Oposição sem projeto e sem candidato

O enredo da novata Acadêmicos de Niterói no grupo especial dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro provocou polêmica, discussões acaloradas, debates sérios, inúteis e raivosos. Tudo porque a escola resolveu levar para a avenida a história de Lula em pleno ano eleitoral que o atual presidente vai tentar mais um mandato.

Tentaram até censurar o desfile e a oposição vai formar fila no TSE para protocolar denúncias de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder contra Lula. Isso diz muito sobre a nossa atual oposição, mostrando que não tem projeto de governo.

Passaram 3 anos com tema único: anistia a quem atentou contra a democracia. Chegou no ano da eleição sem projeto claro e viável. Sem candidato. Ninguém sabe quem será o candidato da oposição. Apesar de muitos se apresentarem ao posto, nenhum se viabiliza e há uma divisão dentro da direita que deixará mágoas difícil de resolver.

Outro ponto é que essa “nova” direita passou anos acusando o politicamente correto, mas pega ar muito fácil com qualquer provocação ao seu líder e aos neoconservadores. Vestem a carapuça e saem acusando de blasfêmia caricaturas em um desfile carnavalesco, piadas e outras coisas.

Congresso Nacional travado

Quase no fim de 2025 e o Congresso Nacional não aprovou nada de relevante para a comunidade brasileira. O assunto que monopolizou o parlamento foi a anistia. Anistia aos presos de 8 de janeiro de 2023. O tema não saiu das discussões. Esquenta e esfria conforme os acontecimentos.

Com o fim do julgamento do núcleo principal da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de reclusão, a oposição não quer saber de nada sem ser a anista. E tem que ser anistia ampla, geral e irrestrita. Não querem só livrar Bolsonaro da cadeia. Querem o reabilitar politicamente para ser candidato em 2026.

Travam discussão de qualquer outro tema e já chegaram ao ponto de sequestrar as mesas da Câmara e Senado, o que é diferente da obstrução parlamentar. Desmoralizaram Hugo Motta buscando acordo com o ex-presidente Arthur Lira e o impedindo de sentar na cadeira da presidência. Motta é um presidente fraco que tenta se equilibrar entre governo e oposição, pois foi eleito com votos de ambos.

Oposição exige anistia ampla, o “centrão” deseja uma “light” (além de uma PEC que reforce prerrogativas dos parlamentares vista como uma blindagem aos políticos) que livre Bolsonaro sem devolver os seus direitos políticos, porque seu plano é ter os votos do bolsonarismo sem ele; STF avisando que esse tipo de anistia seria inconstitucional por anistiar crimes contra a democracia e o Estado democrático de direito. Já o governo não quer anistia, mas aceita conversar diminuição de pena aos vândalos do 8/1.

Presidente do Senado, Senador Davi Alcolumbre articula com ministros do STF e o governo um texto que exclua alguns crimes contra os condenados do 8/1, mas a oposição não aceita. Ou seja, a preocupação com “senhorinhas de bíblia na mão” não passa de narrativa. Quer incluir todos e tudo desde 2019. Até quem já foi e pode ser condenado a inelegibilidade pelo TSE. A proposta da oposição é praticamente um salvo-conduto que beneficiaria qualquer um, inclusive integrantes de PCC, CV, etc.

Enquanto isso, as pautas de apelo verdadeiramente popular não avançam e debates de temas importantes travados. É hora de Hugo Motta se impor ou vai chegar no fim do mandato sem nada de legado para mostrar e até pior: como um presidente da Câmara fraco e manipulado. Vale para o Alcolumbre.

Oposição de Tejuçuoca confronta situação na segunda sessão do ano

Na sessão da Câmara de Vereadores de Tejuçuoca desta sexta-feira (14) houve um impasse entre situação e oposição em um projeto de lei enviado pela prefeitura que faz um reajuste de cargos e salários de servidores comissionados.

O projeto modifica a lei de 2021 para readequar as necessidades da administração pública.

O líder da oposição, Gerlano (MDB), questionou o líder do prefeito, Fabio Gondim (Republicanos), o motivo do projeto de reajuste se limitar aos cargos de nomeação política. Gerlano junto com os outros dois vereadores de oposição, Letícia Camelo e Erivaldo (PT), queriam pedir vista do projeto por 24 horas, mas o presidente Dedé Brasileiro (União Brasil) concedeu apenas 15 minutos.

No fim, o projeto foi aprovado com protestos da oposição que, apesar de votar a favor do texto, prometeu apresentar um outro projeto para que o reajuste contemplasse todos os servidores. Se oposição e prefeitura não entrarem em um acordo, o clima pode azedar no logo início do segundo mandato do prefeito Britinho (Republicanos). Apesar e ser minoria, a oposição pode dificultar a tramitação de futuros projetos do prefeito.

Cenário 2026: Lula líder e com grande rejeição; indefinição na oposição

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostra como está o cenário para as eleições de 2026. O presidente Lula (PT) lidera em todos os canários, mas a situação não é boa para o petista, que tem uma rejeição de 49%.

Com a indefinição da candidatura de oposição, há uma pulverização de candidaturas, ou melhor, de pré-candidaturas. O levantamento não teve o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível e correndo risco de ser denunciado pela PGR nos próximos dias por tentativa de golpe de estado.

Sem Bolsonaro, o nome que se destacou foi do cantor Gusttavo Lima (sem partido), que pontuou acima de 10% em todos os canários e atingiu 18% em um. É um excelente patamar para quem é outsider em um início de pré-campanha.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Pablo Marçal (PRTB) também pontuam bem. Tarcísio mantém o plano de concorrer à reeleição, mas não fechou a porta para uma candidatura presidencial e é o candidato mais viável para uma candidatura única de oposição sem Bolsonaro. A dúvida é se o ex-presidente vai apostar no seu ex-ministro ou vai bancar até a última hora a própria candidatura que dificilmente deve prosperar e colocar um dos seus filhos como candidato.

Vitória na CCJ foi possível graças à articulação política

Depois de dias de embates, protelação provocada pela oposição e pela bateção de cabeça dos líderes do governo, a CCJ da Câmara aprovou o relatório do deputado Marcelo Freitas (PSL/MG), encaminhando a reforma da Previdência para uma comissão especial ainda por instaurar.

Com 48 votos favoráveis, essa etapa de admissibilidade demorou mais do que o esperado e normal. E só teve esse final com essa diferença de 30 votos porque o governo resolveu fazer política. Não foi a “nova política” ou a “nova era” e lives no Youtube e Facebook. Foi articulação que o presidente e sua militância aguerrida tanto criminaliza generalizando o toma-lá-dá-cá e corrupção a atividade normal da política e relacionamento entre o executivo e legislativo.

A etapa na CCJ da Câmara foi superada com o acordo do governo com o “centrão”. Mas vai precisar de muito mais conversa e articulação política para a reforma passar pela comissão especial sem ser muito retalhada. Alguns pontos da reforma terão que ser cedidos e para manter preservados os que formam a espinha dorsal da reforma, o governo terá que compartilhar o poder com aliados e atrair mais aliados.

Chegou o momento da onça beber água. Se a oposição já usou todas as armas que estavam ao seu alcance apenas na admissibilidade, na comissão especial será guerra e ganhará o reforço de sindicatos e corporações. Perfumarias e intrigas terão que ficar de lado para o êxito da reforma que selará o destino do governo e do futuro do país.