
A eleição do próximo domingo é a mais importante desde 1988. São 30 anos de uma imperfeita democracia, mas melhor que qualquer outra coisa não democrática. Apesar de achar a Constituição Cidadã muito extensa com excessos de direitos e menos deveres, é o melhor possível e quem acha que é culpada pelos males do Brasil não sabe o perigo de ter uma nova Constituição redigida pelos atuais políticos. As imprecisões dessa jovem democracia aflorou um sentimento de mudança na ampla maioria da população e esta está se agarrando no primeiro que soube fazer a leitura do fim de um ciclo político que ficou velho antes do tempo por culpa dos próprios autores.
Jair Bolsonaro tem muito mérito de está quase vencendo a eleição no primeiro turno com 8 segundos na TV, sem fundo partidário e eleitoral em abundância, contra 99% da grande mídia mais o reforço da mídia internacional, de ter sofrido um atentado de um maluco com uma faca tendo que passar por duas sérias cirurgias impossibilitando de fazer campanha na rua do mesmo jeito que alicerçou e construiu sua popularidade. Mesmo assim está conseguindo fidelizar o seu cativo eleitorado e aglutinar quem não quer nem pensar no PT de volta apenas com um smartphone.
Não muito tempo já cheguei a cogitar o voto em Jair. Analisando com mais cuidado percebi que certos valores são inegociáveis e não vale tudo por ser anti. Ser antipetista é um direito assim como votar em quem quiser. O bacana da democracia é isso e ninguém pode impedir nem mesmo questionar. Agora, votar em Bolsonaro é entregar o Brasil a um futuro incerto e prolongar um ciclo bélico iniciado em 2013. Não estou deixando de votar no Bolsonaro pelas acusações de ser machista, misógino, racista. Não me sinto apto a votar no capitão é pelo seu histórico de insubordinação no Exército, pelos quase 30 anos sendo deputado do baixo clero votando contra o que eu sou a favor, pela falta de experiência para o cargo de presidente do país – já bastam Collor e Dilma – e o que mais me afastou foram alguns apoiadores, militantes e pessoas do ciclo de confiança. Estas pessoas afastam quem tem o mínimo de simpatia pelo candidato.
Reconduzir o PT de volta ao poder é dobrar a aposta no que deu errado e entregar um cheque em branco a quem está sedento por vingança pelo impeachment e a prisão de Lula e fazer o que não fez quando governo: “tomar o poder”. Mas dentro do possível é mais fácil você controlar uma ameaça que você já conhece. O petismo no governo enganou e fez coisa reprovável no campo moral, da ética e econômico, como também teve virtudes retirando milhões da pobreza extrema com ajuda de programas de governos anteriores.
Não significa que votarei no PT amanhã ou vou fazer “voto útil contra os extremos”. Voto útil no primeiro turno é uma bobagem. Na primeira etapa de uma eleição, com uma oferta de opções mais ampla, não votar naquele candidato que demonstrou na campanha mais afinidade de ideias com você por não ter chance de segundo turno é desperdiçar o voto.
Nesse quesito de mais alinhamento, João Amoêdo é quem mais chega perto. Tenho muitas divergências do jeito de pensar a política do Partido Novo, só que em política o ideal é inimigo do bom – justamente isso que muitos do Novo e o próprio Amoêdo não entendem. No entanto, a concepção do que tem que ser um governo a proposta do Novo é a que chega mais perto do que penso.
Já no segundo turno, Ciro Gomes é quem vejo com mais chance de trazer um pouco de normalidade a um país em chamas e rachado. A experiência administrativa de Ciro é o seu grande ativo. Ele é o aglutinador do anti-Bolsonaro e anti-PT. Terá meu voto se virar e passar para o segundo turno, mesmo abominando parte de suas ideias econômicas. Se passar Fernando Haddad, o Brasil vai ter mais quatro anos de guerra ideológica e os eleitores de Bolsonaro, inclusive o próprio, não aceitarão o resultado acusando fraude nas urnas eletrônicas – eleitores petistas jogarão a culpa de uma derrota no impedimento da candidatura de Lula e no cancelamento de 3 milhões de títulos de pessoas que não fizeram a biometria obrigatória.
Posso estar enganado e Bolsonaro fazer um grande governo, democrático e próspero calando quem acha ele um fascista, mas não estou disposto a arriscar.



