Cúmplices dos ladrões do INSS

Os ministros do STF impediram a prorrogação da CPMI DO INSS para aprofundar o roubo bilionário aos aposentados.

Justificaram que CPI é instrumento da minoria e sua instalação é obrigatória após cumpridos os requisitos legais, mas a Constituição não fala na obrigatoriedade de sua prorrogação. Jogo de semântica: na prática instalação e prorrogação são a mesma coisa.

  • Flávio Dino
  • Alexandre de Moraes
  • Cristiano Zanin
  • Nunes Marques
  • Dias Toffoli
  • Cármen Lúcia
  • Gilmar Mendes
  • Edson Fachin

Apenas Luiz Fux acompanhou o relator André Mendonça.

Mendonça chegou a “implorar” aos colegas quando viu que seria derrotado. Disse que o roubo de bilhões foi da parte mais vulnerável da sociedade, de mães e avós que cuidam dos filhos.

Nem assim comoveu os senhores de togas que entraram na cruzada da blindagem de seus companheiros enrolados no caso Master, que tem ligação com o roubo no INSS.

Em outubro 54 cadeiras do Senado Federal estarão em disputa. É a chance da população eleger senadores sem “compromisso” com os ministros do STF, seja por conveniência política ou por ter BOs.

Compromisso tem que ter é com a institucionalidade. O que é diferente do “me ajuda que te ajudo”.

Esquema no INSS

O esquema no INSS que lesou milhões de aposentados parece ter potencial para ser uma hecatombe na política maior que foi a Lava Jato. Não me refiro apenas ao volume de dinheiro subtraído dos aposentados, na casa dos R$ 6 bilhões, mas o envolvimento de políticos de variados partidos e matrizes ideológicas.

É impossível um roubo dessa magnitude ter prosperado por anos (pelo menos desde 2016) sem alguém com poder bancando e protegendo. Passou por governos de 3 presidentes (Temer, Bolsonaro e Lula).

Não é coincidência o esquema ter iniciado após a reforma trabalhista que aboliu o imposto sindical obrigatório, o que fez sindicatos e associações buscarem outro meio de arrecadação.

Na operação que prendeu o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, um deputado federal e outro estadual foram alvos. É apenas o começo. Mais nomes surgirão até chegar no topo do esquema. Os desdobramentos vão mostrar se vai chegar no tamanho da Lava Jato, com os acertos e os erros que custaram o seu fim melancólico. Mas uma coisa é roubar a Petrobras, já outra é roubar velhinhos que contribuíram a vida toda para a Previdência.

Tejuçuoca completa 30 anos de emancipação política

Tejuçuoca completa 30 anos de emancipação política. É ainda uma jovem cidade no meio do semiárido nordestino na parte cearense, mas Tejuçuoca entrou na fase adulta com conquistas e derrotas.

Desde 13 de janeiro de 1988 (foi emancipada em 28 de dezembro de 1987, pela lei 11.414, mas saiu no Diário Oficial do Estado no ano seguinte) muita coisa aconteceu e, ao mesmo tempo, a mesmice continua reinando.

Já foram realizadas 8 eleições para eleger o prefeito, vice-prefeito e vereadores. Apesar de ser tempo suficiente para um amadurecimento político, inclusive elegendo a primeira mulher prefeita na eleição de 2016, o caciquismo político ainda é forte.

O poder Executivo de Tejuçuoca é dominante e a Câmara de Vereadores é um mero carimbador de projetos da prefeitura. A prefeitura é o grande polo concentrador da economia – junto com aposentados do INSS e Bolsa Família – do município, com comércios de pequeno e médio porte.

Há pequenas indústrias de confecções, mas a industrialização não chegou e não tem sinal que vai chegar tão cedo. Enquanto isso, o sonho de muitos é ter um emprego público. O brasileiro é concurseiro nato, o tejuçuoquense eleva isso a enésima potência com uma economia muito dependente do Estado até pela carência de infraestrutura e condição de vida um pouco melhor. O voto não é um ato de cidadania e sim uma obrigação para tal candidato depois de eleito retribua a ajuda na eleição.

Mas o povo de Tejuçuoca é, na média, um povo batalhador que precisa matar um leão por dia para sobreviver. E com conscientização mudaremos a mentalidade clientelista dominante para, de fato, uma cidadania plena. Pode parecer clichê e otimismo, mas precisamos de otimismo e até um pouco de utopia às vezes para transformar realidades desfavoráveis em algo melhor.

Que os próximos 30 anos sejam de mais vitórias do que derrotas e das derrotas se extraia aprendizado.