
De todos os vazamentos das mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil e compartilhadas por outros órgãos de imprensa, a mais nova relevação é a que tem o maior nível de gravidade. Nelas, Deltan Dallagnol incentiva procuradores de Curitiba e Brasília a vasculhar possíveis indícios de crimes do ministro e, hoje, atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Antonio Dias Toffoli.
As mensagens publicadas pela Folha de São Paulo também mostram quem vazava delações premiadas para a imprensa. Os próprios procuradores são fontes da imprensa nos vazamentos que, agora, eles criticam. No mesmo conteúdo, Deltan trabalhou para barrar o ministro do STJ Humberto Martins para o STF, obtendo sucesso. O presidente Michel Temer indicou o seu ministro da Justiça e Segurança Pública Alexandre de Moraes, na vaga de Teori Zavascki.
Que Deltan agia politicamente tanto em publico quanto no bastidor, já era de conhecimento geral. Agora também é de conhecimento que incentivava investigação secreta contra ministros do STF, o que viola a Constituição e o ordenamento jurídico do país. Membros do STF só podem passar por investigação com autorização do próprio tribunal e a competência investigativa é exclusiva do Ministério Público Federal via Procurador-geral da República.
Se não respeitam nem as prerrogativas do cargo de ministro da alta corte, imagina as prerrogativas dos cidadãos comuns. Deltan Dallagnol cometeu um crime contra a instituição STF. Não é possível que vai ficar impune e não será punido nem dentro do Ministério Público. Aqui não é sair em defesa de Toffoli ou de outro ministro, mas da intuição guardiã da Constituição, da própria, das leis, do Estado Democrático de Direito. Em nome do combate aos crimes de corrupção foram cometidas violações gravíssimas. Para blindar a Lava Jato cometeram crime de segurança nacional investigando autoridades constituídas fora do arcabouço legal. É o Estado policial e fascistoide em estado puro.