Os institutos de pesquisas já vinham perdendo credibilidade nas eleições anteriores. Em 2018, os resultados das pesquisas de véspera comparados com o resultado oficial teve um abismo injustificável e seus representantes preferiram culpar a imprevisibilidade desta eleição, o Whatsapp, fake news, um movimento de última hora que quando o eleitor realmente decide seu voto tanto para presidente, governador e cargos do legislativo. Nada de fazer uma autocrítica nas metodologias de cada instituto e reconhecer que erraram e erraram feio.
O que assombrou foi nas disputas estaduais para o governo e para o Senado. Minas Gerais e Rio Janeiro foram os grandes exemplos, já São Paulo a maior supressa ficou na segunda vaga para o segundo turno entre Márcio França (PSB) e Paulo Skaf (MDB) e as duas vagas do Senado, que Eduardo Suplicy (PT) liderou todas as pesquisas até a véspera e terminou a eleição em terceiro lugar.
Para o governo paulista, os institutos de pesquisa até pegaram a onda favorável ao socialista, mas não pegaram na mesma velocidade a descida do Skaf. Contando a margem de erro o Datafolha errou em 3 pontos o resultado do Paulo Skaf, enquanto o Ibope foi ainda pior e errou em 7 pontos, isso contando com a margem de erro que cada instituto coloca.
Em Minas e no Rio os erros foram ainda mais assombrosos. Mas os institutos erram também na disputa presidencial. Tiveram erros menores, mas significativos. Ibope e Datafolha davam Jair Bolsonaro (PSL) com 40% e 41% na véspera do primeiro turno. Ao final da votação, Bolsonaro teve 46%. Levando em conta a margem de erro a diferença ficou em 4 e 3 pontos para cada instituto acima da margem de erro (2). Erraram também a votação de Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), mas no caso dos três dentro da margem de erro.
Prefiro acreditar que sejam erros normais, que pesquisas não são para acertar os resultados das urnas e sim para apontar tendências. Ocorre que o negócio está fugindo do controle e muita gente decide o seu voto pelos números das pesquisas. Quanto mais for o grau de acerto mais confiável será a pesquisa. Os institutos precisam parar de encontrar culpados e melhorar suas metodologias. Também parar de fazer simulação de segundo turno no primeiro que só serve para os candidatos explorarem eleitoralmente.
Se for para errar sucessivamente, então é melhor não fazer pesquisa ou só realizar pesquisa de boca de urna.



