Desigualdade

É preciso mais responsabilidade social das pessoas com quem não tem nada ou quase nada

miséria

Nos últimos 20 anos houve um resgate de brasileiros da miséria para uma vida mais digna. Essa melhora e inclusão de milhões à classe média foi graças as políticas sociais implantadas desde a Constituição de 1988, passando pelo Plano Real de 1994 e do programa Bolsa Família em 2003. O Estado de Bem-Estar Social foi, finalmente, implementado no Brasil, mesmo com muitas deficiências.

Mas não se pode fechar os olhos para a desigualdade social, que parou de cair, e a diminuição da miséria vem retrocedendo e deve piorar com a crise. A chamada “luta de classe” é antiga e confesso que não sou muito favorável a ela. Sou mais favorável ao ditado “A união faz a força”, a luta de classes provoca uma divisão e traz mais problemas do que solução que pode terminar na dissolvência de um país igual na divisão étnica e religiosa.

É um soco na boca do estômago ao saber que ainda existe brasileiros que passam fome e não tem o básico para sua sobrevivência. Não é possível que um ser humano não fique com os olhos marejados porque um semelhante seu só tem óleo e sal na cozinha de casa, além de bater uma certa revolta quando cresce o número de milionários ao lado.

Não quero limitar o lucro das pessoas e empresas, isso é utópico e puxa o país ainda mais para pobreza, nivela todos por baixo, no entanto, é preciso olhar mais para quem precisa, sobretudo os governos. Não só eles. É preciso mais responsabilidade social das pessoas com quem não tem nada ou quase nada e menos preocupação com o próprio umbigo.

Enquanto você fica pensando no celular novo de última geração para tirar selfie e postar no Instagram, saiba que tem gente que não tem o que comer nem beber. Uma geração que se preocupa mais com um cachorro abandonado do que com uma criança pedindo esmola na rua. O vídeo de hoje do canal Porta dos Fundos é o retrato dessa geração.

PS: Não gosto de quem abandona e muito menos maltrata cachorro ou qualquer animal.

Vida de Gado

Quando o povo vira massa de manobra, esse perde todo o seu direito de gozar de sua plena cidadania

Muitos vendem a sua consciência e são marcados como gado por um “Bolsa Família”, que, na verdade, é uma obrigação do Governo não deixar sua população morrer de fome. Falta é consciência e noção de cidadania ao povo. Falta o povo perceber que o dinheiro “dado” pelo governo não é esmola, mas o mínimo para compensar os outros deveres que ele não cumpre como, por exemplo, educação, saúde, saneamento básico, segurança.

Culpado é o governo (os governos). Governo que não cumpre tarefas que são de sua obrigação e se aproveita da ignorância do povo, ignorância essa plantada pelo próprio governo. Quanto mais excluído, miserável e sem um mínimo de instrução mais fácil para um político manipular um povo, e esse povo acreditar nas mentiras ditas pelos políticos.

A miséria é o roçado do político.

Quando o povo vira massa de manobra, esse perde todo o seu direito de gozar de sua plena cidadania. Contentam-se com o pouco. Contentam-se com o pão e circo. A classe média e alta também tem culpa por se fechar no seu mundinho particular e fingir que não é com eles. Passa por um morador de rua pedindo esmola e finge que estão falando no celular de última geração.

Mas os ricos não precisam se sentir culpados pela miséria do povo. Alguns pensam: “vou comprar esse carro do ano, mas me sinto culpado por outros que não podem comprar um”. O certo é apenas não fechar os olhos para o mundo real, não aceitar como natural o absurdo que é uma criança na rua pedindo esmola para sobreviver.

O povo é como uma boiada. Manipulável. Alienado. É manipulável não só por políticos, também é manipulável por patrões que não pagam o justo pelo trabalho do trabalhador para poder lucrar mais e mais. O povo é manipulável, também, por sindicalistas que se aproveitam para enricar a custa da ignorância do trabalhador humilde. O povo é como o boi: não sabe a força que tem.

No fim, políticos, patrões e sindicalistas são como peões guiando uma boiada indo para o abatedouro. Uma boiada cega e sem consciência. Povo marcado, povo feliz!

Desigualdade diminui no país da polarização de renda

Índice de Gini aponta que a desigualdade caiu devido ao aumento de renda pela população menos afortunada

cidades

Gustavo Vaz

Quatro de cada cinco cidades brasileiras tiveram redução do índice de Gini, que mede a desigualdade social em um determinado local, na década de 2000. Enquanto nos anos 1990, o mesmo índice tinha aumentado em 58% dos municípios do país. Todas estas informações são encontradas nesta matéria, do último dia três de agosto, d’O Estado de São Paulo.

Estes dados comprovam toda a propaganda governista de que a gestão petista é voltada para o lado social, e também comprovam o que seus partidários dizem da gestão anterior, e que hoje representa a oposição, de que o PSDB governa não pensando nos populares, no povo que “mora do outro lado da ponte”.

Enfim, gracejos à parte, de fato o levantamento mostra o sucesso da política petista no sentido social, pelo menos, por hora, com seus programas (alguns deles criados pela gestão tucana, que hoje faz campanha aberta contra os Bolsas Famílias da vida) dão resultado, diminuindo a desigualdade, fator sempre criticado pelos paladinos da ética e moralistas do país.

Este mesmo levantamento do índice de Gini aponta que a desigualdade caiu devido ao aumento de renda pela população menos afortunada, a tão falada ascensão de muitos para a classe média, e não pelo empobrecimento dos mais ricos – o que também diminuiria a desigualdade. Todas estas estatísticas vão contra a conversa de que o Brasil está em uma “crise imensa” e a supervalorização de problemas – apesar de perigosos e merecedores de cuidado, como a inflação. Conversa muito propagada pela classe média e alta reacionária, e uma das bandeiras da oposição brasileira.

Segundo o presidente do IPEA (procurado como fonte pela matéria citada no primeiro parágrafo), o Bolsa Família ajudou a diminuir a desigualdade em 38% do que seria, caso o programa não existisse. Nos últimos dez anos, o desemprego caiu de 13% para menos de 6%, pelo que indica o IBGE. Além disso, o rendimento per capita dos domicílios brasileiros aumentou 63% acima da inflação, nos anos 2000. Tudo isso serve como contraprova a quem diz que atualmente “se dá o peixe, mas não a vara de pescar”, já que os dados dizem que a oferta de emprego é dada, mas para quem ainda não conseguiu, uma ajuda pequena é dada – já que o máximo que se pode adquirir nos programas governamentais é cerca de R$ 200, o que não deixa ninguém rico e autossustentável.

Contudo, é possível notar pelo infográfico, colocado na matéria, que o Norte do país conta com várias cidades que sofreram com o aumento de desigualdade, ao contrário do resto do país. A região marcada pela Amazônia e pelo domínio de alguns “xerifões” que mandam e desmandam parece não receber muita atenção da gestão petista, podendo significar um aumento de poder dos coronéis daquela região. O histórico dessas pessoas fala por si e indica a dimensão desse problema.

Por fim, fica claro, também, um fenômeno interessante: muitas das pessoas que vão contra os programas sociais implantados pelo governo federal são novos integrantes da classe média que ascenderam a esta posição durante a última década, algo que muitos analistas colocam como um “medo de perder sua renda e posição para outros cidadãos que ascendem”. Vale esta reflexão.