
Se pudesse resumir Jair Bolsonaro, a entrevista que o presidente concedeu para a jornalista Leda Nagle é a síntese perfeita. O Bolsonaro da entrevista para Leda é o verdadeiro, sem filtro. O estilo da entrevista deixou o presidente a vontade. Não deve ter ganho político institucional ou de popularidade global. Agora, para chegar ao objetivo de Bolsonaro, era o que o presidente precisava.
Jair Bolsonaro é como Lula: fala a língua do brasileiro médio. A diferença é que o lulismo é o populismo mais voltado para o andar debaixo e o bolsonarismo é o um populismo mais voltado para a teoria da prosperidade neopentecostal.
O populismo lulista é mais voltado para a luta de classes marxista e sindicalista, de bem estar-social em especial do proletariado. Já o populismo bolsonarista é voltado a um corporativismo e defesa da liberdade do indivíduo, exceto ao aborto, drogas e homossexualidade.
Apesar de não ser evangélico, Bolsonaro costuma ir a cultos em diferentes igrejas aos domingos com a primeira-dama Michelle, que é evangélica. Por estratégia ou não, o presidente observa no segmento evangélico um porto seguro eleitoral considerável, como o nordeste é para o lulismo.
O presidente mira para o eleitor evangélico, de direita, com pautas de costumes. Para o eleitor mais ao centro, de direita ou esquerda, o presidente não está nem aí. Bolsonaro se comunica para a sua base que pauta o debate político-ideológico e essa base pauta o cidadão comum que não liga para o noticiário político do dia a dia. Ficou mais claro na entrevista para a Leda Nagle.