REAL – O Filme mostra um Brasil não muito distante

Real não teve heróis e vilões, cada personagem tinha sua complexidade mostrando o difícil período da luta contra a hiperinflação

Não sei até que ponto a ficção se misturou com os fatos históricos, mas os produtores do filme Real – O plano por trás da história, que contou os bastidores do Plano Real, usaram Gustavo Franco como “herói” e “vilão” ao mesmo tempo. Pérsio Árida foi o antagonista de Franco e Pedro Malan, o amigo de Franco.

Real – O plano por trás da história é uma disputa do liberalismo (neoliberalismo, para uns) defendido por Emílio Orciollo Netto como Gustavo Franco – que foi muito bem no papel – versus o desenvolvimentismo defendido por Guilherme Weber como Pérsio Árida. A primeira cena do filme eu não sei se aconteceu na vida real, mas é o retrato da divisão política que tomou conta do Brasil, principalmente da internet.

Para um filme quase documentário é preciso ser o mais fiel possível. Os produtores de Real capricharam tanto na tinta que quase comprometeram a verossimilhança da história. Todavia, o resultado foi agradável de assistir. Real não teve heróis e vilões, cada personagem tinha sua complexidade mostrando o difícil período da luta contra a hiperinflação que assolava o Brasil e as crises internacionais que quase derrubaram o Plano.

Para quem gosta de política, economia, os bastidores, teorias conspiratórias Real – O plano por trás da história é uma boa pedida. Talvez pudesse ser mais profundo, com mais detalhes nas histórias, mas aí não seria um filme e sim uma série – o que pode vir a ser um dia.

REAL – O PLANO POR TRÁS DA HISTÓRIA

Data de lançamento: 25 de maio de 2017 (1h 35min)
Direção: Rodrigo Bittencourt
Elenco: Emílio Orciollo Neto, Bemvindo Sequeira, Norival Rizzo
Gêneros: Drama, Histórico
Nacionalidade: Brasil

História: Eleição 1994

Um resumo da eleição presidencial de 1994

O início do Plano Real estava a pleno vapor. Fernando Henrique Cardoso saiu do Ministério da Fazenda para preparar sua candidatura presidencial. O presidente Itamar Franco não tinha um sucessor natural e Fernando Henrique ocupou essa vácuo graças ao sucesso do Plano Real que liderou. Depois da eleição, Fernando e Itamar se desentenderam em relação quem foi o mentor do Plano Real, uma briga de egos.

Curiosidade da eleição de 1994 foi a possibilidade da união entre o PSDB e o PT. As negociações estavam avançadas para Luiz Inácio Lula da Silva como presidente e Tasso Jereissati como seu vice. Tasso era presidente do PSDB na época. Arthur Virgílio Neto, senador em 2007 e prefeito de Manaus-AM (desde 2013), disse há 8 anos que a ideia não foi pra frente porque o PT ficou contra o Plano Real. O PT achava o plano eleitoreiro e não era sustentável para os trabalhadores. Segundo Arthur Virgílio, foi um “erro brutal” do PT negar apoio ao Plano Real.

“Se Lula tivesse topado o Plano Real, teria sido eleito, mas perdeu não só o vice como a eleição. Ele cometeu um erro brutal que foi negar o plano econômico, perdeu o vice do PSDB e a eleição”, Arthur Virgílio Neto.

Outros acontecimentos naquela eleição.

Leonel Brizola era governador do Rio de Janeiro pela segunda vez e pré-candidato a presidente, tinha rivalidade com a Rede Globo. Após disputa judicial, Brizola fez a Globo levar ao ar no Jornal Nacional uma carta sua como direito de resposta. O episódio é lembrado até hoje e celebrado pela esquerda brasileira.

Já o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, foi no programa Roda Viva, da TV Cultura (SP). Quércia brigou e por pouco não saiu na porrada com o jornalista Rui Xavier, que trabalhava no Jornal O Estado de São Paulo.

Na eleição, o excêntrico Enéas Carneiro com segundos na TV conseguiu mais de 7% dos votos terminando a disputa em terceiro lugar.

Fernando Henrique venceu no primeiro turno e o PSDB chegava ao poder com apenas 6 anos de fundação. Restou ao Lula amargar a sua segunda derrota e o arrependimento (se teve) de ter ficado contra o Plano Real.

Relembre a eleição presidencial de 1994

Plano Real ameaçado

plano real

No final do comentário (vídeo abaixo) está a principal razão do porque a saída da presidente Dilma antes de 2018 é inevitável. Ou ela sai antes ou o próximo presidente vai pegar um país em ruínas na parte econômica e social, muito próximo ao período do governo do presidente José Sarney (1985-1990).

O atual governo e a própria presidente não tem mais a credibilidade e a confiança dos agentes econômicos, dos empresários (tirando os banqueiros) nem da população. É preciso um governo de transição como foi o governo do presidente Itamar Franco (1992-1995).

Sim, o país voltou muitas casas atrás nesse jogo, o Plano Real está se esfacelando, as conquistas dos governos e da sociedade dos últimos 20 anos estão afundando. É preciso um choque de ordem como no meio da década de 1990 até os programas de transferência de renda. No lugar de avançarmos, aconteceu um retrocesso. É preciso fazer algo e rápido ou tudo que foi construído desde o Plano Real vai desaparecer.