População apoia ação na “Cracolândia”, diz Datafolha

O problema é complexo, mas é melhor pecar agindo que se omitir e não fazer nada

Pequisa Datafolha comprovou o que eu já sabia: a maioria absoluta da população – e quem tem bom senso e não se deixa ser pautado ideologicamente – é a favor de uma cidade limpa, organizada e segura.

O instituto fez pesquisa sobre a ação da prefeitura de São Paulo e do governo estadual na região batizada de “Cracolândia”. Para surpresa dos que criticaram a ação policial, a população aprovou como foi feita (59%). Para 88% dos entrevistados, a internação compulsória é válida. Esse número sobe para 95% com a família do viciado concordando.

A população também aprova fechamento e interdição de bares e demolição de imóveis usados como pensões e hotéis na região – entre 55 e 56%. Para 53%, houve violência durante a ação. Mas a maioria entende que não tem saída. E acha que são os traficantes os maiores responsáveis pelo consumo de crack em São Paulo.

Certeza que vão chamar os paulistanos de “higienistas”. Essa gente não entende que a maioria quer segurança e uma cidade organizada, como foi colocado no início do texto. O problema é complexo, mas é melhor pecar agindo que se omitir e não fazer nada achando que uma região da cidade bloqueada para consumo aberto de crack já se tornou normal.

Vitória consagradora de João Doria e Alckmin em São Paulo

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João Doria foi eleito novo prefeito de São Paulo e no primeiro turno. O candidato bancado pelo governador Geraldo Alckmin e que rachou o PSDB paulista teve 3.085.187 de votos, seus rivais ficaram bem atrás. Uma vitória consagradora não só por ter sido no primeiro turno, mas por vencer na Zona Leste, reduto historicamente petista.

A vitória de João Doria é uma vitória de Alckmin para disputa presidencial de 2018 dentro do PSDB, contra o Ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o Senador Aécio Neves. Aécio tentou minimizar a importância de Alckmin na vitória de Doria, mas ele sabe que, mesmo fazendo João Leite prefeito de Belo Horizonte – disputa o segundo turno contra Alexandre Kalil -, o Governador paulista se cacifou. O Senador mineiro ainda aposta no poder que tem nos diretórios estaduais.

Já o futuro prefeito da maior cidade do país, João Doria se cacifou para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes (sede do governo estadual de SP) com essa vitória consagradora, mas já disse que pretende cumprir o mandato de quatro anos pelo qual foi eleito e só. Não pretende disputar nem reeleição, por ser contra a mesma.

Sobre os adversários do tucano, a derrota mais dura não foi a do PT com Haddad, foi pelo simbolismo da queda do petismo nessas eleições em todo Brasil, nem a esperada queda de Celso Russomanno (de novo). O resultado de Marta Suplicy, porém, foi desastroso para a neopeemedebista. Ela esperava que seu histórico a levasse pelo menos ao segundo turno, só que terminou em quarto lugar, o último entre os principais candidatos. E, nem ganhando em duas zonas eleitorais, as únicas que Doria não venceu, Marta volta ao Senado Federal sem força eleitoral dentro do PMDB, sem conseguir apoio do enorme grupo antipetismo que tem em São Paulo e perdeu o apoio dos petistas.

Sempre a gloriosa PM de São Paulo

Essa briga Alckmin x alunos vai custar caro eleitoralmente ao governador e ao PSDB

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O PSDB não se emenda, principalmente o PSDB de São Paulo e sua Polícia Militar. O que aconteceu na terça-feira, 1º, em mais um dia de ocupação de alunos nas escolas e protesto nas ruas contra a reorganização escolar proposta pelo Governo do Estado foi mais do que lamentável, foi vergonhoso. Lembrou os tempos sombrios da repressão dos ditadores militares. Inclusive, com prisões de líderes da UNE (União nacional dos Estudantes) e agressão da PM paulista em alguns estudantes que reagiram e não aceitam a reintegração das escolas. Não sou desses que tratam a polícia como inimiga, exterminadora de pobres e negros, mas as PMs do Brasil dão motivos para críticas.

Não sei se essa reorganização escolar do governo Alckmin é boa ou ruim para a educação de São Paulo. Mas essa crise com os alunos deve arranhar a imagem de grande gestor do governador Geraldo Alckmin. Pior: aumenta o sentimento na população que o PSDB é um partido da elite e sua polícia é truculenta até com alunos. Isso prejudica o partido como um todo e, principalmente, o plano presidencial de Alckmin.

A crise hídrica não foi suficiente para abalar a credibilidade de Alckmin, reeleito no primeiro turno na eleição 2014. Crise da água, a demora nas obras do metrô com direito a escândalo de formação de cartel pelas empreiteiras Alstom e Siemens, o desgaste natural de 20 anos de governos tucanos em São Paulo. Uma hora o copo transborda e a população perde a paciência.

Ninguém entende muito da tolerância dos paulistas com os tucanos. Opositores mais fanáticos chamam São Paulo de Tucanistão. Acho que essa paciência do eleitor paulista com os tucanos é mais por falta de uma alternativa forte e alta rejeição do PT no estado. Enquanto não aparecer um nome viável para disputar o governo de São Paulo, uma opção forte, o povo paulista vai continuar votando no PSDB.

Aécio dobra a aposta no antipetismo

Aécio está numa batalha de estratégias contra o governador Geraldo Alckmin

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Na entrevista que concedeu ao jornal o Estado de São Paulo, Aécio falou de eleição, estelionato eleitoral, sobre o governo e sobre a presidente Dilma; reconheceu erros da sua campanha em Minas Gerais onde governou por oito anos com 92% de aprovação popular e, mesmo assim, perdeu nos dois turnos para Dilma, mas ele acha que o que pesou no resultado final foi não ter tido uma boa votação no nordeste. Aécio também falou do ex-presidente Lula. O tucano se sente magoado com Lula pela agressividade dele durante o segundo turno.

O Senador Aécio Neves (PSDB/MG) está com um discurso de oposição claramente antipetista que beira ao radicalismo, um pouco mais que na campanha presidencial de 2014. Aécio está com um discurso oposto ao de Fernando Henrique Cardoso, que alterna um tom mais crítico e ameno ao governo Dilma.

Quando assumiu o comando do partido, o mineiro (carioca) resgatou Fernando Henrique de volta à cena política até mesmo dentro do partido. O PSDB praticamente escondeu nas suas três campanhas presidenciais anteriores o ex-presidente que deixou o Palácio do Planalto com alta rejeição pela política de arrocho praticado no segundo mandato e ao racionamento de energia elétrica de 2001. Aécio está numa batalha de estratégias contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) por 2018. Enquanto o senador vai para o confronto contra o governo federal apostando no impeachment no Congresso Nacional ou na cassação dos mandatos de Dilma e Temer no TSE, o governador critica o governo de forma mais contida – Aécio é parlamentar e Alckmin chefe do executivo estadual, tem uma diferença também – e aposta no desgaste do PT.

Só o tempo dirá qual estratégia será exitosa dentro do partido e se será exitosa na eleição. A estratégia de Aécio Neves é mais complicada. Mas Aécio tem um patrimônio eleitoral gerado pelos 51 milhões de votos que Alckmin não tem. E ainda tem o senador José Serra (PSDB/SP) a espera de uma chance para disputar a presidência da República pela terceira vez. Especula-se até que Serra pode ir para o PMDB para ser o candidato que o partido procura para a sucessão de Dilma.

O impeachment de Dilma atrapalha os planos de Alckmin

Geraldo Alckmin pensa em 2018 e sua candidatura ao Palácio do Planalto. Com o impeachment fica mais difícil dele viabilizar sua candidatura a presidente.

Não existe essa de fragilizar a democracia. Fragiliza a democracia é não cumprir a lei só para preservar cabeças de governadores e prefeitos irresponsáveis.

Essa fala de Alckmin é porque ele aposta suas fichas de ganhar a candidatura de Aécio Neves dentro do PSDB e suas poucas chances de ganhar a eleição de 2018 no enfraquecimento do PT com o desgaste do governo da presidente Dilma Rousseff.

Na visão de Alckmin, Dilma saindo da presidência o PT passaria para oposição ganhando um discurso e fôlego. Como se Lula já não fizesse oposição ao ajuste fiscal de Dilma e o PT está segurando o mandato dela para não entregar ao PMDB.

A mesma estratégia já foi usada pelos tucanos na eleição de 2006, justamente com Geraldo Alckmin de candidato. O resultado foi um desastre para o PSDB.