Vitória do Brasil

Wagner Moura ganhou o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama por “O Agente Secreto”. Segundo ano seguido que o Brasil vence o prêmio. Em 2025, foi com Fernanda Torres como melhor atriz por “Ainda Estou Aqui”.

“O Agente Secreto” ainda venceu como filme de língua não-inglesa, o que não deu para “Ainda Estou Aqui” no ano passado (venceu e trouxe o primeiro Oscar para o Brasil).

É um momento mágico para o cinema brasileiro. Triste que tem brasileiros não contentes com essas conquistas por birra política. É muito bom comemorar vitórias do Brasil, ainda mais nas artes cênicas dentro de Hollywood (não só lá) sem importar questões políticas envolvendo atores e diretores.

O crescimento do cinema brasileiro é bom para nossa autoestima como nação, economicamente (gera riqueza e empregos), culturalmente e politicamente. Filmes como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” mostram nosso passado para quem não viveu nele (para quem viveu também) e não deixar ser esquecido fatos históricos – alguns para não voltar a acontecer.

Que venham mais filmes e mais prêmios para o Brasil. A porta foi aberta.

AINDA ESTOU AQUI traz o primeiro Oscar para o Brasil

O Oscar de melhor filme estrangeiro para “Ainda estou aqui” é simbólico por demais. Além de ser a primeira estatueta para o Brasil na maior premiação do audiovisual mundial, o filme premiado tinha que ser sobre a história real de uma mulher como Eunice Paiva, que lutou para provar que seu marido foi morto pelo Estado, uma família destroçada pela ditadura militar.

A história baseada no livro de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice e Rubens Paiva, deputado cassado pelos militares que foi preso e desaparecido.

Além de ser um filme bem produzido por Walter Salles, essa vitória é importante para nos lembrar do horror que foram os anos do regime autoritário.

Foi clima de copa do mundo em meio ao carnaval. Os brasileiros comemoraram essa conquista para o país. Por um momento as divergências foram colocadas de lado e a nação unida feliz. Claro que tiverem os negacionistas da ditadura. Os (falsos) patriotas que não ficaram felizes com a vitória do filme por ideologia.

Esse prêmio valoriza nossa cultura e arte, abre as portas do mundo para as nossas produções (tinha que ser um filme protagonizado pelas Fernandas Torres e Montenegro, filha e mãe) e possibilita não deixar o passado ser esquecido para não se repetir.

Vingadores e protecionismo

Protecionismo econômico protege meia dúzia de “amigos do rei” da concorrência internacional e até nacional, tornando a economia fechada e obsoleta

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Vingadores – Ultimato entrou em cartaz na semana passada e anda batendo recorde atrás de recorde nas bilheteiras do cinema mundial. Não é para menos. O filme é o ápice dos 11 anos da Marvel Studios e dos filmes de super heróis em geral. Vou além e coloco entre os melhores de todos os gêneros. Vingadores 4 tem ingredientes para todo o gosto.

Como este blog não é sobre cultura ou cultura pop, a análise e teorias do filme deixo para o canal no Youtube Ei Nerd do Peter Jordan, que sabe tudo do mundo nerd.

O tema é sobre protecionismo e a polêmica sobre o filme americano ocupando quase que a totalidade das salas dos cinemas brasileiros. Teve até liderança de movimento que se diz “liberal por inteiro” endossando cineastra nacional reclamando a falta de leis para proteger o cinema nacional e a “diversidade”. Para Kleber Mendonça Filho e Elena Landau a liberdade de escolha quais filmes ocuparão mais salas por demanda e faturamento cria desequilíbrio.

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Elena também criticou as mudanças que o governo Bolsonaro fez na lei de incentivo à cultura. A liberal pero no mucho tem o discurso elitista que a nova lei favorece a cultura popular de “baixo valor”. Com a nova Lei Rouanet, que deixa de ter esse nome, volta o sentido original e positivo: fomentar a cultura nacional e o acesso a ela.

Protecionismo é uma política de proteção de Estado para a indústria ou comércio nacional. A ideia é proteger os produtos nacionais dos exportados. O grande problema é que o protecionismo é prejudicial na qualidade e no preço do serviço ou produto protegido por barreiras impostas por governos. Porque quem põe um produto no mercado protegido por regras rígidas que afastam a concorrência estrangeira coloca o preço lá em cima pouco se preocupando com a qualidade.

Há quem alegue que sem um mínimo de protecionismo a indústria nacional quebra. Empresas nacionais quebram. Mas é o consumidor que tem que decidir se coloca o seu dinheiro no produto X ou no Y, independente da nacionalidade. O consumidor toma a decisão com base em três fatores: qualidade, preço e gosto. Todos juntos ou por algum desses fatores. Se o governo coloca barreiras em produtos estrangeiros ele está limitando o poder de escolha do consumidor. A concorrência estrangeira pode até fazer bem aos produtos nacionais. Mais disputa, mais qualidade e menor preço.

Nacionalismo e protecionismo não significam necessariamente patriotismo. A tentação para pedir um protecionismo é grande. Claro que as empresas de fora precisam seguir as leis do país que está entrando, mas colocar barreiras e limitações além das leis já em vigor atrapalha o cidadão que quer consumir algum produto ou serviço de fora. Além disso, protecionismo econômico protege meia dúzia de “amigos do rei” da concorrência internacional e até nacional, tornando a economia fechada e obsoleta.

Mangueira reescrevendo a história

A história está escrita como aconteceu e o que Leandro Vieira deseja é apenas reescrevê-la ao sabor de suas crenças. É peculiar de gente que tem uma visão de mundo como o carnavalesco da Mangueira

Muitos dirão que desfiles das escolas de samba são na essência contestadores do status quo, que a beleza é essa vertente revolucionária, libertária e o carnaval das escolas de samba é muito mais que uma festa popular para diversão. É um discurso lindo e emocionante, mas o que a Estação Primeira de Mangueira vai fazer na noite/madrugada de segunda para terça-feira não passa de revisionismo para desconstruir a história que não agrada o carnavalesco Leandro Vieira.

Leandro Vieira quer colocar nas mentes das pessoas que nossa história foi feita para “ninar” o povo que cresce adormecido e transformou o Brasil em uma partida de futebol na qual “preferimos torcer para quem ganhou”. Que os heróis nacionais foram forjados pela elite econômica, política, militar e educacional. Que tais valores produziram o complexo de “vira-latas” que “fomenta nossa crença de inferioridade” e, a partir do desfile de 2019 da Mangueira, será plantada a semente que vai gerar uma nova sociedade com novos “verdadeiros” heróis. O desfile da escola de samba será usado para fazer a revolução cultural. Veja o tamanho da pretensão. Ou seria ousadia?

Escolas de samba bancadas por jogo do bicho e outras organizações não muito lícitas – inclusive o presidente afastado da escola preso por participar de desvios públicos na Assembleia Legislativa do Rio. Que choram quando o prefeito corta um pedaço da verba pública, que financia um evento que deveria se sustentar com patrocínio privado, para recolocar em áreas essenciais para a população de maioria carente.

Leandro Vieira pretende reescrever a história do Brasil, desde o descobrimento que, para o carnavalesco, não foi “descobrimento” e sim uma “conquista” do “invasor”. Leandro vai contestar a independência proclamada por Dom Pedro, que não passou de uma armação dos portugueses para Portugal não perder o território para os verdadeiros donos, nós brasileiros, a República foi um golpe (isso não é bem uma novidade “escondida”) de um monarquista e a “Redentora” que assinou a Lei Área abolindo a escravidão no Brasil, a Princesa Isabel, não é a heroína que os livros contam. E por aí vai.

Na verdade, o que vai ser apresentado na Avenida de Sapucaí é um enredo de um militante progressista de esquerda tentando apagar alguns “heróis convencionais” e substituir por personagens históricos das ditas “minorias”. A história está escrita como aconteceu e o que Leandro Vieira deseja é apenas reescrevê-la ao sabor de suas crenças. É peculiar de gente que tem uma visão de mundo como o carnavalesco da Mangueira e com certeza será aclamado pelo establishment da mídia progressista.

Carnaval e Poder Público

É justo o dinheiro dos impostos de todos financiar um evento que privado?

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O youtuber do canal Mamãefalei e deputado estadual eleito por São Paulo, Arthur Moledo do Val, fez um vídeo interessante sobre se o carnaval é moral e se deve receber dinheiro público com o pretexto de incentivo à cultura popular. Arthur deixa claro que o “moral” não tem nada com sexo e você pode gostar e sambar até o dia amanhecer. O problema está na relação muitas vezes espúrias entre o poder público – federal, estadual e municipal – e as escolas de samba.

A imoralidade que o Arthur levanta não está no tapa sexo ou no sexo livre durante todo  o carnaval, mas nas relações dos donos das escolas de samba com o jogo do bicho, drogas e até com o crime organizado. Ele levantou a ficha corrida dos principais presidentes das escolas de samba do Rio de Janeiro e assusta. Falou também de São Paulo, para não ficar parecendo um paulista falando mal do “patrimônio carioca”.

Há 2 anos o prefeito Marcelo Crivella (PRB) comprou briga diminuindo o repasse que a prefeitura faz anualmente para as escolas de samba do Rio. Insatisfeitos, levaram para avenida até um boneco do Crivella em forma de Judas. A verba pública para o carnaval não é patrocínio, é subvenção – ou seja subsídio.

Será que o “maior espetáculo da terra” não pode se sustentar sem a verba pública tirada de áreas sociais já tão deficitárias? É justo o dinheiro dos impostos de todos financiar um evento que privado? É um tema para debate, sem paixões.