Meia-entrada e a luta de classe disfarçada de meritocracia

Discurso exageradamente meritocrático do Partido NOVO afasta a possibilidade do partido penetrar em camadas mais populares

João Amoêdo foi ao Twitter comentar o tema de redação do ENEM 2019 – democratização do acesso ao cinema no Brasil. Amoêdo gosta de comparar o Brasil com Noruega, Alemanha, Chile. Só esquece de um detalhe: o tamanho continental do Brasil e seu contraste regional.

Já sobre o tema do ENEM, Amoêdo usou o argumento que a meia-entrada prejudica os pobres. É a tática de disfarçar o inevitável. A preocupação não é com os pobres. A Faria Lima quer distância de pobre e favelado. Seria mais digno quem é contra a meia-entrada reconhecer que sua preocupação é com o impacto no lucro dos donos de cinema, teatro, estádio, ginásio, etc.

Tenho a consciência que o subsídio para jovens, idosos, cadeirantes e outros encarece o preço de um ingresso para o restante da população. Eu não brigo com a lógica de mercado e a matemática. Só que onerar um pouco o ingresso faz parte de uma política pública que leva cultura para quem não tem condição de pagar um preço cheio para ir a uma praça cultural, esportiva, etc. Leva lazer para quem não tem. O “todos pagam pela meia-entrada” é egoísta e elitista. Ou a velha luta de classe.

Amoêdo terminou em 5º na eleição presidencial de 2018, conseguiu uma votação impressionante para uma pessoa que nunca foi candidato a nada, tinha oito segundos no horário eleitoral e não fez uso do fundo eleitoral, ficando a frente de dinossauros da política como Alvaro Dias, Marina Silva, Henrique Meireles e próximo da votação de Geraldo Alckmin. Mas o discurso exageradamente meritocrático do Partido NOVO afasta a possibilidade do partido penetrar em camadas mais populares e não ajuda a tirar a pecha de “partido dos banqueiros”.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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