1) O que o senador acha da atual política econômica do governo Dilma?
O Brasil continua gastando o patrimônio acumulado pelo Plano Real. Nenhum passo à frente. As reformas prometidas não foram realizadas e a consequência é o desperdício de oportunidades. Durante o período de crescimento expressivo da economia mundial crescemos bem menos do que deveríamos e agora nos últimos dois anos figuramos em último lugar no ranking do crescimento econômico dos países da América Latina. Esse desempenho é a condenação da atual política econômica.
2) Para o senador por que a reforma política não anda no congresso?
Vivemos sob a égide do presidencialismo forte. Com ele, as reformas importantes só podem ocorrer com o interesse e participação do Poder Executivo. A Presidência da Republica, apoiada por maioria desproporcional, elege o comando do Legislativo e impõe sua agenda, definindo prioridades. A reforma política, matriz das demais, só ocorrerá nesse sistema, quando a presidência da República assumir a responsabilidade de liderar o processo.
3) Qual sua opinião sobre os royalties do Pré-sal e essa polêmica do veto da presidente?
A polêmica dos royalties do petróleo é alimentada pelo desejo das unidades federativas de rediscutir o sistema federativo marcado pelo desequilíbrio distributivo crescente. Desde a Constituição de 88, encargos são repassados a Estados e Municípios, sem a contrapartida de recursos para atender as novas demandas. A concentração nos cofres da União é descomunal, e promove a injustiça que revoltam especialmente administradores municipais. Cerca de 56% da receita nacional é oriunda das contribuições sociais, que não se contabiliza na formação do Fundo de Participação dos Estados e Municípios. A perspectiva de transferir recursos dos royalties une lideranças políticas de 24 estados, que aproveitam a oportunidade para a busca de um novo pacto federativo, isso nos leva a prever a derrubada do veto presidencial por larga margem de votos no Congresso.
4) O que achou do final da CPI do Cachoeira?
A morte anunciada. Desde a primeira semana dos trabalhos, anunciei que apresentaríamos relatório paralelo, e votaríamos contra o voto do relator Odair Cunha (PT). Foi o que fizemos. O relatório “chapa branca” aproveitou-se do trabalho já realizado pela Policia Federal e autoridades judiciárias, mas não avançou para alcançar os tentáculos da organização criminosa na esfera pública além das fronteiras do Centro-Oeste. Limitou-se a “chover no molhado”, repetindo a solicitação de indiciamentos já consumados ou em curso no Ministério Público. A CPI abdicou da sua responsabilidade de investigar a empresa Delta e coadjuvantes, agentes públicos e privados partícipes de monumental esquema de corrupção. Aprovar esse relatório oficial seria absolver responsáveis pelo desvio de milhões de reais dos cofres públicos, o rejeitamos e apresentamos à CPI e Procuradoria Geral da República nosso relatório de mais de 900 páginas apontando caminhos para a continuidade das investigações. O que a CPI não fez, esperamos possa ser feito pelo Ministério Público Federal.
5) O senador é contra ou a favor da legalização da maconha?
Sou contra a legalização da maconha. Não evoluímos o suficiente para providência dessa natureza.
6) E sobre o desarmamento?
Creio que a legislação atual atende as necessidades. A violência cresce assustadoramente, não só, mas também, pela ausência da autoridade constituída.
7) O que acha da Lei seca?
Sem dúvida necessária. Espera-se que possa contribuir também para a mudança de comportamento de todos nós condutores de veículos.
8) O que achou da vitória do prefeito eleito de Curitiba Gustavo Fruet?
A lógica prevaleceu. Pela sua historia e postura política conhecida e reconhecida, era o favorito antes das eleições, e as urnas confirmaram a preferência popular.
9) O que está achando do Governo Beto Richa?
Eu poderia responder essa pergunta com ironia: Quando souber da sua posse, me avise, por favor. Quem sabe possa dela participar? Prefiro, no entanto com responsabilidade afirmar que não posso apoiar no Paraná o que condeno em Brasília. O sistema promíscuo de aparelhamento foi transplantado para o Estado, e as consequências não poderiam ser outras: Negociação, cooptação política, limitação do espaço da oposição e resultados pífios.
10) O que está achando do governo Dilma?
Mantém o sistema instituído pelo seu patrono e antecessor. O aparelhamento do Estado com o loteamento dos cargos fez crescer a estrutura da administração, estabelecendo paralelismos e superposição de ações, elevando os gastos correntes e limitando a capacidade de investimentos produtivos. As pesquisas qualitativas, sobretudo, revelam a condenação do desempenho do governo em todos os setores, especialmente os essenciais, como saúde, educação e segurança pública. A popularidade de Dilma destacada por essas pesquisas contrasta com a condenação das ações administrativas em praticamente todos os setores, esse sistema vigente esgota a capacidade financeira do Estado, e compromete a qualidade dos serviços prestados. Não pode ser aplaudido o governo que adota a prática do balcão de negócios em nome da governabilidade. Creio ser possível sim, governar o país, sem instalar um balcão de negócios.
11) O que achou do governo Lula?
Surfou nas ondas tranquilas do extraordinário momento da economia mundial até quase o final de suas duas gestões, e apropriou-se dos feitos de antecessores que plantaram os pressupostos básicos da estabilidade econômica e redução da pobreza. Não deu o passo adiante, desperdiçou oportunidades que não voltam, não realizou as reformas que possibilitariam um novo salto de desenvolvimento, e com isso inibiu o processo de crescimento do país. O maior desserviço prestado foi a banalização da corrupção com a implantação do sistema promíscuo na relação do executivo com o legislativo e partidos políticos, dando origem ao mensalão. Agora condenado pelo Supremo, o sistema sobrevive ao julgamento histórico e continua como fábrica de escândalos.
12) O que achou do governo FHC, e para o senador, o que o PSDB precisa fazer para voltar a ganhar uma eleição presidencial?
Foi o governo da mudança real. Não só destruiu o monstro da inflação que os mais jovens não conheceram como mudou o conceito de economia. O Real foi mais do que um plano econômico. Um patrimônio adquirido pela sociedade brasileira. Naquele período se constituíram da estabilidade econômica, sustentabilidade financeira, responsabilidade fiscal e recuperação da competitividade da economia. Obviamente existiram desvios e falhas, mas não há como ignorar a importância histórica do governo FHC. Não sei se para voltar ao poder, mas em respeito ao compromisso com o eleitor, cabe ao PSDB fazer oposição com competência, ou seja, pra valer!