Em rápidas pinceladas tentarei responder ao Celso Rocha de Barros. Na sua coluna de hoje Celso diz que não há mais dúvida que o presidente Jair Bolsonaro é golpista e usou seu filho Eduardo para plantar a semente do golpe ao levantar a hipótese de um novo AI-5 caso a esquerda radicalize. As ameaças contra a imprensa pressionando empresários a não anunciar em quem denuncia erros e escândalos do governo e da família do presidente, dizendo que não renovará a concessão da TV Globo, cancelando assinatura da Folha de S.Paulo para servidores federais, o vídeo das hienas.
Celso diz no texto que Eduardo foi à Hungria e voltou dizendo que aprendeu a lidar com a mídia. O estrangulamento financeiro da mídia se acelera, o mesmo expediente usado por Viktor Orbán.
Celso também faz um alerta importante que o discurso da necessidade de um novo AI-5 não deu certo dessa vez. Mas quantos não aderiram ao golpe teriam aderido se toda a imprensa fosse Silvio Santos ou Edir Macedo (incluiria Marcelo de Carvalho, sócio da RedeTV!, cada vez mais garoto de recado da presidência)?
No último tópico Celso aborda as saídas para essa encruzilhada que o Brasil entrou. Pergunta se a democracia brasileira vai sobreviver a mais 2019s. E pergunta se quem elegeu Bolsonaro tem um plano para a eventualidade dele ser mesmo o que sempre disse que era. Sinceramente, não sei se a democracia sobrevive a mais três anos do mesmo ritmo de 2019 e não vejo uma saída fácil.
A saída mais possível constitucionalmente e politicamente é o “Plano Mourão”, mas é muito traumatizante um processo de impeachment e depende dos políticos comprarem a ideia. Passamos por um há três anos. Há no TSE ações contra chapa vencedora questionando o uso irregular de disparo de mensagens pelo Whatsapp bancado por empresários configurando “caixa dois”. Só que os ministros só cassam prefeito e vereador do interior ou governador de estados sem peso político-econômico. O processo se arrasta e não deve ter conclusão em 2020.
Reconheço que votei no Jair Bolsonaro para ter alternância de poder e não “premiar” o PT depois dos sucessivos erros morais, éticos e econômicos. Esperava que as instituições barrassem qualquer aventura golpista e o ímpeto autoritário que era visível. Apesar da contenção do Parlamento e STF, até aqui, as instituições pouco a pouco estão sendo desmoralizadas ou cooptadas.
Todos os sinais são inequívocos. Há uma ação em curso para desmoralização do Congresso, STF, imprensa e entidades da sociedade civil, para sobrar apenas a presidência da República como única instituição confiável. Qualquer um que pise um pouco fora do pensamento “bolsolavista” é achincalhado pela máquina de moer reputação na internet (até Nando Moura e o Caio Coppolla, dois formadores de opinião de primeira hora do bolsonarismo).
E, respondendo ao Celso, não irei tergiversar sobre os riscos à democracia para preservar reformas importantes ou alguma melhora do quadro econômico.