Revelações bombásticas e chocantes

Com a operação da Polícia Federal desta terça-feira, fica claro que os golpistas que tentaram saquear a democracia brasileira após as eleições de 2022 não estevam blefando. Articularam até um plano para matar os então presidente e vice-presidente eleitos Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin.

A PF prendeu 4 militates chamados de “kids pretos” e um policial federal. Discutirem como matar Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. Levantaram possibilidades de execução que incluíam o envenenamento.

É gravíssimo. E essas articulações chegaram a ser discutidas na casa de Walter Braga Netto, militar e ex-ministro da Casa Civil, Defesa no governo de Jair Bolsonaro, além de candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro.

É imprescindível que as investigações sejam concluídas, a Procuradoria-geral da República faça as denúncias e que se puna de modo exemplar todos que insurgiram contra o resultado das urnas e pior tentaram um novo golpe de estado no Brasil.

Posse de Lula

Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin foram empossados para os cargos de presidente e vice-presidente da República.

Lula e Alckmin leram o termo de posse no Congresso Nacional e na sequência o presidente empossado leu seu discurso.

Depois de empossado no Congresso Nacional, o presidente Lula foi ao Palácio do Planalto para receber a faixa presidencial e a recebeu de pessoas representando segmentos da sociedade.

Depois Lula discursou novamente, agora para apoiadores no parlatório do palácio.

Fracasso previsível de Alckmin e o futuro do PSDB

Qual o futuro do Partido da Social Democracia?

O derretimento da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) é um dos assuntos na eleição de 2018. Na verdade o derretimento nem é a palavra certa já que Alckmin nunca teve um gás que impulsionasse sua candidatura para mais de 10% nas pesquisas. Vários fatores, mas é possível resumir em alguns pontos determinantes.

ERROS DO PSDB

O partido trocou a razão pela irracionalidade logo após perder a quarta disputa presidencial para o PT há quatro anos. Foi dolorido como perdeu, só que deveria ter esfriado a cabeça e agido com racionalidade e não ter embarcado na onda de radicais contestando o resultado eleitoral sem fatos concretos. Não reconhecer o resultado pedindo recontagem de votos, entrar com pedido para que Aécio Neves fosse diplomado no lugar da vencedora Dilma Rousseff, entrar com pedido de impugnação da chapa no TSE apenas para “encher o saco“, só embarcando no impeachment na última hora e no governo de Michel Temer para pular fora justo na hora que deveria apoiar o governo e as reformas tão importantes para o país, principalmente a previdenciária, falta de timing impressionante.

Mas, como sempre, o PSDB ficou no velho muro tucano e não sabia se ficava no governo ou passava para oposição depois do escândalo JBS. Sem falar no problema chamado Aécio e as gravações constrangedoras com Joesley Batista. Enquanto isso, Jair Bolsonaro ocupava o espaço que o tucanato ocupou na polarização com o PT, além de ampliar essa polarização para todo o sistema pós-redemocratização.

ERROS DO ALCKMIN E ENFADO DO PSDB EM SÃO PAULO

Geraldo Alckmin errou demais na estratégia de montagem de sua candidatura desde quando ainda era governador. A começar por ter ficado contra o impeachment – nos bastidores – ao ponto de chamar o presidente Temer de “ilegítimo”, ajudando a narrativa petista que o impeachment foi um “golpe”. Errou ao ter falhado e deixado João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) se lançarem candidatos na sua sucessão ao Palácio Bandeirantes. A ilusão de palanque duplo em São Paulo está cobrando seu preço e Alckmin está com míseros 12% no estado que governou por quatro mandatos, o último terminado só alguns meses atrás por renúncia obrigatória para disputar a presidência, perdendo para Bolsonaro e até Haddad, que foi escorraçado da prefeitura da capital e carrega a forte rejeição ao petismo entre os paulistas.

Além desses erros políticos, há contra Alckmin fortes denúncias de corrupção contra suas últimas campanhas, seu governo e contra membros graúdos do seu partido, o excesso de carisma de um chuchu; 24 anos de governos tucanos no estado chegando ao enfado, fissuras internas no PSDB, apostar quase todas as fichas no tempo de TV e rádio levando para chapa o peso de partidos repletos de denunciados e réus que, em muitos estados, estão em campanha para os rivais do tucano se ancorando na popularidade do Jair ou de Lula.

Juntando todos esses fatores se conclui que a candidatura de Geraldo Alckmin não decolar é o normal. É uma candidatura que estava fadada ao fracasso. A grande dúvida é o que acontecerá com o Partido da Social Democracia Brasileira não passando nem para o segundo turno presidencial. Vai ressurgir mais forte e diferente ou vai continuar minguando até não existir mais.

Nem cinco minutos guardados

Virou tarefa difícil acessar aqueles cinco minutos guardados

Maria Carolina Gontijo

Eu comecei esse texto mais ou menos umas 5 vezes. Provavelmente o mesmo número de guinadas na campanha do Geraldo Alckmin em 2018. A proposta original seria escrever sobre os programas de TV dos candidatos. Mas quem disse que eu, como boa mineira, recuso um velho e bom clássico, disputa, rivalidade? Jamais. E foi assim que eu me peguei presa ao PT x PSDB mais sem graça que esse país já viu.

Tempo na TV. Todo mundo quer tempo na TV. Quando a pessoa topa se submeter a um confinamento por 3 meses sendo monitorada 24hs por dia o que ela quer? Tempo na TV. Pois bem, feliz 2002 pra vocês também.

O PSDB parece desconhecer algo que os heróis do Big Brother já perceberam tempos atrás: não importa mais o tempo de TV, importa criar uma identidade, um discurso, e capitalizar isso através de pessoas dispostas a seguir você. Aquele aparelho que durante décadas reinou soberano na sala não é mais a única plataforma para conseguir ser ouvido. Pior: sequer é a plataforma preferida de quem quer ouvir. Por mais estranho que possa parecer, o brasileiro parece estar deixando de ter tempo para a TV.

Eu sempre fui uma fã do horário eleitoral gratuito na TV (eu tenho gostos peculiares, você não iria entender). Assistia atenta, gostava dos roteiros, das músicas (um abraço do Paulino!), lembro de adorar a campanha do Azeredo para Governador (“pode por um ‘x’ no lugar certo” – e me desculpar por isso). Pois bem. Após mais de 15 dias de campanha na tv, eu assisti espontaneamente a um total de zero programas. Sim. Zero. Bolinha. Nada. Se eu troquei de canal na hora? Não. Eu simplesmente não tive tempo, não coincidiu o horário, não ornou, não alinhou. Não vi.

Em pouco mais de 5min de programa, Geraldo Alckmin parece mais um quadro do Programa do Gugu. Tem grávida, tem esposa comprometida com a causa social, tem história comovente de alguém que conseguiu uma vida melhor por obra e graça do Governo de São Paulo. Com voz calma, serena, e uma narradora que fala em uma velocidade que pressupõe déficit cognitivo do telespectador, Geraldo parece completamente descolado da realidade do país que subiu numa montanha russa em 2013 e está lá, até hoje, em looping. Tudo é devagar, tudo é tranquilo, tudo é ex-pli-ca-do. Ok, eu concordo que seria tudo ótimo, não estivesse tudo isso em total descompasso com o momento político. Ao PSDB parece faltar a máxima dos Big Brothers: use a TV para despertar o interesse fora da TV. O programa acaba e você só tem vontade de ser educado: dizer “não, Geraldo”, mas acrescentar o obrigado.

Com pouco mais de 2min e meio de programa, a coligação do PT, que claramente está disputando a presidência em forma de entidade espiritual, optou por não lançar um candidato e sim um emaranhado de lembranças de um tempo-bom-que-não-volta-nunca-mais. O programa é tão interessante quanto surreal, o que acaba ativando aquela curiosidade que nos leva a assistir “Eu não sabia que estava grávida”, no Discovery Home and Health. É tudo tão fora da realidade que a gente se pergunta se realmente existe gente assim. Mas existe. Muita. E com menos da metade do tempo do Alckmin, o PT parece compreender muito melhor a dinâmica da TV ao entregar um saudosismo de ocasião aliado a uma raiva pré-moldada.

Seria apenas mais um Galo x Cruzeiro na história do país que abraça dualidades por natureza, não fosse um pequeno grande detalhe: parte da torcida olha para o campo e não se reconhece mais no time. De repente bate aquele sentimento de “time apático perdendo por 3×0 num mata-mata” e aos 39min do segundo tempo o mais sensato a fazer parece ser fugir do trânsito. Esquecer esse jogo.

Ao contrário do PT, nunca houve uma identificação do brasileiro com o PSDB. Claro, havia aquela simpatia por ideias, por programas, por líderes. Mas por partido? Arrisco dizer que não. Basta ver o que Minas Gerais impôs ao PSDB nas eleições para o Governo do Estado em 2014. Não, o PSDB não elege postes (e aqui nem vou entrar no mérito se isso é bom ou ruim). Mas pelo menos, até 2014, não quebrava as lâmpadas dos que já estavam funcionando.

Se o Lula tem teflon, como disseram tempos atrás, o PSDB é aquela panela de fundo triplo inox: quer convencer que é boa, que é econômica, que mantém a comida aquecida por mais tempo… mas haja água quente pra limpar o que gruda. E tudo gruda. A gente fica com aquela sensação de que se não ficar de olho, vai estragar tudo. E em tempos de fritadeira elétrica, ninguém quer vigiar panela.

O tempo passou e está cada dia mais escasso. Ninguém ouve áudio de 2 minutos. Enquanto os caciques do PSDB vendem a (nossa) alma para conseguir mais minutos de TV, qualquer youtuber sabe que 5 minutos é tempo demais para prender a atenção de alguém. Antes fácil até para um cigarro, virou tarefa difícil acessar aqueles cinco minutos guardados de cada pessoa.

Onde eu quero chegar? Não adianta ter todo o tempo do mundo para propagandear, se o que você tem para vender é um produto que ninguém quer comprar agora. Que não se encaixa. Que soa antigo. Pior: que tem um fabricante com fama duvidosa. Esse tipo de estratégia só faz sentido quando existem fãs incondicionais da marca. Daqueles que dormem na porta de estabelecimentos comerciais e prisionais por mais um lampejo de consumo de produtos e ideias. Não é nem de longe o caso do PSDB.

Maria Carolina Gontijo é mineira e advogada tributarista

Análise: Geraldo Alckmin no Jornal Nacional

William Bonner e Renata Vasconcellos seguiram com a linha de levantar pontos polêmicos

GA

MICHEL COSTA

Na terceira entrevista com os candidatos à presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais, o Jornal Nacional recebeu nesta quarta-feira a visita de Geraldo Alckmin do PSDB. Repetindo o formato utilizado com Ciro Gomes e Jair Bolsonaro, William Bonner e Renata Vasconcellos seguiram com a linha de levantar pontos polêmicos da trajetória dos entrevistados, sem conceder grande espaço para exposição de propostas.

No primeiro dos 27 minutos de sabatina, o governador de São Paulo respondeu sobre a aliança do PSDB com o chamado Centrão, partidos que, juntos, somam 41 indiciados pela Operação Lava Jato e que seriam conhecidos pela política do “toma lá, dá cá”. Repetindo o discurso de outras ocasiões, Alckmin citou o número excessivo de partidos e a necessidade de uma reforma política, mas enfatizou que todos os partidos possuem bons quadros.

Ainda sobre alianças, Alckmin negou que o PTC de Fernando Collor esteja em sua coligação, mesmo que apoiado pelo PSDB em Alagoas. Neste ponto, o sorriso irônico dos jornalistas à parte, cabe informar que coligações que parecem esdrúxulas em estados e municípios são mais comuns do que se pensa e não deveriam ser vistas pela ótica nacional. Apesar disso, o tucano insistiu na necessidade de se construir alianças para conseguir aprovar as reformas que julga ser necessárias.

Quando o tema passou a ser corrupção, Bonner e Vasconcelos citaram o senador Aécio Neves e o ex-senador Eduardo Azeredo como exemplos de que a maneira como o PSDB lida com a corrupção no próprio partido é diferente do posicionamento em relação a seus adversários. Questionaram também por que Alckmin, enquanto presidente do PSDB, não buscou a expulsão de ambos. Encurralado, restou ao candidato dizer que Aécio está se defendendo na justiça, enquanto Azeredo, que está preso, se afastou da política há anos.

A corrupção continuou em pauta no momento em que a dupla de apresentadores mencionou as três delações premiadas e as testemunhas que confirmaram ter havido desvio de recursos nas obras do Rodoanel, inclusive com a participação de seu cunhado. Visivelmente desconfortável, Alckmin negou que houvesse qualquer irregularidade nas obras e que os gastos foram aprovados pelo Tribunal de Contas de São Paulo. Negou ainda que Laurence Casagrande Lourenço, seu ex-secretário, e que se encontra preso, tenha cometido qualquer irregularidade, apesar do Ministério Público Federal apontar desvios de 600 milhões de reais.

Sobre segurança pública, os jornalistas apontaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) como responsável pelo controle de parte do crime organizado que atua no Brasil e que seus líderes continuam a dar ordens de dentro dos presídios paulistas. Em defesa de seu governo, Alckmin disse que o estado foi pioneiro na construção de presídios de segurança máxima e negou que houvesse ação criminosa de dentro dos presídios, algo que contradiz ação recente do próprio governo de São Paulo.

Quanto ao déficit habitacional do estado governado pelo PSDB há 24 anos, Alckmin declarou que São Paulo é o único estado que investe 1% do ICMS em habitação, entregando 120 mil unidades à população. Em seguida, culpou a crise enfrentada pelo País como a maior responsável pelos problemas de moradia.

Questionado sobre saúde pública e a ação das Organizações Sociais (OSs) que teriam recebido 38 bilhões de reais de dinheiro público sem cumprirem as metas e que, segundo o TCE, o estado falha na fiscalização do uso desse investimento, o governador afirmou que há monitoramento e acompanhamento e que suas contas foram aprovadas pelo mesmo tribunal por unanimidade. No entanto, as contas do estado foram alvo de ação da Polícia Federal que gerou o apontamento de 23 irregularidades em contratos da saúde.

Na mensagem de despedida, Alckmin retomou o mantra do “emprego e renda” que vem sendo a marca de sua campanha, bem como a criação de oportunidades de trabalho para os brasileiros. Em linhas gerais, tratou-se de mais uma sabatina nos moldes anteriores, retirando munição de quem esperava perguntas e reações mais amenas sobre a suposta preferência global pelo candidato tucano.

Michel Costa, 42, mineiro, casado e formado em administração