Geração Lacradora

Geração que prefere “lacrar” fazendo tudo por um punhado de likes e retuítes

A escritora e ativista feminista Clara Averbuck contou no Facebook que foi vítima de estupro ao sair de uma festa pelo motorista de um Uber – aplicativo de transporte. Segundo Clara, o motorista se aproveitou do seu estado de embriaguez, de saia e calcinha pequena para violentá-la.

É um relato chocante. O grande problema, no meu modesto ponto de vista, foi que ela não procurou uma delegacia da mulher após o acontecido para fazer um B.O. e denunciar o cafajeste que fez isso. No lugar disso, o que ela fez? Foi para rede social denunciar a “sociedade misógina”, a precaridade das delegacias que atendem mulheres vítimas de qualquer violência e o cúmulo foi quase que dizer no texto que o seu violentador é vítima de um sistema machista.

A escritora preferir fazer militância contra a “sociedade machista e patriarcal” nas redes sociais, do que ir na delegacia denunciar o meliante que a violentou, me deixa com uma pulga atrás na orelha. Pode ser leviano, em um momento desse, achar que a história que ela contou seja uma fanfic (história de ficção) para engajar a militância feminista na rede e gerar repercussão na imprensa.

Mas a atitude da escritora leva a pensamentos assim. Nesses tempos estranhos muitos acham que vale mais “bombar” uma hashtag no Twitter a denunciar um estupro na polícia. A sociedade está doente pela violência fora de controle, o péssimo exemplo de quem deveria representar a população e está mais preocupado em usufruir do bem público (toda classe política e o judiciário) e por uma geração que prefere fazer de tudo por uma “lacrada” para conseguir um punhado de likes e retuítes/compartilhamentos.

A fascinação do brasileiro para criar “vilões”

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O brasileiro tem algumas paixões. Futebol, carnaval, cerveja, bunda e novela. Não necessariamente nessa ordem. Brasileiro gosta de palpitar sobre tudo. Brasileiro gosta de opinar sobre qualquer assunto sem nenhum conhecimento. Eu também sou assim e reconheço que é bom. E com as redes sociais como Twitter, Facebook, Instragam fica mais fácil se expressar de forma instantânea aos acontecimentos.

O grande problema é quando a paixão fala mais alto que a razão, o bom senso. O brasileiro das redes sociais tem tanto equilíbrio emocional quanto a seleção brasileira – certeza que é assim na vida também. Toma conhecimento de algum assunto e logo toma partido de um lado da história sem conhecer a versão do outro lado. E mesmo depois de conhecer o outro lado, se a opinião não estiver batendo com os fatos, não reconhece os próprios erros, o que é pior. Errar é humano, persistir no erro é burrice. Já dizia o poeta: só os idiotas não mudam de opinião.

Talvez por gostar de novelas – eu gosto, apesar das novelas atualmente não serem lá grande coisa – o brasileiro gosta de criar vilões e heróis. Na política, onde as opiniões deveriam ser dadas de maneira sóbria, criam seus antagonistas. No futebol, palco em que se permite fantasias, a coisa se perde de um jeito que é lamentável. Quando o uruguaio Luiz Suárez mordeu o italiano Giorgio Chiellini, foi transformado no ser mais detestável do mundo. O que ele fez foi nojento, concordo, porém, ele não é um assassino ou bandido para ser linchado em praça pública, pois nem bandido merece tal “honraria”. Excluindo o exagero, mereceu a punição que teve. Dois jogos de suspensão, uma multa e estava de bom tamanho. Sem tirar o cara da concentração do Uruguai e muito menos deixar o cara sem trabalhar por quatro meses.

O mesmo aconteceu com o colombiano Juan Zuñiga que tirou Neymar da semifinal e de uma possível final da Copa do Mundo. O jogador foi imprudente. Foi maldoso. Aí fica na opinião de cada um. Só não pode é divulgar o perfil do jogador para verdadeiros URUBUS saírem humilhando a ele e até ameaçando sua família, chamando-o de “monstro”, “maior vilão da história do futebol”, “sujo”, “colombiano drogado”, “negro FDP”.  Xenofobia e racismo misturado. Tudo que o futebol não é e luta para afastar dos campos.

Futebol não é o ópio povo, nem uma ilha da sociedade, onde se pode fazer de tudo que não é permitido.

Uma reflexão Política da Sexta-feira Santa

Lucas de Freitas

Eis o dia que os cristãos, como eu, supostamente recordamos que mataram o libertador e salvador da humanidade. Digo supostamente, porque nos preocupamos com tudo: o bacalhau, o churrasco pra provocar os que comem bacalhau, as discussões se não deveríamos nem comer churrasco nem bacalhau, se o chocolate em forma de ovo gigante já foi dado, se a decoração das igrejas está boa, e, até com um apogeu – se as crianças acreditam no coelho ou no Jesus.

Entretanto, só aí estão as preocupações. Só nisto estão presas as lamentações.

 

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Na madrugada da sexta-feira da paixão, famílias inteiras que foram açoitadas, sem terem onde morar, sem terem onde comer, novamente foram despejadas sabe-se lá pra onde. Estas famílias estavam tendo suspiros de esperança ao ocuparem um prédio da TELERJ/Oi, no Rio de Janeiro, simplesmente abandonado há anos, mas a esperança morreu ao som de bombas, balas, num show de despejo animalesco. A esperança morreu na selvageria de um Estado, similar ao que condenou Jesus, onde assassinos são libertos com aplausos e inocentes são humilhados até que chegue sua morte. Onde os inocentes caminham para sua desgraça em volta de uma humanidade que a cospe, que a xinga, que a escracha. “Bando de vagabundos!”; “Deveriam estudar pra crescer na vida.”; “Tem que apanhar mesmo.” E os Pôncios Pilatos da atualidade, lavam suas mãos nas águas da lei: “Afinal, estão ocupando propriedade particular.”

Ora, mas o Cristo relatado na bíblia já não morreu no lugar destes? Ora, o libertador já não havia sofrido numa sexta-feira tudo que a humanidade não precisaria mais sofrer? Verídico, mas a atuação dos que nisso creem está firmada em atos simbólicos, está firmada nas refeições, está firmada em preces. Meramente nem se sabe o que acontece fora das 4 paredes dos templos, similar aos chamados fariseus da época, responsáveis pela condenação de Jesus. Até quando essa Igreja deixará que a história do Cristo seja cíclica ao longo dos séculos? Até quando ela se calará e fechará os olhos, vendo Jesus ao lado realizando sua Via Crucis do século XXI?

O sofrimento de Jesus se repetiu nesta madrugada de sexta-feira Santa, na cidade do Rio de Janeiro. O sofrimento de Jesus se repete e se repetirá todos os dias, até que esta igreja abandone nossas belas tradições, em troca de plenas ações.

Por fim, deixo um verso da Bíblia Sagrada Cristã:
“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.”
– 2 Coríntios 8:9.