
Os filmetes publicados pela equipe do Ciro Gomes tem a digital de João Santana. O mais recente publicado na manhã desta segunda-feira foi sintomático da guinada que Ciro está em execução. A peça mostra a Constituição e a Bíblia como dois pilares da sociedade, e não antagônicos.
Como um gênio do marketing político e eleitoral, Santana sabe o único caminho que leva Ciro para o Planalto. O eleitor lulista não vai mudar o voto, o eleitor bolsonarista também não. Mas o eleitor que votou em Bolsonaro e se sente frustrado com o presidente é esse eleitorado que João Santana está mirando e colocando Ciro para dialogar com ele.
Para ser um candidato viável eleitoralmente e superar a atual polarização, Ciro sabe que precisa pegar uma fatia do eleitor conservador. Em 2018 aconteceu um “fenômeno” de eleitores que votariam em Lula votaram em Bolsonaro. Santana que fazer o mesmo, só que uma transfusão de votos do Bolsonaro para Ciro.
João Santana sabe e, por óbvio, dito a Ciro não ficar preso ao eleitorado ideológico. Para ser viável como terceira via Ciro precisa dialogar com setores tradicionalmente à direita. E o eleitor ligado a uma religião é cada vez mais decisivo em uma eleição.
A peça publicitária divulgada hoje foi feita para esse eleitor à direita. Essa guinada pode fazer Ciro se afastar do eleitor de esquerda que vota nele. A questão é quanto Ciro estaria disposto a arriscar a perder para tentar ganhar na outra ponta.
Até o momento é Ciro Gomes quem mais se viabilizou para ocupar o posto de terceira via sem ser uma abstração. É preciso perguntar ao pré-candidato até que limite está disposto a ir. Será acusado de se prostituir eleitoralmente, mas se quiser ganhar depois de três tentativas, terá um preço e é trocar um pouco de eleitor – para quem trocou de partido várias vezes não deve ser difícil.



