Casta da Toga

O brasileiro pagador de imposto vive para sustentar castas de privilégios, poderes ineficientes, perdulários

A matéria primorosa do jornal Folha de São Paulo neste domingo, 12, sobre o Judiciário sendo o único dos Poderes da República a furar o teto de gasto imposto pela Emenda Constitucional 95, de 2016. É o jornalismo clássico – e bom – dando mostras que ainda respira. O jornalismo prestativo à sociedade.

Na matéria, o desprestigiado Legislativo e o Executivo cumprem a regra. Por exemplo, achincalhado pela opinião pública e pela imprensa, o Legislativo cumpre o teto em quase 7%; Poder Executivo em quase 2%.

O brasileiro elegeu os poderes Executivo e Legislativo como o grande mal do Brasil. Há razões para tanto fastio, desencanto, revolta e desejo de mudança. Todavia, tudo é consequência de sintomas de disfunções que podem ser corrigidas com reformas cirúrgicas e bem feitas. O grande problema do Brasil está no terceiro poder: Judiciário. Lá é que se encontra a âncora pesada impedindo o navio de navegar para um mar mais calmo.

Não é de agora que o Judiciário atrapalha o desenvolvimento do país, mas piorou muito a partir em que procuradores e juízes viraram pop-stars nas redes sociais. O Poder Judiciário passou a palpitar como devem agir os Poderes Executivo e Legislativo em muitos casos passando por cima de decisões que cabem exclusivamente a últimos dois interferindo e quebrando a separação de poderes, quando não atentando contra o Estado de Direito com falas ou decisões em nome de um suposto combate à corrupção.

O pessoal de toga não tem a mínima vergonha de protestar na defesa de penduricalhos que consomem rios de dinheiro em um país miserável com pessoas dormindo em viadutos e uma crise que levou a uma fila gigante de desempregados. Pior: mesmo ganhando muito bem e acima da média da população, eles querem mais. Se sentem injustiçados por não ter aumento no salário – 30 mil reais fora auxílio-moradia, auxílio-paletó, auxílio disso e daquilo – desde 2015.

O maior orçamento do Judiciário brasileiro é a Justiça do Trabalho, são 17,5 bi/ano em um órgão que só existe em países “exóticos” como o Brasil. A média salarial de um magistrado na JT em 2016 foi de quase 40 mil. É uma aberração injustificável. E os ministros do Supremo Tribunal Federal, que deveriam dar o exemplo, propõem aumentar os próprios salários em “modestíssimos 16%“, o que levou o Ministério Público Federal a aprovar aumento semelhante.

Se o Congresso ou presidente Michel Temer não vetar, esse generoso aumento fazer “efeito cascata” generalizado fazendo mais pressão sob as contas públicas e o arrocho sobrando para você, caro contribuinte, principalmente o mais pobre. O brasileiro pagador de imposto vive para sustentar castas de privilégios, poderes ineficientes, perdulários e, às vezes, corruptos. E a pior está no Poder Judiciário.

Tejuçuoca completa 30 anos de emancipação política

Tejuçuoca completa 30 anos de emancipação política. É ainda uma jovem cidade no meio do semiárido nordestino na parte cearense, mas Tejuçuoca entrou na fase adulta com conquistas e derrotas.

Desde 13 de janeiro de 1988 (foi emancipada em 28 de dezembro de 1987, pela lei 11.414, mas saiu no Diário Oficial do Estado no ano seguinte) muita coisa aconteceu e, ao mesmo tempo, a mesmice continua reinando.

Já foram realizadas 8 eleições para eleger o prefeito, vice-prefeito e vereadores. Apesar de ser tempo suficiente para um amadurecimento político, inclusive elegendo a primeira mulher prefeita na eleição de 2016, o caciquismo político ainda é forte.

O poder Executivo de Tejuçuoca é dominante e a Câmara de Vereadores é um mero carimbador de projetos da prefeitura. A prefeitura é o grande polo concentrador da economia – junto com aposentados do INSS e Bolsa Família – do município, com comércios de pequeno e médio porte.

Há pequenas indústrias de confecções, mas a industrialização não chegou e não tem sinal que vai chegar tão cedo. Enquanto isso, o sonho de muitos é ter um emprego público. O brasileiro é concurseiro nato, o tejuçuoquense eleva isso a enésima potência com uma economia muito dependente do Estado até pela carência de infraestrutura e condição de vida um pouco melhor. O voto não é um ato de cidadania e sim uma obrigação para tal candidato depois de eleito retribua a ajuda na eleição.

Mas o povo de Tejuçuoca é, na média, um povo batalhador que precisa matar um leão por dia para sobreviver. E com conscientização mudaremos a mentalidade clientelista dominante para, de fato, uma cidadania plena. Pode parecer clichê e otimismo, mas precisamos de otimismo e até um pouco de utopia às vezes para transformar realidades desfavoráveis em algo melhor.

Que os próximos 30 anos sejam de mais vitórias do que derrotas e das derrotas se extraia aprendizado.

Desigualdade

É preciso mais responsabilidade social das pessoas com quem não tem nada ou quase nada

miséria

Nos últimos 20 anos houve um resgate de brasileiros da miséria para uma vida mais digna. Essa melhora e inclusão de milhões à classe média foi graças as políticas sociais implantadas desde a Constituição de 1988, passando pelo Plano Real de 1994 e do programa Bolsa Família em 2003. O Estado de Bem-Estar Social foi, finalmente, implementado no Brasil, mesmo com muitas deficiências.

Mas não se pode fechar os olhos para a desigualdade social, que parou de cair, e a diminuição da miséria vem retrocedendo e deve piorar com a crise. A chamada “luta de classe” é antiga e confesso que não sou muito favorável a ela. Sou mais favorável ao ditado “A união faz a força”, a luta de classes provoca uma divisão e traz mais problemas do que solução que pode terminar na dissolvência de um país igual na divisão étnica e religiosa.

É um soco na boca do estômago ao saber que ainda existe brasileiros que passam fome e não tem o básico para sua sobrevivência. Não é possível que um ser humano não fique com os olhos marejados porque um semelhante seu só tem óleo e sal na cozinha de casa, além de bater uma certa revolta quando cresce o número de milionários ao lado.

Não quero limitar o lucro das pessoas e empresas, isso é utópico e puxa o país ainda mais para pobreza, nivela todos por baixo, no entanto, é preciso olhar mais para quem precisa, sobretudo os governos. Não só eles. É preciso mais responsabilidade social das pessoas com quem não tem nada ou quase nada e menos preocupação com o próprio umbigo.

Enquanto você fica pensando no celular novo de última geração para tirar selfie e postar no Instagram, saiba que tem gente que não tem o que comer nem beber. Uma geração que se preocupa mais com um cachorro abandonado do que com uma criança pedindo esmola na rua. O vídeo de hoje do canal Porta dos Fundos é o retrato dessa geração.

PS: Não gosto de quem abandona e muito menos maltrata cachorro ou qualquer animal.

Vida de Gado

Quando o povo vira massa de manobra, esse perde todo o seu direito de gozar de sua plena cidadania

Foto: Diogo Moreira / Futura Press
Foto: Diogo Moreira / Futura Press

Muitos vendem a sua consciência e são marcados como gado por um “Bolsa Família”, que, na verdade, é uma obrigação do Governo não deixar sua população morrer de fome. Falta é consciência e noção de cidadania ao povo. Falta o povo perceber que o dinheiro “dado” pelo governo não é esmola, mas o mínimo para compensar os outros deveres que ele não cumpre como, por exemplo, educação, saúde, saneamento básico, segurança.

Culpado é o governo (os governos). Governo que não cumpre tarefas que são de sua obrigação e se aproveita da ignorância do povo, ignorância essa plantada pelo próprio governo. Quanto mais excluído, miserável e sem um mínimo de instrução mais fácil para um político manipular um povo, e esse povo acreditar nas mentiras ditas pelos políticos.

A miséria é o roçado do político.

Quando o povo vira massa de manobra, esse perde todo o seu direito de gozar de sua plena cidadania. Contentam-se com o pouco. Contentam-se com o pão e circo. A classe média e alta também tem culpa por se fechar no seu mundinho particular e fingir que não é com eles. Passa por um morador de rua pedindo esmola e finge que estão falando no celular de última geração.

Mas os ricos não precisam se sentir culpados pela miséria do povo. Alguns pensam: “vou comprar esse carro do ano, mas me sinto culpado por outros que não podem comprar um”. O certo é apenas não fechar os olhos para o mundo real, não aceitar como natural o absurdo que é uma criança na rua pedindo esmola para sobreviver.

O povo é como uma boiada. Manipulável. Alienado. É manipulável não só por políticos, também é manipulável por patrões que não pagam o justo pelo trabalho do trabalhador para poder lucrar mais e mais. O povo é manipulável, também, por sindicalistas que se aproveitam para enricar a custa da ignorância do trabalhador humilde. O povo é como o boi: não sabe a força que tem.

No fim, políticos, patrões e sindicalistas são como peões guiando uma boiada indo para o abatedouro. Uma boiada cega e sem consciência. Povo marcado, povo feliz!

Uma reflexão Política da Sexta-feira Santa

Lucas de Freitas

Eis o dia que os cristãos, como eu, supostamente recordamos que mataram o libertador e salvador da humanidade. Digo supostamente, porque nos preocupamos com tudo: o bacalhau, o churrasco pra provocar os que comem bacalhau, as discussões se não deveríamos nem comer churrasco nem bacalhau, se o chocolate em forma de ovo gigante já foi dado, se a decoração das igrejas está boa, e, até com um apogeu – se as crianças acreditam no coelho ou no Jesus.

Entretanto, só aí estão as preocupações. Só nisto estão presas as lamentações.

 

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Na madrugada da sexta-feira da paixão, famílias inteiras que foram açoitadas, sem terem onde morar, sem terem onde comer, novamente foram despejadas sabe-se lá pra onde. Estas famílias estavam tendo suspiros de esperança ao ocuparem um prédio da TELERJ/Oi, no Rio de Janeiro, simplesmente abandonado há anos, mas a esperança morreu ao som de bombas, balas, num show de despejo animalesco. A esperança morreu na selvageria de um Estado, similar ao que condenou Jesus, onde assassinos são libertos com aplausos e inocentes são humilhados até que chegue sua morte. Onde os inocentes caminham para sua desgraça em volta de uma humanidade que a cospe, que a xinga, que a escracha. “Bando de vagabundos!”; “Deveriam estudar pra crescer na vida.”; “Tem que apanhar mesmo.” E os Pôncios Pilatos da atualidade, lavam suas mãos nas águas da lei: “Afinal, estão ocupando propriedade particular.”

Ora, mas o Cristo relatado na bíblia já não morreu no lugar destes? Ora, o libertador já não havia sofrido numa sexta-feira tudo que a humanidade não precisaria mais sofrer? Verídico, mas a atuação dos que nisso creem está firmada em atos simbólicos, está firmada nas refeições, está firmada em preces. Meramente nem se sabe o que acontece fora das 4 paredes dos templos, similar aos chamados fariseus da época, responsáveis pela condenação de Jesus. Até quando essa Igreja deixará que a história do Cristo seja cíclica ao longo dos séculos? Até quando ela se calará e fechará os olhos, vendo Jesus ao lado realizando sua Via Crucis do século XXI?

O sofrimento de Jesus se repetiu nesta madrugada de sexta-feira Santa, na cidade do Rio de Janeiro. O sofrimento de Jesus se repete e se repetirá todos os dias, até que esta igreja abandone nossas belas tradições, em troca de plenas ações.

Por fim, deixo um verso da Bíblia Sagrada Cristã:
“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.”
– 2 Coríntios 8:9.