Estádio em Volta Redonda oferece serviços à comunidade durante toda a semana. Foto: O Globo
Wanderson Ferreira
A FIFA surpreendeu a todos nós em 2009 quando anunciou Manaus, Cuiabá e Brasília como sub-sedes para a Copa de 2014. Questionado sobre isso em entrevista ao ‘Roda Viva’ da última segunda-feira (08/04), o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), afirmou “quem é contra a Arena de Manaus tem preconceito contra o Norte”. O questionamento não advém de um preconceito contra a Região Norte, mas surge do fato de que esses estados têm um futebol semi-profissional e não estão representados nas principais divisões do Campeonato Brasileiro.
Pois bem: se os estádios não terão uso compatível com o investimento de R$ 1 bilhão, para quê investir isso tudo neles? Será que um estádio em Belém e em Goiânia não seria melhor? Essas questões, que pelo visto o ministro chamaria de preconceituosas, são essenciais para compreender que o critério esportivo passou longe nas escolhas do Comitê Organizador Local (COL) e da FIFA. O estádio de R$ 532 milhões que não receberá futebol em alto nível por alguns anos após a Copa.
E aqui cabe uma sugestão ao Governo do Amazonas e do Mato Grosso: por que não fazer como o Raulino de Oliveira (Volta Redonda/RJ) e utilizar o estádio também para atender a população de Manaus e Cuiabá com cursos e serviços médicos?
O estádio de Volta Redonda tem academias da Vida e da Terceira Idade, a Ótica da Cidadania, o Centro de Reabilitação para Cardíacos, o Núcleo de Fisioterapia, o Centro de Ensino à Distância (CEDERJ), a Policlínica da Cidadania, o Centro de Imagens e a Biblioteca Virtual de Saúde.
Em todo o país, há uma demanda por serviços. Fazer as Arenas serem algo além do esporte e lazer é uma forma de dar o mínimo retorno que o povo merece. Usar os estádios durante a semana como um centro social pode ser uma forma também de fazer o cidadão gostar do estádio.
Após o fim da Copa, o estádio de Manaus e de Cuiabá receberá jogos do campeonato estadual e da 3º divisão do Brasileiro. Será mais fácil fazer o pai de família, por exemplo, em um sábado às 16 horas, levar o seu filho ao estádio em que o garoto faz um curso durante a semana ou aonde é atendido. Isso se o estádio (ou até o entorno) tiver espaço físico interno para fazer isso.
Sem preconceitos e sem demagogia, fica a sugestão, ministro Aldo Rebelo.
Nas Eleições de 2010, tivemos, em vários estados, muitos candidatos, digamos, inusitados. O mais conhecido deles foi Tiririca (PR/SP), o mais votado do Brasil. Se o palhaço foi o que mais causou barulho em terras paulistas, no Rio de Janeiro a surpresa ficou por conta de um polêmico ex-jogador de futebol: Romário (PSB), eleito com uma margem expressiva de votos.
A eleição do Baixinho, como era de se esperar, esteve cercada de desconfianças. Era difícil acreditar que um ex-jogador, que nunca foi dos mais disciplinados, pudesse fazer um trabalho minimamente sério em Brasília. O tempo mostraria que, bem ou mal, estávamos enganados…
O Deputado Romário
Se a fama do jogador no quesito disciplinar não era das melhores, uma coisa Romário tinha a seu favor: a conhecidíssima ausência de papas na língua e de medo de falar o que pensa, ambas fundamentais para um bom político. Até porque, sejamos sinceros, quem diz que o maior jogador da história do futebol “calado, é um poeta”, não deve ter medo de muita gente, mesmo…
E foi assim que Romário rapidamente chamou a atenção no Congresso Nacional. Defendendo o esporte, batendo de frente com seus mandatários. Não demorou para que ele escolhesse seu principal alvo: a CBF. Nos pouco mais de dois anos em que atua como deputado, o craque da Copa de 94 declarou guerra ao Presidente da instituição, José Maria Marin (como havia declarado ao antecessor, Ricardo Teixeira), denunciando vários podres do homem, inclusive os de muito atrás, como sua possível participação na morte do jornalista Vladmir Herzog, lá nos tempos da ditadura militar, que, aliás, teve a suspeita participação do referido Presidente.
Toda essa guerra fez com que a Eleição de Romário continuasse causando barulho na mídia, só que, dessa vez, de maneira altamente positiva. A maioria dos veículos jornalísticos passou a ver o Baixinho como um herói, disposto a lutar pelo nosso futebol de maneira honesta, colocando a ética e a transparência acima de tudo. Não é bem assim que a banda toca, mas, sobre isso falamos daqui a pouco…
A CBF
Por muitos anos, de 1989 a 2012, o futebol brasileiro esteve nas mãos de um homem: Ricardo Teixeira. Nesse período, muita coisa aconteceu. De várias viradas de mesa a escolha do Brasil como sede da Copa de 2014, da máfia do apito a dois títulos mundiais da Seleção Canarinho. Nos períodos bons ou nos períodos ruins, a administração de Teixeira sempre esteve sob suspeita. Nesses vinte e três anos, não faltaram acusações e escândalos: da muamba trazida dos EUA depois do tetra à CPIs (sim, no plural) que, via de regra, acabavam em pizza.
Depois de tantas CPIs, denúncias, rede de TV usando essa história para fazer guerra com a concorrente, Teixeira renunciou. Ao mesmo tempo que havia um clima de festa e esperança no ar, todos temíamos pelo seu sucessor. E esse medo viria a ser justificado: em seu lugar, entrou o tal Marin, que, meses antes, havia protagonizado uma cena patética ao roubar a medalha do goleiro reserva do Corinthians, no pódio da Copa São Paulo de Futebol Júnior, vencida pelo alvinegro.
Perto de Marin, Teixeira era um Santo. Com o novo presidente, os escândalos não pararam, a Seleção piorou, os Estaduais se tornaram ainda mais insuportáveis e o descontentamento é geral. Ou seja: mais “material” para Romário, que aumentou a porrada em cima da instituição.
Lembra daquela história da ética? É aqui que ela entra.
A jogada do Baixinho
Conhece o ditado que diz que “se você não pode com o inimigo, junte-se a ele”? É exatamente essa a nova jogada do Deputado. O inimigo, no caso, é conhecido. Uma figura emblemática e fundamental para entender toda essa história: Andrés Sanchez. Considerado o responsável por tirar o Corinthians da Série B e levá-lo ao topo do Mundo, o ex-Presidente do Timão é, hoje, um dos homens mais poderosos do nosso futebol. Mesmo quando era mandatário do clube paulista, Andrés nunca escondeu sua boa relação com os “homens fortes” da CBF, sendo, inclusive, Chefe da Delegação Brasileira na Copa do Mundo de 2010.
Quando, no fim de 2011, seu segundo mandato no Corinthians chegava ao fim, e uma outra reeleição não era permitida, ele entrou de vez na CBF, com o importante cargo de Diretor de Seleções. Só que, na prática, era muito mais que isso. Sua influência era tanta, que chegou a ser cogitado como sucessor de Teixeira, embora sempre tivesse dito que não almejava o cargo. Por tabela, ele também sempre foi alvo de duras críticas do famoso Deputado Romário. Não só porque o “amigo do meu inimigo, é meu inimigo também”, mas porque ele próprio nunca foi um exemplo de honestidade enquanto dirigente.
Só que a administração de Marin é um desastre tão grande, que nem os seus amigos estão gostando. O próprio Andrés não esconde o seu descontentamento, o que ficou claro no episódio da demissão do então técnico da Seleção, Mano Menezes, quando Sanchez declarou publicamente que foi contrariado, entregando, dias depois, o cargo de Diretor de Seleções.
A demissão de Mano Menezes não agradou Andrés Sanchez, que entregou o cargo de Diretor de Seleções: “fui voto vencido”. (Foto: Terceiro Tempo)
E eis que, na última semana, surgiu um movimento de oposição para as Eleições na CBF, que ocorrem no ano que vem. Um dos líderes, claro, é Romário. Mas advinha quem pode vir como candidato pela chapa? Sim, ele, Andrés!!! Dizem, DIZEM, que o também ex-jogador Raí está na jogada, mas eu, particularmente, não acredito nessa hipótese, porque o ex-são paulino não teria a força necessária perante as federações. Tudo indica que Andrés virará oposição e Romário penderá um pouco para a situação. Inimigos unidos, todos felizes e grande chance de Marin rodar.
Não há nada de ilegal nisso, óbvio. Mas será que isso é lá muito ético? Será que isso condiz com os pensamentos do Deputado e os de Andrés, em que todos nós passamos esses anos todos acreditando? Para a última pergunta, a resposta é, evidentemente, não.
O pior de toda essa história é a incerteza de todos nós, amantes do futebol. E se Marin, de fato, sair? Vai melhorar? Vai piorar? Vai ficar a mesma coisa?
Uma coisa, porém, é certa: dificilmente teremos uma oposição como a que temos hoje. O risco de voltar para a estaca zero, infelizmente, é alto.
Só nos resta torcer para que haja um deus do Futebol e, principalmente, que ele seja brasileiro.
Na próxima terça-feira, primeiro de janeiro, serão empossados todos os Prefeitos que venceram as Eleições Municipais de outubro desse ano. O primeiro dia de 2013 também será aquele em que faltarão apenas (ou “apenas”, como queiram) 528 dias para a abertura da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada em solo brasileiro.
Logo, os novos comandantes do poder executivo das cidades-sede, serão os responsáveis pela fase conclusiva dos preparativos para o maior torneio de futebol do Planeta.
Prefeitos reeleitos, ou com o apoio dos que deixarão o cargo no dia 31, deverão continuar com os projetos desenvolvidos em seus respectivos municípios. Já nas cidades onde houve troca de comando, poderão haver algumas mudanças no trajeto que levará ao Mundial.
Por isso, o blog faz um balanço do trabalho dos novos (ou não) prefeitos nas cidades – algumas com as obras mais avançadas, outras correndo contra o tempo – que receberão a Copa.
Belo Horizonte
Prefeito Atual: Márcio Lacerda (PSB)
Prefeito Eleito: Márcio Lacerda (PSB)
Estádio da Copa: Mineirão.
Márcio Lacerda é um dos Prefeitos que terão o trabalho mais tranquilo quando o assunto é Copa do Mundo. Reeleito no primeiro turno das Eleições na capital mineira, Lacerda iniciará seu segundo mandato com o Estádio do Mineirãojá reinaugurado. Nos primeiros meses do ano, o palco de Minas Gerais para a Copa já deve receber alguns jogos do Campeonato Mineiro, incluindo, é claro, o clássico Cruzeiro x Atlético.
Presidente Dilma Rousseff junto com o Governador Antonio Anastasia na reinauguração do Estádio do Mineirão. (Foto: Osmar Freire/Imprensa MG)
Outra obra que está avançada é a da BRT Antônio Carlos/Pedro I, um corredor de 16 km e 25 estações, ligando o Aeroporto de Confins, ao Estádio do Mineirão, aos centros hoteleiro e da cidade. Segundo a Prefeitura, as obras estão em fase de acabamento. Vale lembrar que, em março de 2012, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais suspendeu a licitação para as obras, algo que é negado pela Prefeitura (mais detalhes, aqui, aqui e aqui). Também estão sendo cumpridos no prazo os trabalhos no Corredor Pedro II, que ligará importantes vias de acesso da cidade ao Mineirão.
As obras no Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) devem ser concluídas em dezembro do ano que vem. Lembrando que, em junho, a cidade receberá a Copa das Confederações.
O maior problema da cidade é a falta de capacidade hoteleira que, de acordo com os estudos feitos, não tem leitos suficientes para os torcedores. Segundo o Comitê Organizador, estão sendo construídos dois hotéis de alto padrão na cidade, o suficiente para cumprir o número necessário de leitos.
Brasília
Prefeito Atual: Não possui
Prefeito Eleito: Não possui
Estádio da Copa: Nacional
Como se sabe, Brasília não tem Prefeito, então não há muito a se dizer. Vale a lembrança de que um dos maiores problemas da cidade é o fato de que, provavelmente, a Capital Federal ganhará um caro “elefante branco” após a Copa, visto que não tem nenhum representante nas Séries A e B do Brasileirão. Uma ideia que está sendo pensada, é a de que a final da Copa do Brasil seja sempre disputada no Estádio Nacional, mais ou menos como ocorre na Inglaterra com o Estádio de Wembley. Ainda assim, parece pouco pelo dinheiro gasto.
Cuiabá
Prefeito Atual: Chico Galindo (PTB)
Prefeito Eleito: Mauro Mendes (PT)
Estádio da Copa: Arena Pantanal
As obras da Arena Pantanal alcançaram 55% de conclusão, número considerado bom para o estádio que não receberá a Copa das Confederações. Os 43 mil lugares do palco cuiabano para a Copa poderiam se tornar um problema parecido com o descrito para Brasília, mas a ideia é de que 20% das arquibancadas sejam retiradas após a Copa, algo que reduziria a capacidade do estádio para pouco menos de 35 mil lugares, número razoável – talvez um pouco exagerado – para um estado sem muita tradição no futebol. A cidade tem tomado todas as providências para ser uma sede “sustentável”, que honre o apelido de “cidade verde”.
O que não está verde é o sinal das obras da VLT Cuiabá/Várzea Grande. O “metrô de superfície” da capital matogrossense, que liga o Centro Político Administrativo ao Aeroporto e o Bairro de Coxipó ao Centro, não teve nem os trilhos implantados. Apenas viadutos, pontes e trincheiras já foram colocadas. A obra, segundo o Tribunal de Contas da União, não fica pronta até a Copa, e já foi paralisada duas vezes pelo Tribunal Regional Federal. É, sem dúvida, um abacaxi para o Prefeito Eleito Mauro Mendes. Já o Corredor Mário Andreazza segue o cronograma das obras, com a reforma da ponte homônima e a duplicação dos 9 km da rodovia que também leva o mesmo nome.
Em 14 de dezembro foi assinada a ordem de serviço para a ampliação do Aeroporto Marechal Rondom.
Curitiba
Prefeito Atual: Luciano Ducci (PSB)
Prefeito Eleito: Gustavo Fruet (PDT)
Estádio da Copa: Arena da Baixada
O Prefeito Eleito de Curitiba, Gustavo Fruet terá que lidar com um dos orçamentos mais altos das cidades-sede, e também um dos que mais ultrapassaram o planejamento inicial. No último dia 21, por exemplo, a Prefeitura de Curitiba liberou mais 33 milhões de reais para a reforma da Arena da Baixada. A liberação dos recursos foi questionada por alguns vereadores (sete votos, dos 31, foram contra), que não aceitaram a ideia de financiar uma construção privada, já que o estádio pertence ao Atlético Paranaense.
A lei 13.620 de 2010, dizia que o Atlético poderia usar R$ 90 milhões de bônus que a Prefeitura concede para a construção de imóveis com tamanho acima do limite dado pela constituição. No entanto, o Prefeito Luciano Ducci – derrotado ainda no Primeiro Turno das Eleições deste ano – propôs uma mudança na legislação, que alterou o limite para R$ 123.666.666,67.
Em março de 2013, começarão as obras do Sistema Integrado de Monitoramento (o SIM, que fará um monitoramento permanente das ruas da cidade) e do Terminal Santa Cândida. As obras, ambas bancadas pela Prefeitura, custarão mais de R$ 81 milhões aos cofres públicos.
Já o Aeroporto Marechal Rondom está na fase final de sua reforma, restando apenas a ampliação do terminal de passageiros e do sistema viário.
Em junho deste ano, começou a construção da VLT Parangaba/Macuípe, que pode ter ser trajeto alterado por conta de um impasse sobre desapropriações em alguns trechos dos seus 13 km. O custo estimado para as obras é de quase R$ 180 milhões. As obras no Eixo Via Expressa/Rui Barbosa voltaram a seu ritmo normal depois de uma paralisação por conta da Construtora Delta, que, no primeiro semestre desse ano, esteve envolvida no escândalo do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Na primeira fila, da esquerda para a direita, a Presidente Dilma Rousseff, o Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, e o Prefeito Eleito de Fortaleza, Roberto Cláudio, assistem a um vídeo (ao fundo) feito pelo Presidente da FIFA, Joseph Blatter. (Foto: Diego Morais/globoesporte.com)
Manaus
Prefeito Atual: Amazonino Mendes (PTB)
Prefeito Eleito: Arthur Virgílio Neto (PSDB)
Estádio da Copa: Arena da Amazônia
Afora o fato de que dificilmente o Fast Club ou o Nacional – dois maiores times do Amazonas -, preencherão grande parte dos 44.310 lugares da Arena da Amazônia, o estádio amazonense para a Copa vai muito bem, obrigado. O Aeroporto Brigadeiro Eduardo Gomes também não dá muitas dores de cabeça – além das habituais em tudo que envolve as obras da Copa.
Entretanto, no quesito mobilidade urbana, a cidade de Manaus está bastante atrasada. As obras do Monotrilho Norte/Centro deveriam ter começado no final de 2011, porém, após a licitação ser feita em março do mesmo ano, o TCU pediu um novo licital, após encontrar falhas no primeiro. Depois de muito ser adiada, a construção do Monotrilho foi retirada do projeto da “Matriz da Copa”, o que basicamente significa que ele não será construído até o Mundial. Situação parecida vive a BRT Eixo Leste/Centro, que, apesar de ainda estar nos planos da “Matriz”, não teve nem a ordem de serviço assinada.
Segundo a Prefeitura, as obras melhorarão a mobilidade urbana da cidade, mas não são indispensáveis para a Copa, pois, o projeto aprovado pela FIFA, em 2010, inclui apenas, na questão da mobilidade, o sistema convencional de transporte da capital amazonense.
Natal
Prefeito Atual: Micarla de Sousa (PV)
Prefeito Eleito: Carlos Eduardo Alves (PDT)
Estádio da Copa: Arena das Dunas
É bem provável que a Arena das Dunas seja o estádio que mais preocupe os organizadores do Mundial. Depois de sofrer com várias greves, a Arena atingiu metade de sua conclusão, mas ainda está com o sinal amarelo. Para se ter ideia, em abril deste ano, apenas 22% dos trabalhos haviam sido concluídos.
Apesar da última greve, que ocorreu no último trimestre do ano, as arquibancadas já estão sendo colocadas. Ainda assim, não há mais tempo para atrasos.
Porto Alegre
Prefeito Atual: José Fortunati (PDT)
Prefeito Eleito: José Fortunati (PDT)
Estádio da Copa: Beira-Rio
A situação de Porto Alegre lembra bastante a de Manaus, quando se fala na Copa do Mundo de 2014. Embora o Prefeito José Fortunati tenha sido reeleito com tranquilidade no primeiro turno das Eleições na capital gaúcha, seu primeiro mandato não conseguiu cumprir as metas no que tange a mobilidade urbana para o Mundial.
De acordo com a “Matriz de Responsabilidades”, órgão oficial do governo, a construção do Corredor Avenida Tronco deveria ter sido iniciada em janeiro de 2011, porém, só em maio desse ano a obra, de fato, teve início. A previsão de entrega é para abril de 2014. Já o Corredor da Terceira Perimetral também sofreu atraso no início de suas obras e, de acordo com o Governo, só fica pronto em maio de 2014, a menos de um mês para a Copa. Qualquer pequeno atraso, portanto, pode significar que não fique tudo pronto a tempo do maior torneio de futebol do Mundo.
A Copa em Porto Alegre já parece ter cometido um grave engano. O estádio escolhido para a cidade foi o Beira-Rio, do Internacional. Enquanto isso, o Grêmio começava a planejar a construção de uma moderna Arena, que ficou de fora. Hoje, a pouco menos de dois anos do torneio, o estádio colorado ainda é um canteiro de obras, que, inclusive, recebeu jogos do Brasileirão até a penúltima rodada. Já o tricolor gaúcho, inaugurou seu novo – e belíssimo -estádio em um amistoso contra o Hamburgo, da Alemanha. Ficou difícil entender a escolha dos porto-alegrenses.
Acima, a recém-inaugurada Arena do Grêmio, que não será utilizada na Copa (foto: UOL). Abaixo, o Beira-Rio, palco de Porto-Alegre para o Mundial, em obras (Foto: Divulgação/Internacional).
Recife
Prefeito Atual: João da Costa (PT)
Prefeito Eleito: Geraldo Julio (PSB)
Estádio da Copa: Arena Pernambuco
Dentre as várias coisas estranhas que acontecem nessa Copa do Mundo do Brasil, uma delas é o fato do estádio de Recife para a Copa não ficar em Recife. A Arena Pernambuco fica em São Lourenço da Mata, a 16 km da Capital. Isso é ainda mais estranho, se pensarmos que Recife tem três grandes estádios que poderiam ser reformados: o Arruda, do Santa Cruz, a Ilha do Retiro, do Sport e o Estádio dos Aflitos, do Náutico, que, inclusive, ficará com a Arena de São João da Mata (algo que não se sabia quando sua construção teve início).
Enfim, apesar dos pesares, a Arena pernambucana já alcançou mais de 60% de sua conclusão e segue em ritmo tranquilo para a Copa do Mundo, já que não cumpriu as exigências da FIFA para sediar a Copa das Confederações de 2013. As obras de mobilidade urbana seguem dentro do programa estipulado pela FIFA.
Rio de Janeiro
Prefeito Atual: Eduardo Paes (PMDB)
Prefeito Eleito: Eduardo Paes (PMDB)
Estádio da Copa: Maracanã.
Embora todas as sedes tenham a sua importância, não dá para negar que a cidade mais importante da Copa de 2014 é o Rio de Janeiro. Além de ter o estádio mais famoso e receber a final, grande parte dos olhos do Mundo estão voltados para a Cidade Maravilhosa que, é bom lembrar, também receberá os Jogos Olímpicos de 2016.
Quem gosta do Maracanã, não ficou nem um pouco feliz com o “novo” estádio. Atitudes como a de tirar a “geral” do Estádio Jornalista Mário Filho tiraram, em grande parte, o seu charme, o que, para muitos, é uma bobagem.
Outra notícia que anda causando bastante tristeza em muita gente é a de que o Maracanã deve ser privatizado em 2013.No último dia 8 de novembro, por exemplo, a primeira audiência pública da privatização enfrentou protestos e vaias de manifestantes que não querem “perder” um dos maiores patrimônios da Cidade do Rio de Janeiro. No entanto, como a administração da Capital Fluminense não será trocada, visto que Eduardo Paes foi reeleito com facilidade, ainda no primeiro turno das Eleições, é bem difícil que o Maracanã não seja entregue a alguma empresa privada (ou mesmo a um clube) ainda antes da Copa do Mundo.
As obras no estádio, no entanto, seguem em bom ritmo e a reabertura deve acontecer no primeiro semestre de 2013, em um amistoso da Seleção Brasileira. Há, inclusive, a ideia da final da Libertadores ser disputada lá, caso o Fluminense, único carioca no torneio, chegue à decisão.
Manifestantes protestam contra a privatização do Maracanã em audiência pública. (Foto: Vinicius Konchinski/UOL)
Salvador
Prefeito Atual: João Henrique Carneiro (PP)
Prefeito Eleito: ACM Neto (DEM)
Estádio da Copa: Arena Fonte Nova
Outra das cidades que receberão a Copa das Confederações, Salvador está bem perto de ver a Arena Fonte Nova inaugurada. Com mais de 85% das obras concluídas, o estádio soteropolitano para o Mundial já tem até alguns assentos colocados.
Sem a necessidade de grandes obras de mobilidade urbana, a cidade caminha tranquila para a Copa das Confederações de 2013. Tudo perfeito, não fosse o fato de que todo o dinheiro gasto na Arena – que, além de ser o estádio mais caro da Copa, é privada, pertence ao Bahia. São R$ 835 milhões (valor dado após um reajuste de 41%), dos quais pouco mais da metade vem de empréstimos através do BNDES e do Banco de Desenvolvimento do Nordeste.
O resto, vem de investimentos do governo baiano.
São Paulo
Prefeito Atual: Gilberto Kassab (PSD)
Prefeito Eleito: Fernando Haddad (PT)
Estádio da Copa: Arena Corinthians
O maior problema de São Paulo para a Copa de 2014 já foi resolvido há muito tempo. E da pior maneira possível. Com um dos maiores estádios do país, a capital paulista optou pela construção de outro: o Morumbi ficou de fora, e, em seu lugar, entrou a Arena Corinthians, em Itaquera.
O estádio, privado, está sendo construído com dinheiro público. No começo do ano de 2012, o valor gasto pelo governo em incentivos fiscais e gastos públicos, já havia ultrapassado a barreira dos 500 milhões de reais.
Corinthians, Andrés Sanchez e a Prefeitura de São Paulo, dizem que é um empréstimo, e que o alvinegro paulista vai pagar. Outros, ainda dizem que o estádio vai ser sede de um evento mundial e, por isso, merece ajuda (ajuda, reparem) do governo. Mas, o fato é que muito dinheiro foi gasto sem necessidade, ou com necessidades ocultas. Agora, o estádio está lindo, as obras caminham bem e, no futuro, isso será só uma resposta para um momento bom do Corinthians, como essas que muitos são-paulinos ouvem sobre o Morumbi e o ex-Governador de São Paulo, Laudo Natel. E segue a vida…
PS: Sou corinthiano. Tudo o que foi falado da Arena Corinthians não é “dor de cotovelo” ou coisa parecida.