Confirmação da cassação de Selma Arruda prova, mais uma vez, que paladinos “pecam”

Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”

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Na noite de terça-feira (10), o TSE retornou o julgamento de apelação da senadora Selma Arruda (Podemos/MT). Na semana passada o relator Og Fernandes votou para manter a perda do mandato imposta pelo TRE/MT e convocação de uma eleição suplementar para preencher a vaga aberta. É um duro golpe na bancada lava-jatista no Senado Federal.

O placar contra a senadora ficou em 6 a 1. Nem o lava-jatista Barroso teve coragem de votar a favor da senadora. Apenas outro lava-jatista Edson Fachin, que é conterrâneo e amigo de Alvaro Dias, liderança do partido que Selma está filiada, votou a favor da ré.

Selma Arruda teve arredondados 25% dos votos válidos na disputa por duas vagas de senadores do estado de Mato Grosso. Terminou a disputa com a primeira vaga. Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”, saiu para ser candidata pelo PSL, brigou com Flavio Bolsonaro por apoiar uma CPI para investigar ministros do STF e STJ, foi para o Podemos de Alvaro Dias.

Podemos é um partido alinhado com as pautas da “República de Curitiba” e do ministro Sergio Moro. Faz parte da tropa do Moro atiçando contra as instituições. A cassação da senadora é um recado direto das mesmas e uma vitória do Estado de Direito, da própria política e democracia. E, mais do que isso, contra a impunidade que esse pessoal tanto faz discursos, afinal, ela foi pega cometendo sérias irregularidades como contratação de serviços de campanha fora do prazo, não declarou quantias volumosas confirmando caixa 2, abuso de poder econômico e político que desequilibrou a disputa eleitoral.

Mais uma lição que paladinos da moral e da ética também “pecam”, como foi no episódio do também senador Demóstenes Torres.

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Candidatura da Lava Jato

Um inside pode representar a candidatura da Lava Jato

No debate da Band, na quinta passada, Alvaro Dias (Podemos) bateu, até demais, na tecla anticorrupção, no lema de sua campanha “refundar a República” e falando que convidaria Sérgio Moro para chefiar o Ministério da Justiça. E o nome do candidato foi muito procurado nas buscas do Twitter e Google pela galhofa dos internautas comparando o candidato com personagem Coringa do filme Batman, mas também por curiosidade daquele que mais falou do tema corrupção.

Alvaro Dias pode aglutinar o voto do pessoal antissistema que é um contingente muito grande fruto dos escândalos de corrupção das últimas décadas e uma campanha fortíssima antipolítica de membros do Ministério Público. O candidato do Podemos tem justamente duas características que pesquisas qualitativas apontam: renovação com experiência.

Apesar de já na casa dos 70 anos de idade, já foi governador (Paraná – 1987-1990), de está em seu quarto mandato de senador e trocar de partido constantemente, Alvaro Dias nunca foi próximo do establishment político de Brasília. Ele já foi até expulso do PSDB por ter apoiado uma CPI para apurar denúncia de corrupção no governo de FHC.

Pesquisa Real Time Big Data realizada alguns dias depois do debate Band, Alvaro Dias aparece empatado com Fernando Haddad (PT), com 6% das intenções de voto, atrás de Ciro Gomes (PDT), 8%, Geraldo Alckmin (PSDB), 9%, Marina Silva (Rede), 11%. O líder é Jair Bolsonaro (PSL), com 21%. Com o nome de Lula, o ex-presidente lidera com 29%. Lula também lidera no quesito rejeição com 54%, seguido por Bolsonaro (51%). Alvaro Dias tem, segundo essa mesma pesquisa, a menor rejeição: 36%.

Tudo embolado e indefinido. Com poucos segundos no horário eleitoral vai explorar que não fez aliança com partidos por tempo de TV e vai prometer não lotear a administração pública, o que é um dos principais desejos da população no ovo governo.

Se falta um outsider na eleição depois que Luciano Huck e Joaquim Barbosa não tocaram para frente uma candidatura de fora do sistema, um inside pode representar a candidatura da Lava Jato, já que a de Bolsonaro não entusiasma muito procuradores pelo radicalismo em alguns temas sensíveis.

Entrevista: Alvaro Dias

1) O que o senador acha da atual política econômica do governo Dilma?

O Brasil continua gastando o patrimônio acumulado pelo Plano Real. Nenhum passo à frente. As reformas prometidas não foram realizadas e a consequência é o desperdício de oportunidades. Durante o período de crescimento expressivo da economia mundial crescemos bem menos do que deveríamos e agora nos últimos dois anos figuramos em último lugar no ranking do crescimento econômico dos países da América Latina. Esse desempenho é a condenação da atual política econômica.

2) Para o senador por que a reforma política não anda no congresso?

Vivemos sob a égide do presidencialismo forte. Com ele, as reformas importantes só podem ocorrer com o interesse e participação do Poder Executivo. A Presidência da Republica, apoiada por maioria desproporcional, elege o comando do Legislativo e impõe sua agenda, definindo prioridades. A reforma política, matriz das demais, só ocorrerá nesse sistema, quando a presidência da República assumir a responsabilidade de liderar o processo.

3) Qual sua opinião sobre os royalties do Pré-sal e essa polêmica do veto da presidente?

A polêmica dos royalties do petróleo é alimentada pelo desejo das unidades federativas de rediscutir o sistema federativo marcado pelo desequilíbrio distributivo crescente. Desde a Constituição de 88, encargos são repassados a Estados e Municípios, sem a contrapartida de recursos para atender as novas demandas. A concentração nos cofres da União é descomunal, e promove a injustiça que revoltam especialmente administradores municipais. Cerca de 56% da receita nacional é oriunda das contribuições sociais, que não se contabiliza na formação do Fundo de Participação dos Estados e Municípios. A perspectiva de transferir recursos dos royalties une lideranças políticas de 24 estados, que aproveitam a oportunidade para a busca de um novo pacto federativo, isso nos leva a prever a derrubada do veto presidencial por larga margem de votos no Congresso.

4) O que achou do final da CPI do Cachoeira?

A morte anunciada. Desde a primeira semana dos trabalhos, anunciei que apresentaríamos relatório paralelo, e votaríamos contra o voto do relator Odair Cunha (PT). Foi o que fizemos. O relatório “chapa branca” aproveitou-se do trabalho já realizado pela Policia Federal e autoridades judiciárias, mas não avançou para alcançar os tentáculos da organização criminosa na esfera pública além das fronteiras do Centro-Oeste. Limitou-se a “chover no molhado”, repetindo a solicitação de indiciamentos já consumados ou em curso no Ministério Público. A CPI abdicou da sua responsabilidade de investigar a empresa Delta e coadjuvantes, agentes públicos e privados partícipes de monumental esquema de corrupção. Aprovar esse relatório oficial seria absolver responsáveis pelo desvio de milhões de reais dos cofres públicos, o rejeitamos e apresentamos à CPI e Procuradoria Geral da República nosso relatório de mais de 900 páginas apontando caminhos para a continuidade das investigações. O que a CPI não fez, esperamos possa ser feito pelo Ministério Público Federal.

5) O senador é contra ou a favor da legalização da maconha?

Sou contra a legalização da maconha. Não evoluímos o suficiente para providência dessa natureza.

6) E sobre o desarmamento?

Creio que a legislação atual atende as necessidades. A violência cresce assustadoramente, não só, mas também, pela ausência da autoridade constituída.

7) O que acha da Lei seca?

Sem dúvida necessária. Espera-se que possa contribuir também para a mudança de comportamento de todos nós condutores de veículos.

8) O que achou da vitória do prefeito eleito de Curitiba Gustavo Fruet?

A lógica prevaleceu. Pela sua historia e postura política conhecida e reconhecida, era o favorito antes das eleições, e as urnas confirmaram a preferência popular.

9) O que está achando do Governo Beto Richa?

Eu poderia responder essa pergunta com ironia: Quando souber da sua posse, me avise, por favor. Quem sabe possa dela participar? Prefiro, no entanto com responsabilidade afirmar que não posso apoiar no Paraná o que condeno em Brasília. O sistema promíscuo de aparelhamento foi transplantado para o Estado, e as consequências não poderiam ser outras: Negociação, cooptação política, limitação do espaço da  oposição e resultados pífios.

10) O que está achando do governo Dilma?

Mantém o sistema instituído pelo seu patrono e antecessor. O aparelhamento do Estado com o loteamento dos cargos fez crescer a estrutura da administração, estabelecendo paralelismos e superposição de ações, elevando os gastos correntes e limitando a capacidade de investimentos produtivos. As pesquisas qualitativas, sobretudo, revelam a condenação do desempenho do governo em todos os setores, especialmente os essenciais, como saúde, educação e segurança pública. A popularidade de Dilma destacada por essas pesquisas contrasta com a condenação das ações administrativas em praticamente todos os setores, esse sistema vigente esgota a capacidade financeira do Estado, e compromete a qualidade dos serviços prestados. Não pode ser aplaudido o governo que adota a prática do balcão de negócios em nome da governabilidade. Creio ser possível sim, governar o país, sem instalar um balcão de negócios.

11) O que achou do governo Lula?

Surfou nas ondas tranquilas do extraordinário momento da economia mundial até quase o final de suas duas gestões, e apropriou-se dos feitos de antecessores que plantaram os pressupostos básicos da estabilidade econômica e redução da pobreza. Não deu o passo adiante, desperdiçou oportunidades que não voltam, não realizou as reformas que possibilitariam um novo salto de desenvolvimento, e com isso inibiu o processo de crescimento do país. O maior desserviço prestado foi a banalização da corrupção com a implantação do sistema promíscuo na relação do executivo com o legislativo e partidos políticos, dando origem ao mensalão. Agora condenado pelo Supremo, o sistema sobrevive ao julgamento histórico e continua como fábrica de escândalos.

12) O que achou do governo FHC, e  para o senador, o que o PSDB precisa fazer para voltar a ganhar uma eleição presidencial?

Foi o governo da mudança real. Não só destruiu o monstro da inflação que os mais jovens não conheceram como mudou o conceito de economia. O Real foi mais do que um plano econômico. Um patrimônio adquirido pela sociedade brasileira. Naquele período se constituíram da estabilidade econômica, sustentabilidade financeira, responsabilidade fiscal e recuperação da competitividade da economia. Obviamente existiram desvios e falhas, mas não há como ignorar a importância histórica do governo FHC. Não sei se para voltar ao poder, mas em respeito ao compromisso com o eleitor, cabe ao PSDB fazer oposição com competência, ou seja, pra valer!