Tentativa de golpe de estado é pior que vender joias do acervo da presidência

Segundo Bela Megale em O Globo, Mauro Cid revelou em delação premiada que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez reunião com a cúpula militar para avaliar um golpe no país. Cid teria revelado que o comandante da Marinha afirmou que a tropa estaria pronta para agir.

Se as informações forem reais e Mauro Cid apresentou provas, é gravíssimo. Por tudo que já veio a publico Bolsonaro tentou um golpe para se manter no poder e encontrou quem topasse a aventura golpista, como o ex-comandante da Marinha Almir Garnier. O comandante da Aeronáutica se calou e do Exército foi contra. Segundo a delação de Cid, o general Freire Gomes ameaçou o presidente de prisão se ele levasse o plano adiante. O alto comando das Forças Armadas resistiram.

Pra mim, atentar contra a democracia por meio de um golpe é muito pior que vender umas joias do acervo da presidência. Quem tenta golpe tem que pagar. Não ficar impune. O Brasil tem histórico de golpes. A própria República foi implantada por um golpe militar.

Nossas Forças Armadas, infelizmente, voltaram algumas casas na reconstrução da imagem depois do regime militar de 1964-1985. Foram politizadas durante o governo Bolsonaro e precisarão passar por uma nova despolitização.

Brasil escapou de viver um novo golpe de estado

A Polícia Federal encontrou um documento no telefone do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado “Forças Armadas como poder moderador” para desconstituir as instituições democráticas. O relatório da PF diz que o documento foi criado em 25 de outubro de 2022. Não é a primeira vez que é achado documento com teor parecido.

Foi criado um plano golpista para a eventual derrota eleitoral de Bolsonaro, que acabou se concretizando. Mas e o plano golpista, por que não foi colocado em prática? Faltou pouco para o Brasil passar por um novo golpe de estado. Faltou coesão nas Forças Armadas e também faltou apoio popular massivo. Também faltou apoio internacional.

Não é que dentro das Forças Armadas não tivessem quem apoiassem um golpe, mas o alto comando do Exército não se sentiu a vontade para chancelar um golpe de estado por falta de clamor popular – apenas acampamentos nas portas dos quartéis eram insuficientes -, faltava apoio da imprensa e apoio internacional. O Brasil ficaria isolado e grandes potências aplicariam sanções quebrando nossa economia.

Mas faltou pouco para o Brasil passar por um novo golpe de estado. Os seus autores precisam pagar pelo plano armado. Não foi executado, diriam as defesas dos acusados. Só de terem perdido tempo arquitetando um plano é gravíssimo e alguma punição tem que ter para quem planejou.

Lula troca comando do Exército

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu trocar o comando do Exército brasileiro. Sai o general Júlio César de Arruda e entra o general Tomás Miguel Ribeiro Paiva (foto abaixo).

Lula e Arruda já não falava a mesma língua. O estopim foi a recusa em demitir o tenente-coronel Mauro Cid, o faz tudo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A troca foi costurada com ministro da Defesa José Múcio.

A troca pode pôr fim a insubordinação da caserna. Lula tinha desconfiança que o general Júlio César estivesse fazendo corpo-mole para atos golpistas na frente dos QGs do Exército e ao ataque aos prédios dos três poderes no dia 8/1. O general Tomás Miguel Ribeiro Paiva teve um vídeo divulgado recentemente com falas que pedia respeito a hierarquia e ao resultado da urna “mesmo que não gostemos dele”.

O general Tomás Paiva vai poder mostrar na prática se segue a hierarquia e respeita o resultado da urna, ou seja, a democracia ao ser subordinado a Lula. Mais do que isso: se respeita a Constituição e o que ela realmente diz sobre as Forças Armadas. Spoiler: Forças Armadas não são Poder Moderador da República.

Mourão enterra pretensões golpistas e afineta Bolsonaro

Não achava que o Hamilton Mourão tivesse coragem de dá um ponta pé no Jair Bolsonaro. Deu um basta na fantasia golpista em nome das Forças Armadas e de quebra mandou uma indireta bem direta ao ex-parceiro.

Mourão enterrou pretensões golpistas de irresponsáveis, nas palavras do próprio Mourão. E aqui não importa se Mourão fez para limpar o nome das Forças Armadas e tentando se cacifar para ser o novo líder da direita.

O presidente em exercício, o vice fez o que o presidente deveria ter feito logo após confirmada a derrota eleitoral. E não ficando em silêncio alimentando pretensões golpistas.

Assista à íntegra do pronunciamento

Carta aos golpistas

Não vai ter golpe

As Forças Armadas têm suas responsabilidades e sabem seu lugar e papel na Constituição. Não cairão no golpismo de gente que tenta desestabilizar a democracia morando em outro país, como você Paulo Figueiredo e outros covardes como Rodrigo Constantino e Leandro Ruschel.

Não vai ter golpe porque os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica sabem como foi difícil recuperar o prestígio arranhado das Forças Armadas depois da última aventura golpista que desaguou em uma ditadura de 20 anos.

Ditadura que fechou o Congresso, cassou parlamentares, censurou a imprensa, fez muita gente ter que sair do país por não concordar com o regime imposto e prendeu, torturou e matou quem discordava de quem estava no poder.

Os comandantes das Forças Armadas sabem que as pessoas que estão nas portas dos quartéis pedindo a quebra da ordem constitucional e democrática são vítimas de enganadores e aproveitadores. São pessoas lobotomizadas por picaretas da pior espécie.

A democracia vai vencer e triunfará. Nossas Forças Armadas sabem o seu lugar e o que lutar pelo país.