A luta contra corruptos foi transformada em uma cruzada contra a classe política em prol de um projeto de poder

O Brasil vive um período dos mais conturbados, talvez o mais desde quando a Família Real portuguesa veio para essa terra fugindo do Napoleão. O país que vivia certa tranquilidade institucional após a Constituição de 1988 e a reabertura política, de um povo anestesiado convivendo com seus problemas e mazelas tranquilamente, passou a ter crises políticas e até institucionais sucessivas abalando pilares que pareciam sólidos – e, apesar de tudo, se mostram sólidos – ameaçando a democracia e o Estado Democrático de Direito.
Depois das jornadas de junho 2013 teve uma eleição que provocou uma cizânia profunda na sociedade que culminou em um processo de impeachment controverso, um ex-presidente condenado e preso por corrupção que vem a ser a maior liderança popular dos últimos 40 anos, uma nova eleição que desafiou a lógica da ciência política com direito a um atentado contra o líder nas pesquisas e este seria eleito o novo presidente na sequência.
A internet transformou o brasileiro outrora um desleixado por assuntos políticos em comentarista de política na pior acepção da palavra e a Lava Jato foi o combustível para essa mudança. Sem dúvidas que a operação fez um grande trabalho desvendando as entranhas podres da relação entre o público e o privado fazendo o brasileiro acordar para o que de fato é relevante e impacta na sua vida: corrupção e descaso dos políticos-governantes.
Mas autoridades foram transformadas em heróis nacionais, salvadores da pátria, não satisfazendo mais ficar na casinha. Muitos viram nas redes sociais a oportunidade de liderar a boiada. A luta contra corruptos foi transformada em uma cruzada contra a classe política em prol de um projeto de poder e tudo relacionado à política virou corrupção.
Deltan Dallagnol é o líder da ala jacobina do MPF. É uma instituição corporativista que não dorme em serviço na luta de seus interesses e privilégios. Essa ala do MPF combina duas das ideologias mais perversas que a humanidade teve o desprazer de conhecer: jacobinos da Revolução Francesa e o stalinismo da Revolução Russa. Só trocaram a guilhotina e os Gulags por algo mais moderno.
Um exemplo do stalinismo é o que estão fazendo com Raquel Dodge. Deltan deseja a cadeira de Dodge, o que passa na sua desmoralização pública; sem saída ela recorreu em busca de refúgio nos tribunais superiores e na classe política fustigada pela “República de Curitiba”. Os “Garotos” já demonstraram que não têm pudor de atacar críticos independentemente se jornalista, articulista ou colegas de toga. Incentivar a depredação moral – até física – das nossas instituições é um dos meios para chegar ao objetivo materializado na fundação que querem criar.
Não existe lado bem e mal na guerra entre instituições. É só jogo de interesses e quem compra o que um lado diz está sendo um fantoche. O apoio orgânico da população para Lava Jato passou a ser torcida organizada e está virando uma seita. Toda seita fanática é perigosa. No entanto, esse apoio vem caindo. Saldo dessa disputa tende a ser catastrófico para as nossas instituições, a nossa democracia, enfim nosso Brasil.