Uma reflexão Política da Sexta-feira Santa

Lucas de Freitas

Eis o dia que os cristãos, como eu, supostamente recordamos que mataram o libertador e salvador da humanidade. Digo supostamente, porque nos preocupamos com tudo: o bacalhau, o churrasco pra provocar os que comem bacalhau, as discussões se não deveríamos nem comer churrasco nem bacalhau, se o chocolate em forma de ovo gigante já foi dado, se a decoração das igrejas está boa, e, até com um apogeu – se as crianças acreditam no coelho ou no Jesus.

Entretanto, só aí estão as preocupações. Só nisto estão presas as lamentações.

 

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Na madrugada da sexta-feira da paixão, famílias inteiras que foram açoitadas, sem terem onde morar, sem terem onde comer, novamente foram despejadas sabe-se lá pra onde. Estas famílias estavam tendo suspiros de esperança ao ocuparem um prédio da TELERJ/Oi, no Rio de Janeiro, simplesmente abandonado há anos, mas a esperança morreu ao som de bombas, balas, num show de despejo animalesco. A esperança morreu na selvageria de um Estado, similar ao que condenou Jesus, onde assassinos são libertos com aplausos e inocentes são humilhados até que chegue sua morte. Onde os inocentes caminham para sua desgraça em volta de uma humanidade que a cospe, que a xinga, que a escracha. “Bando de vagabundos!”; “Deveriam estudar pra crescer na vida.”; “Tem que apanhar mesmo.” E os Pôncios Pilatos da atualidade, lavam suas mãos nas águas da lei: “Afinal, estão ocupando propriedade particular.”

Ora, mas o Cristo relatado na bíblia já não morreu no lugar destes? Ora, o libertador já não havia sofrido numa sexta-feira tudo que a humanidade não precisaria mais sofrer? Verídico, mas a atuação dos que nisso creem está firmada em atos simbólicos, está firmada nas refeições, está firmada em preces. Meramente nem se sabe o que acontece fora das 4 paredes dos templos, similar aos chamados fariseus da época, responsáveis pela condenação de Jesus. Até quando essa Igreja deixará que a história do Cristo seja cíclica ao longo dos séculos? Até quando ela se calará e fechará os olhos, vendo Jesus ao lado realizando sua Via Crucis do século XXI?

O sofrimento de Jesus se repetiu nesta madrugada de sexta-feira Santa, na cidade do Rio de Janeiro. O sofrimento de Jesus se repete e se repetirá todos os dias, até que esta igreja abandone nossas belas tradições, em troca de plenas ações.

Por fim, deixo um verso da Bíblia Sagrada Cristã:
“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.”
– 2 Coríntios 8:9.

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Autor: Lucas de Freitas

Braga, Portugal

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