
Relutei muito a escrever sobre Marielle Franco. No ambiente tóxico que virou a internet uma palavra mal interpretada e os exércitos se levantam contra você, seja qual sua opinião. E o caso da vereadora do PSOL não fugiu da regra dessa guerra virtual insana.
O assassinato brutal da vereadora e do seu motorista ativou o que tem de pior em algumas pessoas.
Solidariedade e protestos se misturaram com verdadeiros comícios sob os caixões de Marielle e Anderson Gomes.
O caso mais emblemático é o da Deputada Érica Kokai (PT/DF), que chegou a acusar o “golpe de 2016” de “azeitar a bala” que matou a vereadora em plena tribuna da Câmara dos Deputados. E a própria Dilma Rousseff ecoou tal despautério atingindo o fundo do poço da decência e da humanidade.
Mas não só a esquerda que foi ao lamaçal. A dita direita de internet espalhando notícias falsas sobre Marielle se iguala quem grita pedindo o fim da Polícia Militar, que quem matou a vereadora foi a PM, a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, o golpe, a condenação de Lula. Quem espalha notícia falsa está jogando contra si e sua “causa”. A notícia falsa volta para quem a espalha.
A imprensa aumentar o tamanho da repercussão faz parte por ser uma vereadora e pelo fato de Marielle ser mulher, negra, lésbica, vem de uma favela e se intitulava defensora dos direitos humanos. De fato, o assassinato de uma vereadora com essas características e quase 50 mil votos carrega uma carga de sentimentos e simbolismo grande. Mas omitem que a maioria desses votos que a tornaram a 5ª vereadora eleita mais votada do Rio de Janeiro é de áreas nobres e ricas da cidade.
Torço para que a polícia e as autoridades desvendem o quanto antes for possível quem cometeu esse crime para derrubar o palanque político-ideológico e suposições na base em achismo. Para quem responde com boatos e calúnias, meus pêsames pela sua indigência ética, intelectual, moral e humana.