
A prisão provisória de Luiz Fernando Pezão ainda no exercício do mandato de governador é a coroação do caos que se instalou no Rio de Janeiro, o cartão postal do Brasil. Sérgio Cabral é o mentor de uma organização criminosa que não só não teve pudores para usufruir das benesses dos cargos como desviar cifras milionárias para quando saíssem do governo a vida boa continuasse. Pelas investigações da “Operação Lava Jato” e operações derivadas todo o aparelho estatal do Rio foi alcançado pela teia da organização criminosa. Surpresa seria se o vice de Cabral, atual governador, fosse uma “virgem” no meio da putaria toda.
A intervenção federal não era para ter ficado apenas na segurança pública. Mas o presidente Michel Temer optou por preservar o mandato do seu partidário quando era notório que ele perdera a capacidade de governar. Se a intervenção era a saída e não uma estratégia para não votar a reforma previdenciária (enquanto um estado estiver sob intervenção é proibido alterar a Constituição) e a proposta não ser derrotada, que a intervenção fosse completa e a reorganização dentro do possível que o interventor General Braga Netto está fazendo na área da segurança fosse geral.
Pessoalmente, acho mais deletério uma má-gestão do que a corrupção. No caso do Rio, é impossível separar a má-gestão da corrupção. A má-gestão foi apenas um dos meios para chegar ao objetivo que era saquear o dinheiro do estado. Desonerações fiscais irresponsáveis para amigos do rei, megaeventos que agora o objetivo fica claro que era roubar e muito. Não era deixar um legado urbanístico, social e esportivo para população carioca.
O Maracanã virou símbolo de tudo isso. Destruíram o velho Maracanã com o objetivo de abastecer a organização criminosa na base de propina. Muitos alertas foram dados. Infelizmente estávamos cegos pelo sonho de uma Copa do Mundo de volta ao Brasil e uma Olimpíada pela primeira vez na América do Sul. A conta está aí para gerações pagarem.
Enquanto Pezão embolsava R$ 150 mil em mesada via propina com direito a décimo terceiro e acumulava quase 40 milhões e Cabral participava de festinhas como a do guardanapo em Paris, os servidores recebiam e recebem seus vencimentos em atraso ou nem isso. Nessas horas o sangue quente sobe na cabeça e a raiva fala mais alto achando que cadeia (ou sala de estado-maior, no caso do atual governador) é pouco.
Na última eleição o Rio elegeu um ex-juiz para governador justamente por consequência do estrago provocado pela organização criminosa e pelo dado estarrecedor que todos os governadores eleitos do RJ, desde 1998, já tiveram uma passagem pela cadeia. Não sei se Wilson Witzel vai conseguir colocar o estado em ordem ou pelo menos com certa normalidade política, de segurança e nas contas do estado. O certo é que o carioca (fluminense) não aguenta mais só notícia desagradável nos jornais e ter virado chacota nacional.
