Oposição sem projeto e sem candidato

O enredo da novata Acadêmicos de Niterói no grupo especial dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro provocou polêmica, discussões acaloradas, debates sérios, inúteis e raivosos. Tudo porque a escola resolveu levar para a avenida a história de Lula em pleno ano eleitoral que o atual presidente vai tentar mais um mandato.

Tentaram até censurar o desfile e a oposição vai formar fila no TSE para protocolar denúncias de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder contra Lula. Isso diz muito sobre a nossa atual oposição, mostrando que não tem projeto de governo.

Passaram 3 anos com tema único: anistia a quem atentou contra a democracia. Chegou no ano da eleição sem projeto claro e viável. Sem candidato. Ninguém sabe quem será o candidato da oposição. Apesar de muitos se apresentarem ao posto, nenhum se viabiliza e há uma divisão dentro da direita que deixará mágoas difícil de resolver.

Outro ponto é que essa “nova” direita passou anos acusando o politicamente correto, mas pega ar muito fácil com qualquer provocação ao seu líder e aos neoconservadores. Vestem a carapuça e saem acusando de blasfêmia caricaturas em um desfile carnavalesco, piadas e outras coisas.

Oposição de Tejuçuoca confronta situação na segunda sessão do ano

Na sessão da Câmara de Vereadores de Tejuçuoca desta sexta-feira (14) houve um impasse entre situação e oposição em um projeto de lei enviado pela prefeitura que faz um reajuste de cargos e salários de servidores comissionados.

O projeto modifica a lei de 2021 para readequar as necessidades da administração pública.

O líder da oposição, Gerlano (MDB), questionou o líder do prefeito, Fabio Gondim (Republicanos), o motivo do projeto de reajuste se limitar aos cargos de nomeação política. Gerlano junto com os outros dois vereadores de oposição, Letícia Camelo e Erivaldo (PT), queriam pedir vista do projeto por 24 horas, mas o presidente Dedé Brasileiro (União Brasil) concedeu apenas 15 minutos.

No fim, o projeto foi aprovado com protestos da oposição que, apesar de votar a favor do texto, prometeu apresentar um outro projeto para que o reajuste contemplasse todos os servidores. Se oposição e prefeitura não entrarem em um acordo, o clima pode azedar no logo início do segundo mandato do prefeito Britinho (Republicanos). Apesar e ser minoria, a oposição pode dificultar a tramitação de futuros projetos do prefeito.

Cenário 2026: Lula líder e com grande rejeição; indefinição na oposição

Pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostra como está o cenário para as eleições de 2026. O presidente Lula (PT) lidera em todos os canários, mas a situação não é boa para o petista, que tem uma rejeição de 49%.

Com a indefinição da candidatura de oposição, há uma pulverização de candidaturas, ou melhor, de pré-candidaturas. O levantamento não teve o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível e correndo risco de ser denunciado pela PGR nos próximos dias por tentativa de golpe de estado.

Sem Bolsonaro, o nome que se destacou foi do cantor Gusttavo Lima (sem partido), que pontuou acima de 10% em todos os canários e atingiu 18% em um. É um excelente patamar para quem é outsider em um início de pré-campanha.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Pablo Marçal (PRTB) também pontuam bem. Tarcísio mantém o plano de concorrer à reeleição, mas não fechou a porta para uma candidatura presidencial e é o candidato mais viável para uma candidatura única de oposição sem Bolsonaro. A dúvida é se o ex-presidente vai apostar no seu ex-ministro ou vai bancar até a última hora a própria candidatura que dificilmente deve prosperar e colocar um dos seus filhos como candidato.

Vitória na CCJ foi possível graças à articulação política

Depois de dias de embates, protelação provocada pela oposição e pela bateção de cabeça dos líderes do governo, a CCJ da Câmara aprovou o relatório do deputado Marcelo Freitas (PSL/MG), encaminhando a reforma da Previdência para uma comissão especial ainda por instaurar.

Com 48 votos favoráveis, essa etapa de admissibilidade demorou mais do que o esperado e normal. E só teve esse final com essa diferença de 30 votos porque o governo resolveu fazer política. Não foi a “nova política” ou a “nova era” e lives no Youtube e Facebook. Foi articulação que o presidente e sua militância aguerrida tanto criminaliza generalizando o toma-lá-dá-cá e corrupção a atividade normal da política e relacionamento entre o executivo e legislativo.

A etapa na CCJ da Câmara foi superada com o acordo do governo com o “centrão”. Mas vai precisar de muito mais conversa e articulação política para a reforma passar pela comissão especial sem ser muito retalhada. Alguns pontos da reforma terão que ser cedidos e para manter preservados os que formam a espinha dorsal da reforma, o governo terá que compartilhar o poder com aliados e atrair mais aliados.

Chegou o momento da onça beber água. Se a oposição já usou todas as armas que estavam ao seu alcance apenas na admissibilidade, na comissão especial será guerra e ganhará o reforço de sindicatos e corporações. Perfumarias e intrigas terão que ficar de lado para o êxito da reforma que selará o destino do governo e do futuro do país.

A vez da oposição

Coletiva de Marina Silva - Eleições 2014 - SP - 05/10/2014

Hoje, tenho quase certeza que Marina Silva (PSB) no lugar de Aécio Neves (PSDB), no segundo turno de 2014, ganharia de Dilma Rousseff (PT). Com Marina, os eleitores de Aécio votariam nela, já no caso dos eleitores dela… Mesmo Marina apoiando e declarando voto no tucano muitos que votaram nela no primeiro turno não votaram no Aécio. Votaram nulo/branco ou Dilma.

Com Marina no segundo turno, a estratégia do “nós contra eles” provavelmente não funcionaria. Por isso o PT fazia questão do PSDB e não o PSB na fase final da eleição. Marina Silva é praticamente fundadora do PT e o PSB sempre esteve com Lula nas disputas eleitorais. Seria difícil transformar Marina e o PSB em “inimigos” com a história de ambos com o PT, com tempos iguais entre os candidatos e ela podendo rebater aos ataques.

Se Marina disputar a corrida presidencial de 2018 e a economia continuar parada ou piorar mais os desdobramentos da Lava Jato, ela é a favorita para vencer. O povo está cansado dessa rixa idiota de petistas e tucanos, clama desesperadamente por uma terceira via. O meu medo é que essa terceira via seja ocupada por um Jair Bolsonaro da vida ou alguém com as ideias piores que as de Bolsonaro. E não descarto essa hipótese.

Aecio Neves

Oficialmente, tucanos estão contra o pacote de ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy, que integrou a equipe que elaborou o plano econômico de Aécio na campanha eleitoral. Para não lembrar o PT oposição nos tempos de FHC, quando o partido votava contra tudo que vinha do governo, os tucanos emendarão os projetos, reforçarão a tese do estelionato eleitoral praticado por Dilma na campanha, que o governo está jogando o ajuste nas costas só da população cortando direitos trabalhistas e previdenciários e poupando a máquina pública dos cortes.

O “deixar a presidente sangrar” do PSDB é uma estratégia inteligente, mas com riscos. Em 2005, os tucanos também deixaram Lula “sangrar” e ele foi reeleito mesmo com o mensalão um ano antes. Assim como em 2006, Lula deve ser candidato em 2018.

Mas os tucanos sabem que apoiar o impeachment de Dilma é jogar a República no colo do PMDB, o PSDB seria apenas um “suporte” dos peemedebistas. E o partido de Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros se fortaleceria para disputar a presidência contra os tucanos. O PMDB já comanda o Congresso Nacional, com impeachment comandaria também o Executivo. Seria muito poder concentrado em um único partido. É preciso uma regra para proibir um partido de ocupar, ao mesmo tempo, as presidências da Câmara e Senado. Qualquer partido hegemônico – PT, PSDB, PMDB, PSB etc – é desastroso para democracia.