Alckmin entra no jogo

Alckmin passou a mensagem de querer ser o candidato de centro contra os extremos

Geraldo Alckmin resolveu deixar de “jogar parado” e tentar elevar seus índices bem modestos nas pesquisas eleitorais. O presidenciável do PSDB divulgou um vídeo nas suas redes sociais sobre a paralisação dos caminhoneiros.

Alckmin disse que a paralisação foi justa, que, no início, recebeu apoio da população cansada de pagar impostos e ter serviços de péssima qualidade, puxou a orelha do governo Temer pela demora em entender a gravidade da situação e, o ponto mais importante eleitoralmente, chamou de oportunistas candidatos, presos e soltos – nas palavras dele -, que partiram para o caminho do caos “sequestrando” a população em nome de suas agendas políticas e eleitorais.

Foi uma indireta bem direta para o PT e Jair Bolsonaro. A esquerda tentou catalisar a revolta dos caminhoneiros para as pautas petistas “Fora, Temer” e “Lula livre”. Enquanto Bolsonaro, uma hora defendia a greve, mas dizia que era contra bloqueios de rodovias ao ponto de ter que gravar um vídeo pedindo que os caminhoneiros fossem para casa por já ter mandado o recado aos políticos. E também teve a extrema-direita aproveitando para catalisar a paralisação para derrubar o governo por meio de um golpe militar chegando ao ponto de notícias de que intervencionistas estariam impedindo os caminhoneiros de desmobilizar a greve.

O ponto é que o vídeo de Alckmin passou a mensagem de querer ser o candidato de centro contra os extremos. Mas a questão é se o eleitor de centro sedento por uma candidatura viável percebeu e aprovou a postura do tucano. Mais importante: se está disposto a deixar a rejeição que tem tanto de Alckmin e do partido dele de lado apostando no tucano como o candidato que pode derrotar os extremos.

Postulante a presidente da República não pode ter medo de ‘fofoqueiras’

Estão com interpretação errada dessa fala de Geraldo Alckmin. O governador quis dizer que o presidente Michel Temer não foi eleito presidente, e é verdade. Temer foi eleito vice-presidente, que assumiu a presidência constitucionalmente.

Já ficou muito claro que Alckmin não quer ser o candidato do governo. E, sinceramente, não está de todo errado pensando eleitoralmente. Não vai ser vida fácil o candidato governista defender o legado de um presidente reprovado por quase 90% do eleitorado que não votaria em candidato indicado por ele e 70% de reprovação ao governo.

Já criticaram até a fala de Geraldo Alckmin ao defender que o Banco do Brasil precisa continuar sendo público, mesmo defendendo a privatização completa da Petrobras. Entregar o sistema bancário do país nas mãos dos bancos privados não é recomendável. Mas é coisa de “liberteen”.

Não gosto de postulante a presidente que fica com medo do que as fofoqueiras de plantão falam. Um candidato a presidente tem que ter opinião e sustenta-la quando for pressionado pela imprensa e eleitores. Mudar quando sentir que está errado e reconhecer o erro são atitudes louváveis. Ter personalidade, porém, é imperativo e é que Alckmin tenta corrigir essa coisa não ser incisivo tão característico nos tucanos.

Doria vice de Alckmin é uma ideia tão errada que é a cara do PSDB

Uma candidatura tucana puro sangue paulista não agregaria votos nem em São Paulo

Uma nota no Painel da Folha afirma que João Doria cogita ser vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. O prefeito acredita que a dobradinha tucana-paulista pode catapultar o PSDB em 2018. É mais fácil o Doria ser candidato por outro partido do que ser o vice do Alckmin. É notícia plantada por um grupo político para sentir a recepção ou barrigada da Folha. Sem falar que seria um baita tiro no pé da candidatura do PSDB dois nomes de São Paulo na chapa presidencial.

O vice de Alckmin, ou de outro tucano, tem que ser do Nordeste ou Minas Gerais, de preferência de Minas, o maior colégio eleitoral e que o PSDB foi derrotado nas últimas disputas para presidente, governador e prefeito de Belo Horizonte.

Uma candidatura tucana puro sangue paulista não agregaria votos nem em São Paulo, onde os tucanos já dominam. Pior ainda no restante do país. PSDB está no caminho certo para perder mais uma disputa presidencial. Fingindo ser oposição ao Michel Temer tendo quatro ministros e com o “peso Aécio” amarrado no barco, o partido caminha para o ostracismo até antes do PT.

O PSDB não soube aproveitar a “onda azul” na qual deu 50 milhões de votos ao partido no segundo turno de 2014.

Erros de Doria

A política é a arte do diálogo, sempre, mas é preciso manter um pouco de coerência ou você é engolido pela concorrência

Geraldo Alckmin diz que quer ser o presidente do povo brasileiro; João Doria responde de Paris: É o povo que vai escolher o candidato do partido. Apoiadores do governador paulista dizem que esta declaração foi o ponta pé inicial do afastamento entre Doria e Alckmin. A cada dia que passa o prefeito se descola do seu mentor político.

O sucesso do início da gestão fez com que Doria fosse o melhor do PSDB pensando na disputa de 2018 muito pelas denúncias que pesam contra Aécio Neves e José Serra. Doria deve aceitar ser o candidato a governador e usará a falta de opção do partido para disputa e o risco de o PSDB perder São Paulo. Agora, ele vai ter que conseguir uma desculpa muito boa para os paulistanos e explicar sua renúncia de prefeito com de 1 ano de 3 meses de gestão ou vai ter problema com isso na eleição, principalmente na capital.

João Doria está cometendo uma série de erros que podem atrapalhar sua escalada rumo ao Planalto ou mesmo para o Palácio Bandeirantes. Em especial, 2 erros podem atrapalhar: A percha de “traidor” de quem o deu suporte para enfrentar resistências dentro do partido em 2016 e alianças que jogam no lixo o discurso de renovação da política que usou na eleição para prefeitura de São Paulo e muito provavelmente deve usar em uma nova campanha. São erros interligados.

O próprio Doria mesmo garantiu durante a campanha que ficaria os 4 anos e reiterou várias vezes em entrevistas. Agora caminha para repetir o que cansou de fazer José Serra, que abandonou vários mandatos no meio para concorrer ao governo estadual de São Paulo ou a presidente. A política é a arte do diálogo, sempre, mas é preciso manter um pouco de coerência ou você é engolido pela concorrência e seus próprios erros.

A jogada de João Doria

Em uma entrevista reveladora para Vera Magalhães, o prefeito João Doria deixou claro que ele não disputa “em nenhuma hipótese” prévias dentro do PSDB contra o governador Geraldo Alckmin, para aferir quem seria o candidato presidencial.

Doria não fechou a porta definitiva para uma candidatura sua. “Amanhã a gente pode avaliar circunstâncias”, disse completando na sequência “(…) Mas nenhuma delas, nenhuma, zero, vai fazer eu disputar prévias com Geraldo Alckmin”.

Fica claro que Doria espera ser ungido candidato pelo tucanato como único capaz de vencer a disputa de 2018 e não ficar com pecha de “Judas do Alckmin”. É uma jogada arriscada que depende das pesquisas continuarem mostrando seu nome como melhor colocado entre os tucanos e se investigações não alvejarão Alckmin como alvejaram Aécio e Serra.