Certos e errados

A confusão na comissão de fiscalização da Câmara dos Deputados em que o ministro Fernando Haddad reclamou da ausência dos deputados da oposição (Carlos Jordy e Nikolas Ferreira) depois de falarem e não ficarem para ouvir as respostas dele ofuscou o que começou a confusão e, mais uma vez, o debate de fatos importantes foi para a lata do lixo.

Os deputados Jordy e Nikolas levantaram questões importantes sobre como o governo Lula (PT) faz mau uso dos recursos públicos, atola o país em déficit fiscal, aumenta a dívida pública provocando inflação e obrigando o BC a elevar os juros para segura-la.

Haddad virou “Taxad” e vai carregar para sempre a marca de ministro que só pensa em arrecadar aumentando impostos e criando taxas porque o governo que ele faz parte tem como bandeira o gasto público como princípio. Lula odeia a palavra “corte de gastos” e o mais trágico é que, sem o Haddad, a situação ficaria pior. O atual ministro é uma barreira para a volta da desastrosa política econômica de Dilma/Mantega.

Por outro lado, a resposta de Haddad também é verdadeira. O governo Bolsonaro (PL) conseguiu ter superávit em 2022 muito por conta de artifícios como empurrar o pagamento de precatórios para os anos seguintes, não pagar a compensação aos governadores pela imposição de um teto ao ICMS no preço dos combustíveis para segurar a inflação em ano eleitoral e a venda da Eletrobras.

Não teve um governo no Brasil que conseguiu ou não teve coragem de fazer o que deveria para equilibrar as contas públicas sem artifícios fiscais e o mais fácil que é aumentar impostos a uma população cansada e esgotada de impostos.

Não dê holofotes para Nikolas

Primeiramente, concordo que a atitude circense do deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) foi chula, desrespeitosa, transfóbica beirando um crime. Não concordo com essa postura escrachada, ruidosa e preconceituosa.

Mas (lá vem o mas…) não acho que seja o caso para cassar o mandato do Nikolas. Digo isso amparado no artigo 53 da Constituição Federal. Vamos ler…

“Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal.”

Aí vem relativistas relativisar dizendo que o artigo não abarca crimes. Aí pergunto, foi crime o que o deputado fez? Uns vão dizer que sim, outros não, vai ter os do muro. E eu concluo que sem uma unanimidade para o caso tem que prevalecer o que diz o artigo. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. Cassar o mandato parlamentar é muito grave e tem que ser muito criterioso.

O discurso dele teve eco na bolha dele. Não sei se ele fez por esse motivo, mas o discurso é divisionismo e pessoalmente não acho que a atual situação deva perder tempo e energia com as fanfarranices do Nikolas Ferreira. Acho que deve se focar no que realmente importa que é a reforma tributária e fora do Congresso Nacional as jóias dos árabes para o casal Bolsonaro.

Primeiro, saber se Jair Bolsonaro tentou furta-las. Segundo, saber o motivo que fizeram os sauditas dá ao casal um presente tão caro.

Meu propósito é que não se dê holofotes para Nikolas.