
A Dilma venceu a eleição por 51,64% dos votos no segundo turno – 54,5 milhões de votos – e algumas semanas depois anunciou sua equipe econômica do segundo governo. Para surpresa de muitos, depois de consultar até o presidente do Bradesco Luiz Trabuco, e receber um “não” dele, por sugestão do próprio Trabuco, Dilma indicou Joaquim Levy, um “Chicago boy” e apelidado de “mãos de tesoura”, para o Ministério da Fazenda; Nelson Barbosa para o Ministério do Planejamento e manteve Alexandre Tombini no BC.
Ainda em 2014, o governo comunicou mudanças no seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença. Já em 2015, a nova equipe econômica realiza cortes no orçamento e nos ministérios para fazer um superávit primário de 1,1% do PIB, em torno de 70 bilhões de reais.
Foi estelionato eleitoral praticado pela campanha de Dilma, comandada pelo marqueteiro João Santana? A pergunta segue no ar. Se for levar em conta as peças publicitárias da campanha, a resposta é sim.
Toda vez que Marina Silva falava uma ideia que poderia aplicar no governo se fosse eleita, o marketing da campanha do PT usava um antídoto para neutralizar sua fala. Também teve a peça sobre o BC independente, que ficaria nas mãos dos “banqueiros malvados” tirando o prato de comida dos mais pobres, o famoso “nem que a vaca tussa”, de Dilma, se referindo a uma fala de Marina sobre atualizar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho – 1940) – Dilma prometia que não mexeria em direitos dos trabalhadores “nem que a vaca tussa” – e sobre o pré-sal.
Muitos atribuem à vitória de Dilma a união de correntes de esquerda no segundo turno com a força da militância do PT. Um dos exemplos é o Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) declarando “voto crítico” em Dilma. Oficialmente o PSOL e sua candidata Luciana Genro, que teve no primeiro turno 1,6 milhão de votos, declararam voto branco e nulo, ou na Dilma.

Não acho que apenas o PSOL tenha força para assegurar uma vitória presidencial. Mas colaborou muito para a reeleição da presidente Dilma. Por isso, a esquerda tem sim direito de questionar as medidas inicias do segundo governo Dilma. Esquerdistas esperavam um governo mais à esquerda. Desenvolvimentistas esperavam do segundo mandato a continuação das políticas econômicas do governo Dilma I. A realidade mostrou, por enquanto, um governo mais à direita. O governo Dilma II está mais para um governo Social Democrata de centro-direita.
A política anticíclica adotada pelo governo Lula (2008 a 2010) foi exitosa. Em 2010, a economia do país cresceu 7,5%, crescimento padrão China. O Brasil foi um dos últimos a entrar em recessão por causa da crise de 2008 e um dos primeiros a voltar a crescer. Mas essa política era para ter sido parada em 2011. Dilma Rousseff não fez o ajuste fiscal quando assumiu o governo e continuou com a política econômica desenvolvimentista do segundo governo Lula (2007 a 2011). O resultado foi o PIB do país estagnado, inflação resistente acima do centro da meta e a economia brasileira degringolando.
A expansão do gasto público corrente, do crédito farto dos bancos públicos, do BNDES, os programas desenvolvimentistas como o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – levaram a inflação para longe do centro da meta estabelecida pelo Banco Central, de 4,5%. E o BC também teve culpa ao baixar na marra os juros da Taxa Selic. Não adianta culpar a crise internacional quando se observa países vizinhos crescendo e os EUA voltando a crescer.
Guido Mantega, o ex-ministro da Fazenda, perdeu total credibilidade no mercado financeiro com suas sucessivas previsões muito otimistas em relação a economia que não aconteciam. Foi demitido por Dilma em plena campanha eleitoral – oficialmente ele pediu para sair ao fim do governo – para ser lançado o slogan de campanha “Governo novo, ideias novas”.
O que sempre se sobressai sobre a mentira é a verdade. Pode demorar pouco ou muito tempo, mas a verdade sempre aparece.