
Muito se fala do legado que o PT vai deixar depois de doze mais os próximos quatro anos no poder. Ao final do governo Dilma Rousseff, serão dezesseis anos de governos petistas, um recorde em períodos democráticos.
O PT passou a ser odiado por muitas pessoas, inclusive ex-petistas. E, apesar de todas as denúncias de corrupção envolvendo a alta cúpula do partido com a prisão de dois ex-presidentes da sigla, José Dirceu e José Genoino, mensalão e agora o petrolão, o PT se mantém com uma militância orgânica ativa que por vezes lembra uma religião.
A verdade é que nesses doze anos de PT houve avanços, principalmente no social. E despolitização. Centrais sindicais passaram a ser sucursal da presidência, a União Nacional dos Estudantes só se mobiliza quando seus interesses são contrariados, movimentos socais fazem mais carinho no governo do que críticas mais fortes.
O ex-presidente Lula soube amarrar centrais, UNE e movimentos sociais mesmo fazendo afagos a empresários e em banqueiros. Dilma Rousseff não é de muita conversa como Lula, mas no aperto foi se abrigar na esquerda e na militância petista na última eleição. Ganhou a eleição mais disputada da história e seu segundo governo realiza um forte ajuste fiscal que tanto acusou seus adversários na campanha. Os adversários acusam o ajuste fiscal de tapa buraco que o próprio governo Dilma cavou e faz o ajuste via aumento de imposto sacrificando o trabalhador.
É preciso um estudo mais profundo do porquê o PT vence as eleições presidenciais depois de tantas denúncias e contradições. Se é porque a oposição é fraca, incompetente e não aproveita os pontos fracos do petismo como deveria ou se os ganhos sociais, sobretudo da população mais pobre, são suficientes para uma gratidão eterna ao Partido dos Trabalhadores. Depois de anos de tanto descaso do poder público para os “excluídos”, é compreensível.
Mas os “excluídos”, que viraram a nova classe média, estão mais exigentes. Não querem mais só o pão, querem saúde digna, boa educação, segurança pública eficiente, transporte de qualidade e lazer. Enfim, querem cidadania. Querem gozar dos direitos que um cidadão têm direito. O PT tem que provar se pode mais do que fazer assistência social.
Creio que chegou a hora da esquerda democrática formar um novo partido. O atual PT está viciado. Mesmo se conseguir deixar esse vício o partido morre porque não consegue mais viver sem o vício. A alternativa não é o PSOL, dividido em alas. Porém, no PSOL e o que sobrou da Rede estão elementos para reorganizar a esquerda democrática.
É isso ou o retrocesso. E o retrocesso é o PT.
Não acho que será o fim do PT essa divisão interna entre o grupo de Lula contra o grupo da presidente Dilma, de Aloizio Mercadante e de Rui Falcão, como disse o agora senador 

