Entrevista: Rita de Cássia

“Nossa pretensão é deixar um legado de oportunidade aos estudantes”

“A educação é um grande desafio para qualquer gestor, alfabetizar e formar jovens é tarefa delicada e requer dedicação e empenho nas ações que irão ser colocadas em prática, assim como também requer uma equipe preparada e disposta a encarar os obstáculos impostos. Faremos um trabalho em equipe com foco no aprendizado e melhoria da qualidade da educação ofertada em nosso município, descentralizar ações e compartilhar responsabilidades será nossa metodologia de trabalho.”

Rita de Cássia Cruz Pinto

Futura secretária de Educação do município de Tejuçuoca-CE no governo do prefeito eleito Britinho, a partir de sexta-feira, 1° de janeiro de 2021

Como vai a transição com a atual gestão da secretaria de Educação?

O processo de transição tem se consolidado ainda em passos lentos à medida que nos apropriamos de relatórios para adaptação e reorganização da nova gestão, aos poucos estamos reunindo informações e direcionando ações que irão ser implementadas a partir de janeiro.

Já tem um plano ou algumas ideias quando retornar as aulas no municípipio?

Inicialmente teremos que nos planejar ainda levando em consideração o decreto estadual que rege o combate ao novo Coronavírus, por esse motivo o planejamento necessita ser realizado em etapas para que siga as orientações de prevenção. Aguardaremos o novo decreto que será divulgado após o dia 4 de janeiro, este será determinante para as primeiras ações.

É a favor de retornar as aulas mesmo sem vacina ou acha melhor esperar?

Seguiremos as orientações do decreto estadual, pois é necessário resguardar a comunidade estudantil até que tenhamos um plano de imunização e orientação dos órgãos superiores, estaremos nos preparando para aderir um plano seja ele remoto, semi-presencial ou presencial, sempre de forma a preservar a saúde de estudantes e profissionais da educação.

O ano 2021 será de desafios, há que se levar em consideração que 2020 foi um ano extremamente difícil, visto que com o processo de adaptação as aulas remotas foi necessário uma reorganização curricular e metodológica do ensino o que levou a uma defasagem na aprendizagem. Nossa proposta de trabalho terá como foco superar essa defasagem e elevar a aprendizagem de nossos alunos, nós enquanto secretaria de educação com apoio do prefeito Britinho não mediremos esforços para alcançar estes objetivos.

É contra ou a favor de parte do FUNDEB financiar o ensino privado como chegou a ser aprovado na Câmara e o Senado barrou (os deputados mantiveram o texto aprovado pelos senadores)?

Sobre financiamento educacional é importante ressaltar que a vitória de que o FUNDEB continuará com investimento exclusivo para a educação pública nos fortalece e nos anima para que possamos desenvolver e potencializar nossa rede de ensino.

O que gostaria de deixar de legado na sua passagem pela secretaria?

Na gestão do prefeito Britinho a educação será prioridade, a secretaria de educação fará um trabalho voltado à elevação da aprendizagem de nossos alunos e incentivar o protagonismo de nossos jovens estudantes. Nossa pretensão é deixar um legado de oportunidade aos estudantes para que desenvolvam suas habilidades e elevem seu conhecimento e dessa forma construir um futuro melhor.

Venceu a Educação

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A Câmara dos Deputados aprovou na noite de terça-feira (21) em dois turnos o novo FUNDEB. Com a aprovação da PEC 15/2015, de autoria da ex-deputada Raquel Muniz e relatada pela deputada Professora Dorinha Seabra (DEM/TO), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica passa a ser permanente e terá acréscimo escalonado de repasse do governo federal dos atuais 10% até chegar a 23% em 2026. O texto aperfeiçoa também critérios de distribuição. O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou de última hora mexer no texto da relatora para tirar proveito eleitoral.

Depois de ignorar por mais de um ano e meio as discussões na comissão de educação, o governo queria a aplicação das novas regras só em 2022. Alegou que não faltariam recursos para a educação básica em 2021. O problema é que não teria uma lei para garantir essa promessa. Tentou uma manobra fiscal para usar a verba da educação – livre do teto de gasto – para o futuro Renda Brasil, que substituirá o Bolsa Família. Manobra constitucionalmente questionável e de eficácia duvidosa.

Governo queria um voucher para colocar crianças em cheches particulares dizendo que diminuiria o déficit de vagas. Essa turma da equipe econômica do ministro Paulo Guedes deveria sair das suas bolhas e fazer uma visitinha ao mundo real. Poderia diminuir nas grandes e médias cidades, mas e nos rincões afastados sem creches privadas ou com vagas insuficientes?

A verdade é que a guerra cultural travada pelo bolsonarismo paralisou o MEC desde o primeiro dia do governo. Já são quatro ministros em 18 meses. O primeiro foi um colombiano sem experiência administrativa indicado por Olavo de Carvalho. Sem experiência no setor público educacional e após ser ridicularizado por falta de projetos pela deputada Tabata Amaral (PDT-SP), caiu.

Para o lugar de Ricardo Velez Rodriguez, o bufão Abraham Weintraub. A “balbúrdia” se instalou desde o primeiro dia da gestão Weintraub. Não soube explicar a diferença de contingenciamento orçamentário de corte, cometeu erros crassos de português no Twitter e em documentos oficiais, brigou com o mundo “comunista” acadêmico, criou confusão com o Congresso, STF, a China. A sua permanência no cargo ficou insustentável após a reunião ministerial de 22/04 ao mostrar seu descontentamento com uma aproximação do governo com a classe política (especialmente o baixo clero do centrão) e sua vontade de prender os políticos e ministros do STF. O ex-ministro responde a dois inquéritos, um que desceu para primeira instância ele é acusado de racismo contra o povo chinês e outro para investigar sua fala na reunião ministerial que continua no STF.

Bolsonaro tentou o militar Carlos Alberto Decotelli. Caiu antes de tomar posse após ser descoberto que ele é um mitomaníaco de currículo. O presidente resolveu colocar o pastor evangélico Milton Ribeiro, que mal sentou na cadeira e foi diagnosticado com COVID-19. Mas o pior foi ter tido suas funções usurpadas pelo ministério da Economia na discussão do FUNDEB.

A vitória ainda parcial de ontem – tem a votação no Senado – não foi da oposição e da esquerda, foi da educação brasileira que corria risco de retroceder anos sem a garantia de receita no próximo ano e as mudanças no texto propostas pelo governo tivessem sido aprovadas. Somaria a um quadro já ruim pela estúpida guerra ideológica e a paralisação de meses das aulas por causa da pandemia. Os quase 500 votos nos dois turnos foram possíveis pela mobilização a favor da educação que juntou pessoas de centro, direita e esquerda em uma verdadeira frente ampla.

Que sejam lembrados os 7 parlamentares que votaram contra e os governadores que não assinaram carta em apoio ao projeto do Congresso Nacional para o FUNDEB.

Augusto Nunes, o covarde, ataca novamente

Augusto Nunes, o covarde, é um extremista que encontrou a sua turma

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Tive o desprazer de assistir um comentário intelectualmente desonesto e moralmente canalha do jornalista (envergonha a classe) Augusto Nunes, na Record TV. O comentário foi justificando o fracasso do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub.

Augusto culpou o apagão gerencial no MEC não pela beligerância e a incompetência administrativa de Weintraub, que ficava mais tempo no Twitter xingando quem julgava inimigos na sua guerra ideológica contra o comunismo, globalismo, marxismo cultural, do que trabalhando para, de fato, melhorar a educação brasileira. Para o comentarista faltou tempo e meios ao ex-ministro para “extirpar” o que chamou de “tumores” que Weintraub diagnosticou. Em pouco mais de 1 minuto atacou covardemente (ser covarde é uma das suas especialidades) professores, reitores de universidades públicas, alunos, a expansão de universidades federais mostrando o seu desconhecimento sobre o tema e seu elitismo.

Augusto Nunes já era um ser abominável, mas ao passar do tempo conseguiu multiplicar a sua canalhice. Os canalhas também envelhecem. Não se sabe se cumprindo ordens dos seus patrões – Bispo Macedo e Tutinha (Jovem Pan) – ou por convicção ideológica, o velhaco se “vendeu” de corpo e alma ao governo Bolsonaro. Deve juntar o útil ao agradável. Nutre um ódio ao PT, Lula e a esquerda em geral ultrapassando o normal de uma pessoal que escolhe ser liberal, conservador, progressista, defensor de uma economia mais estatal ou capitalista.

Augusto Nunes, o covarde, é um extremista que encontrou a sua turma e o seu comentário (assista se tiver estômago forte) mostra o lixo que é (nem precisava, já se conhecia sua índole).

Leonardo Nassar, do canal no Youtube Professor Leonardo, respondeu a este comentário boçal contra a comunidade educacional brasileira.

Primeira infância: O investimento que muda tudo

Ao contrário do que muitas pessoas pensam as creches não são importantes apenas para que os membros da família possam ter tempo para trabalhar. Esses espaços são muito importantes para o convívio com outras crianças e também com profissionais multidisciplinares para acompanhar e facilitar o desenvolvimento infantil em seus mais amplos aspectos

Janaína Lima

Pensamos todos os dias em qual seria a fórmula para resolver a maior parte dos problemas da sociedade com uma única medida. Se quisermos mudar tudo, qual deve ser o foco?

Como vereadora, trabalho em diversas áreas buscando melhorias para São Paulo. Se eu tivesse que escolher apenas um único foco para atuar, no entanto, não teria dúvidas de que seria a primeira infância! O investimento nas crianças é o certo a se fazer e neste artigo vou explicar os motivos.

Nasci e cresci no Capão Redondo, um dos bairros mais pobres da capital paulista. Ter tido acesso a uma educação básica que, apesar de simples, me deu o apoio de pessoas incríveis, foi o que mudou a minha vida. Pude desenvolver minhas capacidades e tive a chance de me tornar a pessoa que sou hoje. Como cidadã e vereadora, me sinto na obrigação de trabalhar para ampliar o acesso aos serviços na primeira infância.

Os primeiros anos de vida de indivíduos são essenciais para determinar quem ele será no futuro. Já está comprovado cientificamente que é dos zero a seis anos, a chamada primeira infância, que as habilidades cognitivas e sociais estão em formação e devem ser estimuladas: logo após o nascimento, os neurônios já fazem 2500 sinapses. Elas atingem trilhões – o dobro do que nos adultos – com a marca impressionante de 700 conexões por segundo.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam as creches não são importantes apenas para que os membros da família possam ter tempo para trabalhar. Esses espaços são muito importantes para o convívio com outras crianças e também com profissionais multidisciplinares para acompanhar e facilitar o desenvolvimento infantil em seus mais amplos aspectos.

Acompanho de perto as atividades da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, focada no desenvolvimento na primeira infância. A entidade realizou um estudo bem interessante que mostra que crianças expostas a menos oportunidades de desenvolvimento tendem a se tornarem adultos pobres. É o chamado “ciclo intergeracional da pobreza”.

O ganhador do Prêmio Nobel de Economia, James Heckman, coordenou um estudo que mostra que os indivíduos que tiveram estímulos adequados tendem a serem profissionais com rendimentos até 60% maiores em relação àqueles que não frequentam creches ou não tiveram acesso à educação infantil.

Além dos benefícios individuais, a Equação Heckman, como é chamada sua teoria, mostra que o desenvolvimento individual pode também proporcionar sucesso econômico para um país. Pesquisas realizadas por ele e sua equipe comprovam que crianças com boas oportunidades na primeira infância tendem a se envolver menos com crimes e a criar relações estáveis.

Heckman também desenvolveu um gráfico que mostra que a educação infantil tem um ROI (sigla em inglês para retorno sobre o investimento) maior que qualquer outro, incluindo ações para ensino médio e superior. De acordo com o Perry Project, um programa realizado numa pré-escola pública em Michigan, nos Estados Unidos, comprovou que cada dólar investido no desenvolvimento de habilidades cognitivas para a prevenção à violência na primeira infância gera um retorno à sociedade de 7 dólares no longo prazo.

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A Primeira Infância em São Paulo

Sendo a única lei brasileira com apoio de um Prêmio Nobel, de James Heckman, em 2017 aprovei o Marco Legal da Primeira Infância com o apoio de 51 Vereadores de 16 partidos diferentes. O projeto estabelece diretrizes essenciais que devem nortear a Administração Pública no desenvolvimento de suas políticas e ações que tenham como público alvo a criança durante os seus primeiros seis anos de vida, incluindo também o suporte às mães durante a gestação. E o melhor de tudo: será feito de maneira conjunta e participativa entre todos os setores e órgãos municipais que atuam em áreas que têm competências diretas ou relacionadas à vida e desenvolvimento das crianças, como secretarias de Educação, Saúde, Cultura, Assistência Social e Direitos Humanos, além da sociedade-civil organizada, iniciativa privada, famílias e até das próprias crianças.

Os resultados já estão sendo colhidos: criei mais de 55 mil vagas de creches para crianças paulistanas e zerei o déficit em pré-escolas alinhando as políticas públicas ao que existe de mais avançado na neurociência e desenvolvimento pedagógico. Fruto da lei também a construção de CEUs (Centro de Educação Unificada) para a Primeira Infância, o aumento da vacinação, pré-natal e amamentação, com a consequente redução da mortalidade infantil na cidade. Também foram criadas a Semana da Primeira Infância, a Semana do Brincar com São Paulo sendo a capital mundial do brincar, o Grupo de Trabalho e a Frente Parlamentar pela Primeira Infância. Também construí parcerias com grandes organizações internacionais pela primeira infância como a Fundação Bernard Van Leer, com a qual construímos primeiro projeto de Território Educador, no Campo Limpo, e o Boston Basics, com quem lançamos a campanha São Paulo Basics.

Entendendo a importância de dar cada vez mais autonomia para as famílias sobre a educação de suas crianças e pensando novos modelos para conseguir zerar a fila de espera em creches em São Paulo, iniciei na Câmara Municipal o debate sobre o modelo de vale educacional. A ideia, inspirada nas teorias do economista Milton Friedman, já está em uso em países como Estados Unidos, Suécia e Chile e entrou em vigor em São Paulo no fim do ano passado. Um projeto do Executivo criou o Vale Educação, que criará 20 mil vagas em creches em 2020 pagando por vagas em instituições privadas para os pequenos que estão na fila de espera. Quem ainda assim não conseguir e atender critérios de vulnerabilidade receberá a Bolsa Primeira Infância.

A cidade já avançou muito e cumpro meu dever como Vereadora e cidadã ao saber que trabalho para lançar as bases para um futuro melhor para São Paulo e para o país.

*JANAÍNA LIMA É VEREADORA DA CIDADE DE SÃO PAULO PELO PARTIDO NOVO

Ministro da Educação desmonta narrativa de petista no Senado

Os cortes na educação vem antes de se cogitar impeachment, vem do final do primeiro mandato de Dilma Rousseff

O Ministro da Educação foi ao Senado Federal para prestação de contas na comissão de educação. Rossieli Soares da Silva (substituto de Mendonça Filho ao deixar o cargo para ser candidato nas eleições de outubro) foi recebido com certa agressividade pela senadora Fátima Bezerra (PT/RN), que tentou colocar na conta do atual governo, do golpe, de Eduardo Cunha, do próprio ministro que está pouco mais de um mês na pasta, da PEC 95 apelidada de “PEC da morte” os cortes na educação brasileira.

Mas o ministro usou os próprios dados levados pela senadora contra a narrativa da esquerda. Os cortes na educação vem antes de se cogitar impeachment, vem do final do primeiro mandato de Dilma Rousseff, no orçamento de 2014 para 2015.

O ministro mostrou que os cortes começaram antes da eleição de 2014, no governo petista de Dilma, como resultado da crise que iniciava-se. A senadora esqueceu de olhar o calendário na hora de fazer os gráficos para não passar vergonha, já que a reunião da comissão foi transmitida pela TV Senado para todo Brasil e via internet. Mais importante, o ministro defendeu a austeridade fiscal por ter sido a gastança farta que levou a economia para o colapso e só com a volta do crescimento que poderá ser discutido aumento de verbas no sistema educacional brasileiro. E crescimento só vai voltar com as finanças públicas em ordem novamente.