A partir da 0h desta segunda-feira caminhoneiros entraram em vigília esperando que os senadores tenham um pouco de vergonha na cara e legislem, o que são muito bem pagos por todos para isso. Só assim para destravar e impedir a caducidade da MP do frete que foi aprovada na Câmara e o reizinho do Senado não coloca em votação.
Davi Alcolumbre está embarreirando e não deixando votar nada. Além dessa MP que está para perder a validade, não vota nem despacha para as comissões a PEC do fim escala 6×1 e travou a PEC da segurança pública.
Tudo porque o reizinho do Senado está brigado com o presidente da República e deseja um encontro com ele para destravar a pauta antes do recesso parlamentar.
O que guia Alcolumbre são interesses de empresários, interesses eleitorais e outros inconfessáveis. Só uma paralisação de quem abastece as cidades – seja grande ou pequena – como aconteceu em 2018 para essa turma deixar de politicagem baixa. Antes dos seus interesses, foram colocados lá para os interesses da população e do país.
A campanha presidencial do senador Flavio Bolsonaro (PL) já é histórica antes da campanha eleitoral começar. Nunca uma candidatura a presidente da República foi bagunçada como a dele e cheia de problemas.
Os problemas estão dentro da campanha, incluindo a família, que vem de disputa por liderança e escândalos, como o epicentro que vem do Rio de Janeiro, que é o berço do bolsonarismo.
O Rio de Janeiro é simbólico. O estado foi saqueado pela quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral. Wilson Witzel surpreendeu ao vencer a eleição de 2018, um ex-juiz com a bandeira anticorrupção e para moralizar. Só que o governador brigou com o então presidente Jair Bolsonaro por causa das ações na pandemia e por Witzel já vislumbrando a cadeira de presidente.
Bolsonaro cavou a cova política do Witzel após suspeitas de desvio de recursos que seria para a pandemia com o seu impeachment na ALERJ em acordo com o vice-governador Cláudio Castro, que emergiu ao poder e foi reeleito em 2022. O problema é que o grupo que assumiu o poder no RJ tem figuras que são caso de polícia, inclusive o próprio Castro. É pior que a quadrilha do Cabral.
O novo escândalo é nada menos com o presidente nacional do PL, o senhor Valdemar Costa Neto, um senhor probo que tem uma condenaçãozinha e cumpriu pena de prisão por corrupção, veja só, no mensalão do PT. Valdemar simplesmente indicava emendas parlamentares sem ser parlamentar, uma monta de quase R$ 120 milhões. Bolsonaro entrou no PL e fez dele o maior partido por não ter conseguido criar o seu partido. Desesperado, abraçou o sujeito que ajudou Lula a vencer a eleição depois de 3 derrotas.
Defendia as emendas parlamentares que já eram alvo de críticas porque são importantes para cidades médias e pequenas (algumas não sobrevivem sem), mas a partir de Eduardo Cunha, a consolidação por Arthur Lira e Davi Alcolumbre, viraram caixa paralelo de campanhas políticas nas mãos de poucos para manutenção de poder e enriquecimento ilícito de alguns. Desvirtua eleições e o funcionamento regular do sistema presidencialista.
Lula na campanha prometeu mudar isso, mas no governo optou por acomodar interesses. Tem que acabar com as emendas parlamentares urgentemente ou mudar o seu funcionamento. Só que quem pode mudar usufrui e tira proveito das emendas. E a Constituição de 1988 é parlamentarista. É um nó difícil de desatar. Diria impossível.
Davi Alcolumbre (União/AP) aproveitou sessão do Senado para desabafar e mandar recados.
Avisou que a tramitação da PEC do fim da escala 6×1 aprovada na Câmara não vai atropelar ritos, defendeu que o Senado debata, faça mudança no texto se reafirmando como casa revisora e não carimbadora.
Sobre a CMPI do Master, Alcolumbre justificou que não leu o requerimento de abertura porque a CPMI seria feita de “palanque eleitoral”.
A maioria absoluta da população que apoia a redução da jornada de trabalho, principalmente os trabalhadores do regime 6×1, não aceitará protelação e menos ainda mudanças que a prejudique. Pode acontecer o que ocorreu no Nepal, transformando o que aconteceu aqui em junho 2013 e janeiro 2023 em uma nota de rodapé.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), caminha para um rompimento total com o governo Lula.
No domingo (30), Alcolumbre soltou uma dura nota negando negociação de cargos e emendas em troca da aprovação de Jorge Messias para o STF, chamando a insinuação de uma grave “ofensa” ao presidente do Congresso e a ele próprio. – Alcolumbre é o presidente do Congresso. E foi além criticando a demora do governo de enviar a mensagem com a indicação acusando o Planalto de interferência em uma prerrigativa do Senado.
Há mais de 100 anos que uma indicação do presidente da República para o Supremo não é rejeitada pelo Senado. Se acontecer, será um ponto de não retorno, uma crise institucional sem precedente em um país que se acostumou com crises institucionais, mas seria a mais grave.
Não vejo Alcolumbre recuando pelo tom da nota e não vejo clima favorável para o Messias conseguir pelo menos 41 votos e virar o novo ministro do STF.
Depois do Jair, mais um Messias sacode as instituições.
A Câmara dos Deputados aprovou a urgência do PL 2162/2023, de Marcelo Crivella (Rep/RJ), que concede anistia que vai de 30 de outubro de 2022 (dia do segundo turno da eleição presidencial) até a data da publicação da lei.
O placar foi acachapante de 311 votos a favor. Maior que o quórum que uma PEC precisa para ser aprovada.
Agora será escolhido um relator para elaborar um texto que consiga o apoio de pelo menos 257 votos.
O PL do Crivella anistia tudo que se passou desde o fim da eleição até a data da promulgação em caso de aprovação na Câmara, no Senado e sancionada pelo presidente da República.
Pelo placar da votação de hoje é provável que seja aprovado o texto que venha a ser votado, mas vai ter resistência no Senado, o presidente Davi Alcolumbre não está disposto a apoiar, deseja votar um texto feito por ele.
O governo não quer anistia, mas diz que pode aceitar redução de penas. É no STF a maior resistência. Anistia ampla, geral e irrestrita está descartada. Veremos os desdobramentos dessa votação e a resposta do tribunal.
Hugo Motta fala em pacificação e o plenário decidir, mas só está jogando mais gasolina no conflito institucional.