Candidatura de Flavio Bolsonaro na berlinda

Explode uma bomba que pode mudar completamente os rumos da campanha eleitoral de 2026. É um áudio do senador Flavio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro pouco antes da primeira prisão do ex-banqueiro pedindo dinheiro para o filme sobre Jair Bolsonaro.

Mesmo se não tem crime, a pré-campanha de Flavio é alvejada e dificilmente escapará. Áudio como esse acaba com a vida política de qualquer um. Aécio Neves tenta reconstruir a sua biografia após os áudios com Joesley Batista e sabe que não será como antes, mesmo absolvido na justiça.

O que pode acontecer na disputa presidencial é o presidente Lula (PT) ser beneficiado; outra pessoa da família Bolsonaro (só vejo Michelle com viabilidade, mas os filhos não querem) assumir a candidatura; Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) ou outro candidato beneficiado.

Seja o que acontecer, o áudio do Flavio entra na galeria de fatos marcantes das eleições para presidente.

Lula pode ter fim político melancólico

Pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em uma disputa de segundo turno confirmando outras pesquisas.

Lula derrete e caminha para se juntar a Jair Bolsonaro como presidentes em exercício que não conseguiram a reeleição. A rejeição ao atual governo é de 52% e 60% não querem a reeleição do atual mandatário. O mau humor com o atual governo não deve mudar até outubro. Se o presidente não agradou boa parte da população em mais de 3 anos, dificilmente vai conseguir em poucos meses.

O cenário da eleição presidencial brasileira é parecido com a chilena, quando a candidata de esquerda venceu o primeiro turno, mas a união dos outros candidatos fez José A. Kast ser eleito com 60% dos votos no segundo turno.

Mesmo assim, a disputa será apertada como a última e Lula pode vencer novamente. Mas os escândalos, a descrença da população nas instituições (principalmente com ministros do STF e o governo os abraça perigosamente), crise econômica agravada por fatos externos tornam a missão muito difícil.

O medo do brasileiro entre Lula e Bolsonaro

Pesquisa mostra que a população tem mais medo da reeleição de Lula do que a volta de Bolsonaro representado pelo filho Flávio.

Diferença mínima e que pode mudar, mas que deve preocupar o PT.

Lula voltou para presidência com muitos dos votos nele em 2022 sendo pelo medo da reeleição do então presidente.

Com eleições cada vez mais decididas por décimos e as pessoas votando mais pela rejeição, o sinal amarelo pisca no governo.

Mais um eleição presidencial decidida no fotochart?

Nova presidencial trouxe dados mais interessantes do que a simples disputa de quem está na frente. O que a população acha dos (pré) candidatos listados, a chamada votabilidade.

O presidente Lula (PT) tem 33% de votos garantidos, segundo essa pesquisa. E pode chegar a 50% somando com quem disse que pode votar nele. Praticamente o que ele teve em 2022, quando venceu a disputa por menos de 2% de diferença.

Já Flavio Bolsonaro (PL), o desafiante, teve na pesquisa 18% de votos certos e mais 20% de quem pode votar nele. Totalizando 38%.

Ambos têm o mesmo tamanho de rejeição: 48% para Lula e 49% para Flavio. Mostrando um ambiente ultra polarizado, o que antecipa a disputa de um segundo turno.

Ou seja, por esses dados Lula é o favorito, mas passa longe de ter uma vitória garantida. Mesmo tendo um pacote social robusto (isenção no IR, gás do povo, luz para todos e outros) para apresentar, não vai fazer quem o rejeita mudar o voto. Vai ter que garantir que os 17% que disseram que podem votar nele se animem a isso.

Hegemonia vale mais que vencer uma eleição

Jair Bolsonaro, mesmo internado para mais cirurgia, resolveu escrever de próprio punho uma carta dirigida ao povo brasileiro confirmando sua indicação de Flávio Bolsonaro como o seu pré-candidato a presidente da República na tentativa de pacificar a própria família e dissipar qualquer dúvida sobre quem é seu escolhido para lhe representar na eleição de 2026.

O bolsonarismo é hegemonista, como o petismo também é, mas tem motivo para ser. Ninguém joga poder fora. O bolsonarismo e o petismo ambos têm votos. Abrir mão desses votos pensando pragmaticamente e em uma suposta união do campo político que pertence pode ser um suicídio político do seu grupo.

Não sejamos bobos. Ninguém que lidera não deseja perder o status de líder. Até admite perder uma eleição, mas não esse status.

Pesquisa Datafolha divulgada mostra que 74% dos brasileiros são petistas (40%) ou bolsonaristas (34%); 35% se diz de direita, 22% de esquerda, 17% de centro, 11% de centro-direita e 7% de centro-esquerda. Quem lidera a direita atualmente é o bolsonarismo que não vai arriscar perder a liderança para outro mesmo sendo aliado.