Maioria apoia fim da 6×1, mas não vincula ao voto

Pesquisa sobre o fim da escala 6×1 joga água fria na estratégia do governo Lula (PT) para atrair votos pela reeleição.

A grande maioria aprova o fim dessa escala.

Mas a maioria também diz que não influenciaria no seu voto a um candidato que apoia ou não essa proposta.

Perfeitamente possível apoiar o fim dessa escala que remete à escravidão e não se comprometer a votar em candidatos que apoiam essa pauta. Afinal, não existe somente essa causa por mais importante que seja.

Ciro x Elmano

Faltando 1 mês para a eleição, que será em 4 de outubro o 1º turno, Ciro Gomes (PSDB) mantém a liderança na disputa pelo governo do Ceará contra o atual governador Elmano de Freitas (PT). Como não tem uma terceira candidatura competitiva, a disputa deles é praticamente um 2º turno antecipado.

Nesta quinta-feira, 2 pesquisas (Atlas e Datafolha) foram divulgadas e mostram Ciro com 48,4% contra 45,8% do Elmano; no Datafolha Ciro tem 46% contra 37% do Elmano. Já era esperado o atual governador subir no Datafolha e deve subir mais uns pontos na próxima pesquisa. O vencedor não terá uma larga vantagem.

Resta saber se Ciro resistirá a força da máquina e a maioria da população cearense continuará com ele por mudança no governo. Na reta final a campanha petista vai intensificar o uso da imagem de Lula tentando fazer quem vota no presidente votar no Elmano e usará todas as estratégias (limpas e não tão limpas) para não perder o comando do estado.

“Fenômeno” Cury ou é cedo?

Pesquisa Nexus/BTG deu movimentada na corrida presidencial. Pela primeira vez um candidato fora da polarização chegou a dois dígitos em intenções de voto.

Para surpresa de geral, não foi os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), nem Renan Santos (Missão). Foi Augusto Cury (Avante), o escritor já vinha tendo um ganho de seguidores nas redes sociais gerando desconfiança de alguns que poderia ser artificial.

Com essa pesquisa se confirma a percepção que a candidatura de Cury está ganhando tração. O seu limite é uma incógnita. Pode continuar subindo, estagnar ou voltar pra trás.

Vai depender da sua estratégica na reta final e o curso natural da campanha com suas imprevisibilidades. Sem falar que agora passa ser alvo dos adversários. É bom o escritor se preparar que sua vida será revirada. Não vai mais passar batido de ataques diretos e indiretos pelos adversários e militância (paga e não paga).

Falta de escrúpulo

A eleição para governador de Pernambuco coloca frente a frente a atual governadora Raquel Lyra contra João Campos. Filho de Eduardo Campos, João deixou a prefeitura do Recife para disputar contra Lyra. Investindo pesado na comunicação, o prefeito foi reeleito em 2024 com mais de 80% e pela sua popularidade foi chamado por vários candidatos em outras cidades para ajudar a ganhar votos.

João Campos é cotado para ser um dos herdeiros políticos de Lula e na pré-campanha seus números nas pesquisas indicava vitória no primeiro turno. Só que em um intervalo de poucos meses o jogo virou e Raquel passou a liderar as pesquisas também ganhando no primeiro turno. O que gerou acusação de um “gabinete do ódio” da governadora para difamar o ex-prefeito.

Chegaram ao ponto de espalhar que Raquel Lyra teria mandado matar o próprio marido para vencer a eleição de 2022. É uma crueldade insinuar algo tão grave. João Campos se mostrou indignado pedindo investigação para saber quem foi o autor e não aceitará que acusem que foi a sua campanha. É claro que precisa ser investigado, mas não acredito que descubram o autor. Pode ter sido alguém que falou em algum lugar – pessoalmente ou virtualmente – e a teoria foi crescendo ao ponto de outra pessoa imprimir panfletos apócrifos e espalhar pela cidade.

Mas não convence muito a indignação do candidato. Eu lembro o que fizeram com Marília Arraes em 2020. A disputa dos primos pela prefeitura do Recife foi igual ou mais polarizada. Acusações de parte a parte e panfletos apócrifos contra a candidata à época no PT. E hoje Marília é sua aliada e candidata ao Senado na sua chapa, assim como Marina Silva perdoou o que o PT fez com ela em 2014. Toda disputa eleitoral quanto mais polarizada, mais o clima é propício para baixaria de todo tipo e o poder cega as pessoas. Mas o vale tudo político deve ter algum limite.

Primerio horário eleitoral dos presidenciáveis

Começou o horário eleitoral dos candidatos a presidente da República. Dos 13 registrados apenas 4 passam na cláusula de barreira e tem direito a tempo na TV e no rádio.

Augusto Cury (Avante)
Com apenas 34 segundos, o escritor e psiquiatra reforçou o discurso contra a polarização.

Ronaldo Caiado (PSD)
O primeiro programa do candidato fez uma apresentação dele do início da entrada na política até ser governador de Goiás, mostrando feitos no governo daquele estado e apresentando sua família.

Flavio Bolsonaro (PL)
Começou mostrando o seu pai, mas como gancho para mostrar os outros membros da família focando na sua esposa, filhas e sua mãe para chegar no eleitorado feminino. Mostrou seu histórico político e questionou o estado atual da economia brasileira.

Lula (PT)
Presidente Lula foi o último desse primeiro dia. O programa começou o Lula atual escrevendo uma a carta ao Lula de quase 50 anos atrás para informa-lo que valeu a luta. O presidente reforçou que o atual mandato foi de reconstrução e o Brasil está pronto para mais. O programa fechou focando nas mulheres com a primeira-dama.