
O Trabalhismo começou com Getúlio Vargas, presidente da República de 1930 a 1945, que chegou ao poder pela Revolução de 1930. A República Velha ficou conhecida como República Café com Leite – nome dado porque o presidente ora era paulista (estado produtor de café) ora minero (estado produtor de leite) eleito em eleições muitas vezes fraudulentas. Para a eleição de 1930, a vez era dos mineiros, mas os paulistas apoiaram a candidatura de Júlio Prestes (fluminense que fez política em São Paulo). Descontentes, muitos políticos mineiros apoiaram a candidatura do gaúcho Getúlio Vargas. Com o assassinato do vice de Getúlio, o paraibano João Pessoa, a revolta pelo país foi grande. O atual presidente Washington Luiz não renunciaria ao poder. A crise de 1929 na bolsa americana agravou a situação e os militares depuseram o presidente, instalaram uma junta militar, que, em seguida, entregou o poder para Getúlio Vargas.
Getúlio se comprometeu com os paulistas de convocar uma Constituinte. Como ele não convocava e não estava disposto a cumprir com o combinado, estourou a Revolução Constitucionalista de 1932: Brasil contra São Paulo. Depois de muita batalha e brasileiro matando brasileiro, São Paulo se rendeu sem antes arrancar de Getúlio a promessa descumprida. Em 1934, o Brasil ganhava uma nova Constituição. Mas durou pouco.
Em 1937, Getúlio deu outro Golpe de Estado e instaurou o Estado Novo, fechando o Congresso e acumulando poderes de ditador. Foi no período do Estado Novo que aconteceu a 2ª Guerra Mundial. A alemã com origem judaica Olga Benário teve um relacionamento com o comunista Luís Carlos Prestes e foi deportada para a Alemanha nazista, onde depois de ter um filho de Prestes, foi executada. E teve a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, no lendário Estádio de São Januário, em 1943. Essa lei vigora até hoje com defensores e críticos a ela.
No fim da 2ª Guerra Mundial o governo Vargas completava 15 anos no poder. Em 1946, entrou em vigor a nova Constituição brasileira e no ano anterior o General Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente da República pelo PSD. Mas Getúlio Vargas voltou nos braços do povo na eleição de 1950. Neste segundo governo, a marca de Getúlio foi a criação da Petrobras depois da campanha O Petróleo é Nosso. Por outro lado, o governo Vargas afundava em denúncias de corrupção e tinha uma forte oposição da UDN. Com o atentado ao líder da UDN, Carlos Lacerda, onde morreu o Major-aviador Rubens Florentino Vaz, a pressão para Getúlio renunciar aumentou. Não suportando e não querendo renunciar, Getúlio se suicidou com um tiro no coração. Deixou uma carta testamento onde ficou marcada a frase “saio da vida para entrar na história.”.
O Trabalhismo continuou no governo. João Goulart foi eleito vice-presidente (até 1960 o vice era votado separadamente do presidente) na dobradinha PTB e PSD, com Juscelino Kubitschek de presidente. João Goulart foi reeleito vice-presidente em 1960. Mas o presidente eleito não foi seu parceiro de chapa, o General Lott (PSD).
Em 1960, venceu Jânio Quadros, do nanico PTN, com apoio da UDN. Não durou oito meses. Jânio renunciou denunciando “Forças estranhas” contra seu governo. Com a renúncia de Jânio, Jango assumiria, mas as Forças Armadas não queriam deixar. Então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola criou a Rede da Legalidade em defesa do cumprimento da Constituição, que previa o vice-presidente assumir em caso de vacância do cargo de presidente. Um acordo foi fechado. João Goulart tomaria posse, mas haveria um Primeiro Ministro. Tancredo Neves foi o encarregado para esta função. Jango aceitou, desde que fosse convocado um plebiscito para a população escolher entre o presidencialismo ou parlamentarismo. Em 6 de janeiro de 1963, quase 12 milhões compareceram as urnas: o presidencialismo obteve 9.457.448 (82%), e o parlamentarismo conseguiu 2.073.082 votos (17.9%).
A festa de Jango não demorou muito. Em um período de Guerra Fria ente EUA e URSS – capitalismo x comunismo – e marcado por manifestações pela Família e Liberdade, apoio de parte da sociedade civil, os militares deram o Golpe de Estado de 1964 prometendo eleição direta para 1965. Só entregaram o poder em 1985 e só teve eleição direta para presidente novamente em 1989.
Na lenta e gradual abertura, João Figueiredo, o último presidente militar, em 1980, assinou o fim do bipartidarismo e liberou a organização livre de novos partidos. Leonel Brizola queria refundar o PTB, mas os militares deram a sigla histórica do Trabalhismo para Ivete Vargas levando Brizola às lágrimas e denunciou uma “sórdida manobra governamental” que entregou a sigla “a um pequeno grupo de oportunistas subserviente ao poder”. O PTB se transformou em um partido com ideias conservadoras comandado hoje por Roberto Jefferson. Brizola, então, criou o PDT, a nova casa do Trabalhismo no Brasil. Com a morte de Brizola em 2004, Carlos Lupi tomou o partido para ele. Assim como o histórico PSD de JK agora é de Gilberto Kassab.

A eleição de 1998 foi a primeira com o dispositivo da reeleição. A emenda foi aprovada no ano anterior na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com polêmica na votação no Congresso Nacional.