Por um Brasil livre e sem intocáveis

Não podemos permitir que os intocáveis se tornem intocáveis de fato. A premissa básica de um República é que todos são iguais. Quando alguns pelo cargo que ocupam ficam blindados e não respondem pelos seus atos, estes acabam virando monarcas sem monarquia.

Só temos nossa voz que ainda podemos nos expressar nas redes e, principalmente, nas ruas. Ainda mais que em alguns dias o país vai às urnas.

É a nossa chance de mostrar com força o descontentamento não só com os políticos, mas contra altas autoridades que enxovalharam suas togas e destruíram a credibilidade da justiça brasileira. O 7 de setembro é a data perfeita. Dia da pátria.

Vamos honrar a letra do hino nacional verás que um filho teu não foge à luta. Vamos lutar pela República. Pela democracia. Pela liberdade.

História da República brasileira e os presidentes eleitos

A história da República brasileira é conturbada e com vários percalços. Para começar que a sua proclamação em 15 de novembro de 1889 foi por um militar que não era republicano e o fez por descontentamento com a família real. O marechal Deodoro da Fonseca liderou uma insurreição na caserna e virou o primeiro presidente brasileiro.

A primeira República é conhecida como “República Café com Leite” pelo revezamento entre paulistas e mineiros no comando. As eleições não eram transparentes, livres e com limitações quem tinha o direito de votar.

Em 1930, o gaúcho Getúlio Vargas derrubou a primeira República, de novo com uma revolta militar, por ter perdido no voto para o paulista Júlio Prestes. Teve a revolução constitucionalista de 1932 liderada pelos paulistas e mesmo derrotando São Paulo, Getúlio aceitou a principal reivindicação: uma nova Constituição. Mas o caudilho rompeu com a carta de 1934 e instaurou a ditadura do Estado Novo.

Com o fim da segunda guerra mundial, o Estado Novo se dissolveu e veio a Constituição de 1946, a mais democrática até então do Brasil. Seu período de vigência foi marcado por tentativas de ruptura, como a trama para impedir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek, em 1955. Uma década depois houve a ruptura democrática com deposição do presidente João Goulart e instauração do regime militar que durou até 1985.

Com o fim da ditadura militar veio a Constituição Cidadã de 1988 e, apesar das sucessivas crises institucionais e críticas por ser muito extensiva, vai para 37 anos em vigor.

Confira todos os presidentes brasileiros eleitos por eleições diretas e indiretas no vídeo abaixo.

125 anos da República

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Marechal Deodoro da Fonseca: primeiro presidente do Brasil

15 de novembro, dia da Proclamação da República Federativa do Brasil, uma das datas cívicas do País. A Proclamação da República se confunde com a Lei Áurea de 13 de maio e o fim da escravidão. Afinal, um os princípios dos republicanos é a igualdade de todos perante a lei e o fim da escravidão era uma das lutas de quem buscava substituir o Império pela República. A Lei Áurea é de 1888, um ano depois, em 1899, o Marechal Deodoro da Fonseca liderou o levante contra o Império implantando a República brasileira, se tornando o primeiro presidente posteriormente.

No centenário da Proclamação da República foi realizada a primeira eleição direta e livre pós-ditadura militar, logo depois da redemocratização e Constituição de 1988. Foram 22 candidatos – um recorde até hoje – disputando aquele histórico pleito que marcou parâmetros. Como, por exemplo, a baixaria de Fernando Collor de Mello (PRN) contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último programa eleitoral. Collor acusou Lula de pagar a sua primeira esposa para ela aborta-la uma filha sua. Em um país conservador como o Brasil, isso é fatal para uma candidatura a presidente.

Também tivemos naquela eleição um apresentador de TV muito popular que entrou na disputa nos acréscimos do primeiro turno e foi barrado pela justiça eleitoral. Esse apresentador era Silvio Santos. Silvio chegou a ter o apoio do então presidente José Sarney, que inclusive chegou a se encontrar com ele em março de 1989. Mas o apresentador não aceitou o convite alegando que não queria “correr o risco de se indispor com setores influentes”. Silvio teria dito ao presidente que preferia continuar empresário e “de bem com todo mundo”.

Faltando poucos dias para o primeiro turno, Silvio Santos voltou atrás e resolveu ser candidato por um partido nanico. “Quero devolver ao povo um pouco do muito que o povo me deu”, disse o empresário após oficializar a candidatura. Era tarde, no entanto, para isso. Silvio Santos até chegou a gravar um programa para o horário eleitoral, porém, a manobra para ele ser candidato foi criticada pelos rivais e a candidatura de Silvio Santos foi impugnada pelo TSE em uma ação movida pela coligação de Collor, que contestava a legalidade do partido que abrigaria a “candidatura fantasma” do empresário e apresentador.

No dia 15 de novembro de 1989, no dia do centenário da Proclamação da República, aconteceu o primeiro turno (a eleição de 1989 foi a primeira a ter dois turnos para presidente do Brasil) das eleições. Como indicavam as pesquisas, Fernando Collor de Melo ficou em primeiro em uma disputa acirrada para saber quem representaria a esquerda contra Collor: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Leonel Brizola (PDT). Lula levou a melhor contra Brizola e foi o desafiante de Collor no segundo turno. Um segundo turno que dividiu o Brasil entre ricos contra pobres, empresários contra trabalhadores e capitalistas contra comunistas em plena queda do muro de Berlim. O último debate entre Collor e Lula no segundo turno ficou marcado pela edição tendenciosa a favor de Collor feita pelo Jornal Nacional, da TV Globo, que editou e levou ao ar os melhores momentos do debate. Em uma eleição muito polarizada, aquela edição fez diferença.

Diretor de jornalismo da TV Globo à época, Armando Nogueira disse que o seu chefe Roberto Marinho mandou refazer a edição porque achou a primeira muito pró-Lula e “não retratava a realidade do debate”. Para Roberto Marinho, Collor venceu aquele debate e a Globo tinha o dever jornalístico de mostrar o que aconteceu de fato e não tentar igualar os dois candidatos. José Bonifácio, o Boni, que era diretor-geral da TV Globo em 1989, confessa em uma entrevista ao jornalista Geneton Morais Neto, que a Globo deu uma melhorada na imagem de Collor para esse se familiarizar mais com o povo brasileiro. Boni achava na comparação de imagens entre Lula e Collor um desequilíbrio na disputa. Para ele, a imagem de Lula retratava o “povão”, enquanto a imagem de Collor “representava os ricos”, e ajudou a equipe de marketing da campanha a melhorar a imagem dele trazendo-a para mais perto do brasileiro médio.

No dia 17 de dezembro, um dia depois de acontecer a final do Campeonato Brasileiro de futebol entre São Paulo 0 x 1 Vasco, no Morumbi, onde Lula (corintiano e vascaíno) foi vaiado por metade do estádio, aconteceu o segundo turno entre Collor e Lula. Vitória de Fernando Collor por diferença mínima de votos – 53% a 47%, o primeiro presidente eleito por eleição direta da Nova República.