125 anos da República

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Marechal Deodoro da Fonseca: primeiro presidente do Brasil

15 de novembro, dia da Proclamação da República Federativa do Brasil, uma das datas cívicas do País. A Proclamação da República se confunde com a Lei Áurea de 13 de maio e o fim da escravidão. Afinal, um os princípios dos republicanos é a igualdade de todos perante a lei e o fim da escravidão era uma das lutas de quem buscava substituir o Império pela República. A Lei Áurea é de 1888, um ano depois, em 1899, o Marechal Deodoro da Fonseca liderou o levante contra o Império implantando a República brasileira, se tornando o primeiro presidente posteriormente.

No centenário da Proclamação da República foi realizada a primeira eleição direta e livre pós-ditadura militar, logo depois da redemocratização e Constituição de 1988. Foram 22 candidatos – um recorde até hoje – disputando aquele histórico pleito que marcou parâmetros. Como, por exemplo, a baixaria de Fernando Collor de Mello (PRN) contra o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último programa eleitoral. Collor acusou Lula de pagar a sua primeira esposa para ela aborta-la uma filha sua. Em um país conservador como o Brasil, isso é fatal para uma candidatura a presidente.

Também tivemos naquela eleição um apresentador de TV muito popular que entrou na disputa nos acréscimos do primeiro turno e foi barrado pela justiça eleitoral. Esse apresentador era Silvio Santos. Silvio chegou a ter o apoio do então presidente José Sarney, que inclusive chegou a se encontrar com ele em março de 1989. Mas o apresentador não aceitou o convite alegando que não queria “correr o risco de se indispor com setores influentes”. Silvio teria dito ao presidente que preferia continuar empresário e “de bem com todo mundo”.

Faltando poucos dias para o primeiro turno, Silvio Santos voltou atrás e resolveu ser candidato por um partido nanico. “Quero devolver ao povo um pouco do muito que o povo me deu”, disse o empresário após oficializar a candidatura. Era tarde, no entanto, para isso. Silvio Santos até chegou a gravar um programa para o horário eleitoral, porém, a manobra para ele ser candidato foi criticada pelos rivais e a candidatura de Silvio Santos foi impugnada pelo TSE em uma ação movida pela coligação de Collor, que contestava a legalidade do partido que abrigaria a “candidatura fantasma” do empresário e apresentador.

No dia 15 de novembro de 1989, no dia do centenário da Proclamação da República, aconteceu o primeiro turno (a eleição de 1989 foi a primeira a ter dois turnos para presidente do Brasil) das eleições. Como indicavam as pesquisas, Fernando Collor de Melo ficou em primeiro em uma disputa acirrada para saber quem representaria a esquerda contra Collor: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Leonel Brizola (PDT). Lula levou a melhor contra Brizola e foi o desafiante de Collor no segundo turno. Um segundo turno que dividiu o Brasil entre ricos contra pobres, empresários contra trabalhadores e capitalistas contra comunistas em plena queda do muro de Berlim. O último debate entre Collor e Lula no segundo turno ficou marcado pela edição tendenciosa a favor de Collor feita pelo Jornal Nacional, da TV Globo, que editou e levou ao ar os melhores momentos do debate. Em uma eleição muito polarizada, aquela edição fez diferença.

Diretor de jornalismo da TV Globo à época, Armando Nogueira disse que o seu chefe Roberto Marinho mandou refazer a edição porque achou a primeira muito pró-Lula e “não retratava a realidade do debate”. Para Roberto Marinho, Collor venceu aquele debate e a Globo tinha o dever jornalístico de mostrar o que aconteceu de fato e não tentar igualar os dois candidatos. José Bonifácio, o Boni, que era diretor-geral da TV Globo em 1989, confessa em uma entrevista ao jornalista Geneton Morais Neto, que a Globo deu uma melhorada na imagem de Collor para esse se familiarizar mais com o povo brasileiro. Boni achava na comparação de imagens entre Lula e Collor um desequilíbrio na disputa. Para ele, a imagem de Lula retratava o “povão”, enquanto a imagem de Collor “representava os ricos”, e ajudou a equipe de marketing da campanha a melhorar a imagem dele trazendo-a para mais perto do brasileiro médio.

No dia 17 de dezembro, um dia depois de acontecer a final do Campeonato Brasileiro de futebol entre São Paulo 0 x 1 Vasco, no Morumbi, onde Lula (corintiano e vascaíno) foi vaiado por metade do estádio, aconteceu o segundo turno entre Collor e Lula. Vitória de Fernando Collor por diferença mínima de votos – 53% a 47%, o primeiro presidente eleito por eleição direta da Nova República.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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