Liberais também precisam fazer a sua autocrítica, não só a esquerda

Já são cinco anos da mesma política macroeconômica, com desempenho econômico abaixo das expectativas

Está na hora dos liberais também fazer uma autocrítica. É hipocrisia cobrar uma autocrítica da esquerda pelos erros econômicos e morais dos governos petistas – a partir da segunda metade do governo Lula e o primeiro governo Dilma – fingindo ou achando que não tem responsabilidade pelo que se passa no país.

No primeiro ano do segundo governo da presidente Dilma, ela tentou corrigir os graves erros econômicos do primeiro mandato e pagou com a queda de sua popularidade na sua base eleitoral. Também perdeu apoio da base no Congresso Nacional pela falta de tato político culminando no impeachment. O vice-presidente Michel Temer assumiu e deu a Henrique Meirelles a missão de intensificar o ajuste fiscal interrompido com a saída de Joaquim Levy.

Governando com o Parlamento, Temer aprovou a emenda constitucional que limita o gasto público a inflação do ano anterior entre outras reformas infraconstitucionais, como a trabalhista, e medidas administrativas. Essa política de austeridade resultou no estancamento da sangria da economia brasileira que viu o PIB desabar quase 10% no biênio 2015-2016. A inflação, que em 2015 bateu em dois dígitos, voltou para o centro da meta do Banco Central.

Mas tal política econômica não está sendo suficiente para ir além, ou seja, fazer a economia retornar o crescimento gerando emprego e renda para população. O crescimento dos dois anos do governo Temer ficou em 1,3% e o PIB do primeiro ano do governo Bolsonaro, em 1,1%. A massa de desempregado continua caindo, mas em ritmo muito lento do desejado e os empregos criados são precários. Já são cinco anos da mesma política macroeconômica, com desempenho econômico abaixo das expectativas.

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Bolsonaro e Guedes aprofundaram a política ortodoxa de Temer e Meirelles. Paulo Guedes acha que reformas que tornam o Estado minúsculo – não é Estado mínimo, Guedes defende um Estado quase anencéfalo – e desonerando a folha das empresas a economia vai voar. A Dilma fez desonerações indiscriminadamente e os empresários colocaram no bolso esse dinheiro que iria para o governo em impostos.

O atual governo tem como premissa que a economia tem que ser conduzida pelo setor privado. Fizeram até uma nonsense divisão do PIB em privado e público tentando diminuir o impacto negativo. Mas sem o Estado prover condições, não adianta. Precisa de massa de consumo robusta para fazer a economia voltar a girar e, para isso, só o poder público pode fazer com políticas de estímulos. O anêmico crescimento de 2019 só foi possível porque o governo “copiou” o governo anterior liberando saques do FGTS.

O Estado não pode atrapalhar o setor privado, eu concordo com essa premissa. Mas ambos precisam caminhar paralelamente. De um lado, o setor privado tendo um ambiente de negócios sem grandes entraves e o Estado fazendo investimentos tendo como meta principal combater a desigualdade que no Brasil é obscena.

Adam Smith já dizia que o Estado tem que estar onde a iniciativa privada não vai, e a iniciativa privada só vai onde enxerga o lucro.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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