
Quase 1 no depois do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes, a polícia do Rio apresenta na versão dela e do Ministério do Público quem executou o bárbaro assassinato. Com uma narrativa quebrada, a esquerda não perdeu tempo e reforçou outra: Quem são os mandantes e o motivo do crime. É justo cobrar que as investigações não parem só nos executores e se descubra se há mandante. O problema é como fazem essa cobrança se aproveitando politicamente e insinuando nas entrelinhas ou escancaradamente ligando o presidente Jair Bolsonaro e sua família ao crime.
Transformar qualquer tipo de ligação, de uma foto a um dos presos morar no mesmo condomínio do presidente e um filho ter namorado a filha de outro, em evidências que a família Bolsonaro esteja envolvida no assassinato da vereadora e seu motorista é leviano. Sendo que o presidente nem conhecia Marielle Franco. É exploração política de um cadáver com ajuda da mídia, sua memória não merece ser usada como arma política. O crime foi bárbaro e uma afronta à democracia. Isso ninguém discute ou pelo menos quem não está contaminado por essa polarização extremada. Também não pode ser negado que fizeram da morte da Marielle um palanque político que vai da política ao carnaval.
Marielle Franco era de corrente político-ideológica oposta à minha. Estudando ela e sua personalidade, porém, observei que ela não era uma radical extremista. Marielle era uma mulher de fibra que lutava pelo que acreditava, não tinha medo de cara feia. Mas se mostrava aberta ao diálogo e ao debate. Posso estar completamente enganado, pois só passei a conhecer sua pessoa depois do crime que a vitimou.
Se a esquerda usa a morte de Marielle para palanque político, a direita peca por tentar minimizar e nivelar seu assassinato aos montes que acontecem no Brasil ou lembrando de outros crimes políticos como o assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel e o atentado contra o então candidato Jair Bolsonaro. Os três são crimes gravíssimos que minam a democracia, cada um tem sua peculiaridade. O pessoal do lado mais da direita cai facilmente nas provocações da esquerda quando o assunto é Marielle. A esquerda, que está tentando se recompor após reveses seguidos, agradece.