REAL – O Filme mostra um Brasil não muito distante

Real não teve heróis e vilões, cada personagem tinha sua complexidade mostrando o difícil período da luta contra a hiperinflação

Não sei até que ponto a ficção se misturou com os fatos históricos, mas os produtores do filme Real – O plano por trás da história, que contou os bastidores do Plano Real, usaram Gustavo Franco como “herói” e “vilão” ao mesmo tempo. Pérsio Árida foi o antagonista de Franco e Pedro Malan, o amigo de Franco.

Real – O plano por trás da história é uma disputa do liberalismo (neoliberalismo, para uns) defendido por Emílio Orciollo Netto como Gustavo Franco – que foi muito bem no papel – versus o desenvolvimentismo defendido por Guilherme Weber como Pérsio Árida. A primeira cena do filme eu não sei se aconteceu na vida real, mas é o retrato da divisão política que tomou conta do Brasil, principalmente da internet.

Para um filme quase documentário é preciso ser o mais fiel possível. Os produtores de Real capricharam tanto na tinta que quase comprometeram a verossimilhança da história. Todavia, o resultado foi agradável de assistir. Real não teve heróis e vilões, cada personagem tinha sua complexidade mostrando o difícil período da luta contra a hiperinflação que assolava o Brasil e as crises internacionais que quase derrubaram o Plano.

Para quem gosta de política, economia, os bastidores, teorias conspiratórias Real – O plano por trás da história é uma boa pedida. Talvez pudesse ser mais profundo, com mais detalhes nas histórias, mas aí não seria um filme e sim uma série – o que pode vir a ser um dia.

REAL – O PLANO POR TRÁS DA HISTÓRIA

Data de lançamento: 25 de maio de 2017 (1h 35min)
Direção: Rodrigo Bittencourt
Elenco: Emílio Orciollo Neto, Bemvindo Sequeira, Norival Rizzo
Gêneros: Drama, Histórico
Nacionalidade: Brasil

Plano Real ameaçado

plano real

No final do comentário (vídeo abaixo) está a principal razão do porque a saída da presidente Dilma antes de 2018 é inevitável. Ou ela sai antes ou o próximo presidente vai pegar um país em ruínas na parte econômica e social, muito próximo ao período do governo do presidente José Sarney (1985-1990).

O atual governo e a própria presidente não tem mais a credibilidade e a confiança dos agentes econômicos, dos empresários (tirando os banqueiros) nem da população. É preciso um governo de transição como foi o governo do presidente Itamar Franco (1992-1995).

Sim, o país voltou muitas casas atrás nesse jogo, o Plano Real está se esfacelando, as conquistas dos governos e da sociedade dos últimos 20 anos estão afundando. É preciso um choque de ordem como no meio da década de 1990 até os programas de transferência de renda. No lugar de avançarmos, aconteceu um retrocesso. É preciso fazer algo e rápido ou tudo que foi construído desde o Plano Real vai desaparecer.