A economia pós-pandemia

Uma medida necessária para encararmos a recuperação econômica passa por simplificar a geração de emprego e renda

Maria Amália Tortato

Algumas semanas se passaram desde que as urnas foram abertas no dia 15/11, e o resultado das eleições foi anunciado: fui uma das eleitas vereadoras da Capital Paranaense! Ainda me assusto quando vejo a lista de eleitos e meu nome aparece!

O trabalho está apenas começando! Vamos enfrentar tempos difíceis nos próximos anos: a pandemia que estamos vivendo, além das vidas ceifadas, fez um estrago bem grande na economia das nossas cidades! E esse foi um assunto que tratei seguidas vezes durante a campanha: como recuperar a economia no Brasil pós-pandemia?

Algumas medidas precisarão ser tomadas, sabemos que boa parte da população perdeu seus empregos, e acabou ficando sem plano de saúde, por exemplo, o que fará com que mais pessoas dependam do sistema público de saúde!

O mesmo aconteceu com as escolas, ou seja, muitos pais acabaram tirando seus filhos de escolas particulares, e passarão a contar com o sistema de ensino oferecido pelo poder público! A conclusão óbvia que chegamos é que precisaremos de mais recursos para suprir a demanda inflada pelos serviços públicos.

Por outro lado, com a queda das atividades econômicas, a arrecadação de estados, municípios e do governo federal também diminui, portanto enfrentaremos um grave problema fiscal!

Mas e aí, como fechar essa conta? Como recuperar os milhares de empregos perdidos? Uma medida necessária para encararmos essa recuperação passa por simplificar a geração de emprego e renda! Pois assim a economia volta a girar e aos poucos tudo vai retornando ao seu lugar.

Você sabia que aqui em Curitiba, se você quiser fazer uma pequena reunião (mesmo em épocas sem pandemia), e quiser chamar um foodtruck para parar em frente a sua casa e atender seus amigos, isso não será possível? Isso porque a regulamentação dos foodtrucks (e de negócios com conceito móvel) aqui em Curitiba é tão restritiva, que eles ficam praticamente resumidos a atender dentro dos chamados foodparks, ou dentro de espaços privados.

Burocracias e regulamentações excessivas como essa são mais comuns do que podemos imaginar! Infelizmente! Durante os últimos meses ouvi diversos relatos absurdos de pessoas que estão tentando abrir seus pequenos negócios e acabam esbarrando em alguma burocracia desnecessária! O empreendedor fica batendo cabeça e praticamente implorando para que o governo deixe ele trabalhar! É como se o governo quebrasse sua perna para te vender uma muleta!

Segundo o SEBRAE, mais da metade dos empregos do Brasil são gerados por micro e pequenas empresas, que representam 99% dos negócios do país! Facilitar a abertura desses negócios é aumentar a geração de empregos, que será tão necessária nos meses pós-pandemia!

Portanto se quisermos recuperar parte da economia e dos empregos perdidos, precisaremos tomar uma decisão importante: vamos ficar apegados a burocracias absurdas e desnecessárias, ou vamos deixar trabalhar quem está disposto a isso?

Se depender de mim, ficaremos com a segunda opção!

Maria Amália Tortato é Eng. Mecânica, comissária de voo e mãe da Giovanna. Eleita vereadora por Curitiba pelo partido NOVO

Polarização do vírus

Pedir ponderação em uma sociedade cada vez mais polarizada e raivosa é utopia

O Brasil ultrapassou a marca de 100 mil mortes por Covid-19 provocada pelo Sars-cov 2 – novo vírus da família coronavírus. É uma marca simbólica negativamente e devastadora. Chegamos a ela por muitos erros construídos a muitas mãos no enfrentamento da pandemia, incluso governantes e cidadãos.

Lamento profundamente as mais de 100 mil mortes para essa doença e lamento que elas sejam usadas como arma política para desgastar o governo e, principalmente, o presidente.

Sim, Jair Bolsonaro errou muito ao tratar como “gripezinha”, deixando tudo para governadores e prefeitos. Aproveitou a decisão do STF para reforçar que a responsabilidade é deles se eximindo de culpa pelas mortes e pela crise econômica como consequência de medidas para conter o vírus. A decisão do STF não eximiu o governo federal de sua responsabilidade concorrente com estados e municípios na saúde pública. Impediu que o presidente impedisse que governadores e prefeitos tomassem medidas para evitar que esse número de mortes fosse maior e o sistema de saúde entrasse em colapso total.

Mas algumas autoridades locais erraram na mão também. Delegando poder demais para a ciência, os profetas do apocalipse que “previram” mais de um milhão de mortes caso as pessoas não se trancassem em casa e os governos não fechassem a economia, como se o país fosse um só e não diferentes regiões com suas particularidades. Já outros se aproveitam para se cacifar politicamente de olho nas próximas eleições tentando ser o contraponto ao presidente. E teve outros ainda mais repugnantes que viram na situação de emergência a oportunidade para roubar.

Não é entrar na dicotomia saúde versus economia. Um líder não pode transferir o seu poder ganho legitimamente no voto para médicos, epidemiologistas, infectologistas ou economistas. É preciso equilibrar e faltou equilíbrio tanto na esfera federal quanto nos entes federados. Entre “gripezinha” e “genocídio” existe um meio cinzento. Mas pedir ponderação em uma sociedade cada vez mais polarizada e raivosa é utopia.

O Brasil sobreviverá a Bolsonaro?

O presidente Jair Bolsonaro fez o terceiro pronunciamento em rede nacional de TV e rádio no mês de março. A expectativa era que anunciasse as medidas que o governo vem soltando para minimizar o estrago na economia brasileira das ações para combater a pandemia que assola o mundo. Mas o real objetivo era criar novo atrito institucional e foi assim na maioria dos 5 minutos de pronunciamento.

O presidente reforçou o embate com governadores (especialmente os do RJ e SP, Wilson Witzel e João Doria), culpou a imprensa pelo que julga ser histeria de uma gripezinha, espalhou desinformação iludindo incautos que uma suposta cura para o vírus da Covid-19 estaria perto e o tom de deboche incompatível com o momento e o cargo mais alto da República.

Com o pronunciamento desta terça, não resta mais dúvida que o atual presidente vive pela sua reeleição desde o primeiro dia de governo e não ponderará nada para alcançar seus objetivos. O texto e o tom do pronunciamento mostrou a face perversa do mandatário da nação, comemorando a provável baixa letalidade ao fim da pandemia, tirando sarro de uma doença que já matou milhares pelo mundo e quase 50 brasileiros, que ninguém sabe uma data para terminar e levou o cancelamento da Olimpíada de Tóquio, adiada para 2021 (fato que aconteceu apenas três vezes e todas por guerras mundiais).

Jair Bolsonaro é uma pessoa inculta, um presidente que não governa para todos e já comprovadamente despreparado, sem empatia com o próximo. Como colocado no texto anterior, o impeachment não é crível. Mas o país sobreviverá mais dois anos e nove meses?

Pandemia afeta imagem do presidente Bolsonaro, mas seu núcleo duro é resistente

Apesar do derretimento presidencial, crises sucessivas, a opção pelo impeachment não é uma saída crível

Mesmo a pandemia da Covid-19 trincando a imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pesquisa Datafolha via telefone mostra sua base sólida e inquebrável. Aprovação ao presidente na crise sanitária com desdobramento econômico e social é praticamente a mesma das pesquisas realizadas de modo convencional (presencial).

No entanto, ao comparar com as avaliações do ministro da saúde, Henrique Mandetta, e dos governadores, a aprovação dos mesmos e do ministro do próprio presidente na crise é maior.

A pesquisa também mostra rejeição na parte populacional mais rica e instruída, que formaram a base da vitória de Bolsonaro em 2018. E a reprovação de 68% ao ato de sair para cumprimentar manifestantes na manifestação contra as instituições do dia 15, mesmo aguardando o teste para saber se estava infectado (negativo em dois testes podendo fazer um terceiro depois que 23 da comitiva que foi aos EUA testaram positivo).

O presidente perdeu 15% dos votos que obteve no segundo turno; se extraímos esses votos temos 8,6 mi a menos, justamente os votos que ele somou aos que teve no primeiro turno. Fernando Haddad teve 47,0 mi, ou seja, só precisaria que 2 ou 3 mi desses que se dizem arrependidos migrassem para a virada que não conseguiu na eleição.

A volta dos “panelaços” quase espontaneamente já era um sinal que uma parcela significativa da população não gostou do tom do presidente macaqueando Donald Trump. Mesmo o governo tomando medidas para conter o avanço do vírus e enviando ao Congresso pedido para decretar calamidade pública (aprovado), o presidente continua adotando a postura de desdém do problema, de atacar governadores que tomam ações mais draconianas no combate a Covid-19 que inevitavelmente afetam a economia – mas necessárias.

Apesar do derretimento presidencial, crises sucessivas, a opção pelo impeachment não é uma saída crível – apenas a fração mais radical da oposição está levantando a bandeira do impedimento. Além de um longo caminho processual e ser traumático, tudo que Bolsonaro deseja é a abertura de um processo de impeachment sem as condições para ser aprovado, como houve contra Trump. O bolsonarismo se alimenta dos medos na população e de confrontos contra alvos que amplifica ou fabrica.

Rodrigo Maia já confidenciou a aliados que vai engavetar os pedidos de impeachment que chegarem à sua mesa. Maia sabe que abrir um processo de impeachment faria o jogo que Bolsonaro sabe jogar e gostaria. Mas instituições e sociedade civil precisam ficar em alerta para arreganhos golpistas – tipo cogitar estado de sítio usando a pandemia como desculpa.