Família Bolsonaro quer súditos

A guerra aberta no bolsonarismo em Santa Catarina por causa da candidatura de Carlos Bolsonaro para o Senado imposta por Jair Bolsonaro causou fissuras neste campo político, já debilitado pela condenação por tentiva de golpe de estado do seu líder, que logo começará a cumprir a pena.

Faz parte da família Bolsonaro largar aliados pelo meio do caminho. Basta o mínimo de divergência e a pessoa passa a ser “traidor”, infiltrado” e outros adjetivos piores. A família Bolsonaro se acha dona da direita brasileira.

Ana Campagnolo está passando pelo que passou Julian Lemos, Gustavo Bebianno, General Santos Cruz, Joice Hasselmann e muito outros que foram não só expulsos do grupo bolsonarista, mas tiveram uma verdadeira campanha de linchamento virtual para acabar com as suas reputações apenas por discordâncias.

A guerra no estado mais bolsonarista do Brasil pode rachar o bolsonarismo e comprometer os planos do PL para 2026.

Confirmação da cassação de Selma Arruda prova, mais uma vez, que paladinos “pecam”

Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”

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Na noite de terça-feira (10), o TSE retornou o julgamento de apelação da senadora Selma Arruda (Podemos/MT). Na semana passada o relator Og Fernandes votou para manter a perda do mandato imposta pelo TRE/MT e convocação de uma eleição suplementar para preencher a vaga aberta. É um duro golpe na bancada lava-jatista no Senado Federal.

O placar contra a senadora ficou em 6 a 1. Nem o lava-jatista Barroso teve coragem de votar a favor da senadora. Apenas outro lava-jatista Edson Fachin, que é conterrâneo e amigo de Alvaro Dias, liderança do partido que Selma está filiada, votou a favor da ré.

Selma Arruda teve arredondados 25% dos votos válidos na disputa por duas vagas de senadores do estado de Mato Grosso. Terminou a disputa com a primeira vaga. Selma fez fama como juíza e ganhou o apelido de “Moro de saia”, saiu para ser candidata pelo PSL, brigou com Flavio Bolsonaro por apoiar uma CPI para investigar ministros do STF e STJ, foi para o Podemos de Alvaro Dias.

Podemos é um partido alinhado com as pautas da “República de Curitiba” e do ministro Sergio Moro. Faz parte da tropa do Moro atiçando contra as instituições. A cassação da senadora é um recado direto das mesmas e uma vitória do Estado de Direito, da própria política e democracia. E, mais do que isso, contra a impunidade que esse pessoal tanto faz discursos, afinal, ela foi pega cometendo sérias irregularidades como contratação de serviços de campanha fora do prazo, não declarou quantias volumosas confirmando caixa 2, abuso de poder econômico e político que desequilibrou a disputa eleitoral.

Mais uma lição que paladinos da moral e da ética também “pecam”, como foi no episódio do também senador Demóstenes Torres.

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STF colocando trava na porta que deixou arrombar

A decisão do presidente Dias Toffoli é a mais concreta ação em defesa do individuo contra a mão pesada do Estado

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Dias Toffoli paralisou toda investigação referente ao caso Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz. Como presidente do STF e o tribunal em recesso, ele é quem despacha o que chega nesse período por lá. Flávio é acusado de ter montado um esquema chamado de “rachadinha”, prática que servidores do gabinete de um político devolvem parte do salário. Ficou determinado a espera de análise dos outros ministros que investigações não podem fazer uso de dados fiscais para ações penais sem autorização judicial. Sua decisão está sendo contestada por procuradores e defensores da Lava Jato, principalmente pelos jagunços de procuradores na imprensa.

Alegam que tal decisão de Toffoli inviabiliza processos da Lava Jato que fez uso do mesmo expediente do MP/RJ, ao ter acesso a dados do COAF, Receita Federal e Banco Central sem autorização judicial. E vazando para a imprensa assim como fez o MP fluminense no caso do então deputado estadual.

Independente se a decisão do ministro atinge processos da Lava Jato, o que precisa ficar claro é que a decisão é correta e tarde. É o freio de arrumação que o STF está fazendo nos abusos do Ministério Público, seja federal ou nos estados. O MP se viu desimpedido para cometer abusos nos últimos anos e o STF negligenciou ou em vários momentos foi partícipe no mandato da ex-presidente Cármen Lúcia criando um monstro que não perde a chance de jogar os seguidores da operação contra o tribunal quando seus desejos não são correspondidos.

Foi aberta a porta do abuso de autoridade. Por ela passou até irregularidades graves cometidas em nome de um “novo tempo” e pelas últimas mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil e seus parceiros, não foi apenas para “moralizar” a política. Teve gente se aproveitando para o velho e bom lucro financeiro via palestras atropelando regras internas do MP. Procuradores da Lava Jato tentaram administrar um Estado paralelo com a fundação com dinheiro recuperado da Petrobras, mas tiveram que recuar de tão irregular a prática era e pegou muito mal até para uma parte de seus apoiadores.

Aqui não importa se a decisão é favorável ao Flávio Bolsonaro. Precisou um que se beneficiou dessa terra sem lei, aplaudia e incentivava abusos que agora é vítima para tomar uma atitude. Não importa quem pode se beneficiar. Se Lula, Flávio ou quem quer se seja, nem se a decisão de Toffoli foi pensada para criar jurisprudência. A decisão do presidente Dias Toffoli é a mais concreta ação em defesa do individuo contra a mão pesada do Estado burlando leis e normas. Se fizeram o que fizeram com gente poderosa, essa gente não teria escrúpulos para fazer o mesmo com cidadãos sem poder político ou financeiro.