Haddad pode ser a “fênix” na eleição de outubro

Talvez, Haddad deveria ter trocado de partido, respirar ar novo, mas foi fiel ao partido que ele foi eleito

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Em entrevista ao Jornal da Gazeta, o prefeito Fernando Haddad (PT) falou qual vai ser o mote da sua campanha para reeleição: relembrar suas promessas de campanha de 2012, mostrar que cumpriu muitas e outras estão encaminhadas. Lembrou que o dinheiro do governo federal para obras do PAC está vindo a conta gotas. E amenizou para o lado da presidente Dilma, que não fala com ele desde setembro de 2015.

O prefeito falou do clima hostil a todos os partidos políticos, mas reconheceu que o momento é pior para o PT, por está no olho do furacão. Haddad disse, também, que o paulistano não é conservador, mas que “forças conservadoras atuam muito forte na população”, citou a reforma política e o fim das coligações proporcionais que “distorce a representação”. Sobre coligações proporcionais, está com toda razão.

Fernando Haddad representa o que sobrou de bom no Partido dos Trabalhadores, mesmo com eventuais erros cometidos na sua gestão – administrar uma cidade com o tamanho e a problemática de São Paulo não é fácil. Ele não é populista, não é corrupto, não compactua com a corrupção, mas sofre com baixa popularidade que muito se deve por ser do PT.

Chegou a circular a notícia que Haddad poderia ir para Rede, de Marina Silva. A notícia foi desmentida pelo próprio prefeito. Talvez, Haddad deveria ter trocado de partido, respirar ar novo, mas foi fiel ao partido que ele foi eleito, um professor universitário que não sonhava em ser o prefeito da maior cidade do Brasil. A reeleição de Haddad está ameaçada, mas, por problemas de unidade no PSDB, incoerências de Marta Suplicy, que trocou o PT pelo PMDB em nome da moralidade pública, e rejeição a Celso Russomanno, ela pode não está tão perdida. Eleição não se ganha e não se perde de véspera.

Reeleição de Haddad ameaçada e indefinições nos partidos de oposição

A reeleição está muito ameaçada. Haddad tem exatos seis meses para reverter esse quadro

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Situação do prefeito Fernando Haddad (PT) pensando na eleição 2016 é muito crítica. A reeleição está muito ameaçada. Haddad tem exatos seis meses para reverter esse quadro, de rejeição à sua administração na prefeitura de São Paulo. Se entrar em agosto e setembro com esses índices mostrados nessa pesquisa de hoje, a reeleição do prefeito fica praticamente impossível. Ele pode até conseguir ir ao segundo turno, o problema é vencer com uma rejeição muito forte.

Lembrando que Haddad levou vantagem contra o candidato José Serra (PSDB) no segundo turno da eleição de 2012 justamente pela alta rejeição ao candidato tucano. Depois da boa notícia para o prefeito que foi a desistência de José Luiz Datena de disputar a eleição de São Paulo, a pesquisa de hoje veio para colocar os pés na realidade.

Sem definição qual será o candidato no PSDB (se não adiarem, a prévia do partido é agora em fevereiro, com João Doria Jr, Andrea Matarazzo e Ricardo Tripoli de pré-candidatos), os principais rivais de Fernando Haddad, em outubro, são a Senadora Marta Suplicy (PMDB) e o Dep. federal Celso Russomanno (PRB).

A eleição na maior e principal cidade do país continua sem definição, de quem será o principal adversário do atual prefeito, o que pode beneficiar Haddad.

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Reeleição de Haddad a perigo

A crise política e de representação é sistêmica e pode abrir brecha para novas lideranças – boas ou ruins

Pesquisa interna do PT aponta uma aprovação de 7% ao governo da presidente Dilma e 13% para o prefeito Fernando Haddad, na cidade de São Paulo. Com esse índice, Haddad não consegue a reeleição em 2016. Faltando um ano e quatro meses para a eleição o prefeito vai ter que suar muito para reverter esse quadro que é muito negativo para ele e ainda superar a alta rejeição do PT em São Paulo.

Em 2012, Haddad já teve que superar a rejeição dos paulistanos ao Partido dos Trabalhadores. Ele tinha a seu favor a imagem de jovem político e que fez um bom trabalho no MEC – Ministério da Educação. Uma campanha que parecia quase perdida em 15% das intenções de voto para o petista nas pesquisas e foi crescendo até leva-lo ao segundo turno praticamente empatado com José Serra (PSDB) e um pouco na frente de Celso Russomanno (PRB) – bom lembrar que Russomanno liderou praticamente toda campanha e começou a cair do meio para o final do primeiro turno.

A juventude de Fernando Haddad com o slogan do “novo” de sua campanha alinhado ao sentimento de mudança entre os paulistanos foram fatores da sua vitória no segundo turno, no entanto, o “novo” não tem como ser usado novamente.

As críticas à gestão Fernando Haddad são generalizadas e o prefeito ainda luta para deixar uma marca de sua gestão já se passados dois anos e meio de mandato. Ciclofaixas e ciclovias recebem muitas críticas, mas são aprovadas pela ampla maioria da população, como mostrou pesquisa Datafolha recentemente. O problema é que elas não garantirão sozinhas a reeleição de Haddad. Ainda mais com Marta Suplicy na disputa. Ela saiu do PT para disputar contra o prefeito, provavelmente pelo PSB. Além de Marta, Haddad vai concorrer com um dos rivais de 2012, o deputado Celso Russomanno, e um candidato do PSDB.

Essa mesma pesquisa mostrou a aprovação ao governo Geraldo Alckmin caindo de 35% para 28%. A crise política e de representação é sistêmica e pode abrir brecha para novas lideranças – boas ou ruins.

Haddad é um dos melhores quadros que restaram no PT

haddad Fiquei crítico ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), por algumas bobagens que o seu governo andou fazendo e, principalmente, por causa dos “baba-ovo” com essa frescura de “prefeitão” pra lá e “prefeitão” pra cá. Mas o prefeito Haddad tem uma cabeça aberta e pensa realmente no futuro da cidade. Haddad é um dos melhores quadros que restaram no PT. Vai ser uma pena se ele for queimado pela crise que passa o partido.

Fernando Haddad tem um perfil de governante moderno e que não faz populismo. Ele toma medidas de acordo com suas convicções e o que acha melhor para a cidade de São Paulo. E isso é um dos motivos da sua popularidade ter despencado a níveis mais baixo que o pré-sal. Haddad visa o futuro e não apenas o presente, e muito menos o passado.

O problema do Haddad é que ele não faz populismo, mas governa para minorias e essas minorias não são pobres moradores da periferia. Haddad está governando para grupos de ativismo como os ciclistas, por exemplo. Se não mudar e passar a governar olhando mais para periferia (fundamental para sua eleição), o prefeito corre risco de não conseguir recuperar popularidade e a reeleição, se entrar na disputa.

Em entrevista para Kennedy Alencar, Haddad deixou claro que não pensa na reeleição agora. Se foi sincero não sei, mas pareceu.

Ciclovias e um tiro no próprio pé de Haddad

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Embora seja um tema fora das eleições 2014, as ciclovias que o prefeito Fernando Haddad está construindo em São Paulo têm tudo a ver com política. Como não é surpresa, quem é a favor do projeto do prefeito aplaude e acusa quem é contra de ser coxinha e de pertencer à elite paulista que trata o carro como um verdadeiro ente da família. E, claro, dos governistas que vão fundo na crítica e chamam quem é contra de elite paulista fascista, deturpando completamente a palavra “fascista” e levando o debate para escuridão. Além do outro lado dizendo quem usa bicicleta é que é elite. No Brasil, o bom senso é estuprado em cada debate polêmico.

Antes de tudo, não sou paulista e não moro em São Paulo. Mas acho que posso palpitar sobre esse assunto. Torci pela vitória de Fernando Haddad na campanha de 2012. Observava nele um jovem com futuro e com visão que tanto a política brasileira clama e por seus adversários, José Serra e Celso Russomanno. Haddad era, de longe, o melhor nome na disputa. Um sopro de novidade que São Paulo precisava.

Tudo vinha na normalidade até junho de 2013 – ah, junho de 2013. Marco da mudança (boa e ruim ao mesmo tempo) de como o brasileiro vê os políticos e a política brasileira. A popularidade dos governantes despencou. Da presidente da República a governadores e prefeitos. Alguns se recuperaram. Outros, não. Haddad embicou para baixo chegando a incrível marca de 47% de rejeição ao seu governo.

Eu não sou contra as ciclovias, mas vejo que sair pintando ruas não vai resolver o grave problema de mobilidade da cidade de São Paulo. Muito pior é sair por aí acusando quem é contra a medida do prefeito de folgado que prefere carro por preguiça e por status. É preconceito. Não, quem prefere usar bicicleta para ir trabalhar não é só a elite, mas também não beneficia o trabalhador mais humilde que mora no outro lado da cidade e que precisa pegar vários ônibus para ir e voltar. Ciclovia é para poucas distâncias. Você usar isso para a população pobre chega a ser desumano. São Paulo é muito grande para o principal meio de transporte, principalmente para quem mora longe do trabalho, ou seja, os mais pobres, ser bicicleta.

Essa população quer é mais ônibus com conforto, metrô e trem funcionando decentemente e com preço justo. E atenção: Pobre não tem ódio a carro. Quem não tem é porque não pode ter um. Prioridades. Por isso que acredito que o prefeito Haddad errou na estratégia. Se essa ideia foi para agradar a população mais pobre, para melhorar o trânsito, ela está errada. Um tiro no próprio pé do prefeito. Isso joga mais lenha na fogueira na eterna luta de classes entre ricos contra pobres – elite contra trabalhadores.