Pandemia afeta imagem do presidente Bolsonaro, mas seu núcleo duro é resistente

Apesar do derretimento presidencial, crises sucessivas, a opção pelo impeachment não é uma saída crível

Mesmo a pandemia da Covid-19 trincando a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pesquisa Datafolha via telefone mostra sua base sólida e inquebrável. Aprovação ao presidente na crise sanitária com desdobramento econômico e social é praticamente a mesma das pesquisas realizadas de modo convencional (presencial).

No entanto, ao comparar com as avaliações do ministro da saúde, Henrique Mandetta, e dos governadores, a aprovação dos mesmos e do ministro do próprio presidente na crise é maior.

A pesquisa também mostra rejeição na parte populacional mais rica e instruída, que formaram a base da vitória de Bolsonaro em 2018. E a reprovação de 68% ao ato de sair para cumprimentar manifestantes na manifestação contra as instituições do dia 15, mesmo aguardando o teste para saber se estava infectado (negativo em dois testes podendo fazer um terceiro depois que 23 da comitiva que foi aos EUA testaram positivo).

O presidente perdeu 15% dos votos que obteve no segundo turno; se extraímos esses votos temos 8,6 mi a menos, justamente os votos que ele somou aos que teve no primeiro turno. Fernando Haddad teve 47,0 mi, ou seja, só precisaria que 2 ou 3 mi desses que se dizem arrependidos migrassem para a virada que não conseguiu na eleição.

A volta dos “panelaços” quase espontaneamente já era um sinal que uma parcela significativa da população não gostou do tom do presidente macaqueando Donald Trump. Mesmo o governo tomando medidas para conter o avanço do vírus e enviando ao Congresso pedido para decretar calamidade pública (aprovado), o presidente continua adotando a postura de desdém do problema, de atacar governadores que tomam ações mais draconianas no combate a Covid-19 que inevitavelmente afetam a economia – mas necessárias.

Apesar do derretimento presidencial, crises sucessivas, a opção pelo impeachment não é uma saída crível – apenas a fração mais radical da oposição está levantando a bandeira do impedimento. Além de um longo caminho processual e ser traumático, tudo que Bolsonaro deseja é a abertura de um processo de impeachment sem as condições para ser aprovado, como houve contra Trump. O bolsonarismo se alimenta dos medos na população e de confrontos contra alvos que amplifica ou fabrica.

Rodrigo Maia já confidenciou a aliados que vai engavetar os pedidos de impeachment que chegarem à sua mesa. Maia sabe que abrir um processo de impeachment faria o jogo que Bolsonaro sabe jogar e gostaria. Mas instituições e sociedade civil precisam ficar em alerta para arreganhos golpistas – tipo cogitar estado de sítio usando a pandemia como desculpa.

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Autor: Brasil Decide

Política e democracia

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