar que não foi só oportunismo e vai ganhar meu respeito. Agora, se candidatando só para presidente e saindo da política do mesmo jeito que entrou, Huck vai confirmar o que falam dele.