Brasília saiu do papel pelas mãos de Juscelino Kubitschek ao assumir a presidência do Brasil. Ao ser cobrado por um eleitor de Goiás sobre mudar a capital para o planalto central como tinha na Constituição, JK prometeu que faria isso e conseguiu inaugurar a nova cidade no último ano do seu mandato, em 21 de abril de 1960.
Brasília era administrada por alguém designado pelo governo federal. A partir de 1990 os eleitores da capital passaram a votar e eleger diretamente o governador, vice-governador e deputados distritais para governarem o Distrito Federal (não só Brasília). Joaquim Roriz foi o primeito governador eleito de Brasília e teve como vice a filha de JK, Márcia Lemos Kubitschek de Oliveira.
2006 José Roberto Arruda (PFL) 663.364 (50,38%) Maria Abadia (PSDB) 315.671 (23,97%) Arlete Sampaio (PT) 275.660 (20,93%)
Rogério Rosso (PMDB) venceu eleição indireta em 2010 após os afastamentos do governador e vice-governador, com 54,17% dos votos dos deputados distritais.
Minas Gerais é o estado “swing state” do Brasil, que vai para um lado e outro a cada eleição, fazendo o vendedor de lá vencer no geral por ser o segundo maior colégio eleitoral do país. Minas é a fotografia do Brasil distribuído nas microrregiões do estado.
Depois do Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro, chegou a vez de conferir as eleições para governador em Minas Gerais com a redemocratização.
1982: Tancredo Neves (PMDB) venceu Eliseu Resende (PDS) na primeira eleição direta para governador com a redemocratização.
1994: Impulsionado pelo sucesso do Plano Real que levou o seu partido à presidência da República, Eduardo Azeredo (PSDB) se tornou governador de Minas derrotando Hélio Costa (PP).
1998: Após deixar a presidência da República, Itamar Franco (PMDB) tentou novamente ser governador e teve como vice quem o derrotou na outra vez, Newton Cardoso, conseguindo derrotar o atual governador Eduardo Azeredo (PSDB).
2010: Aécio se afasta para concorrer a uma vaga no Senado, Antonio Anastasia (PSDB) é reeleito. Hélio Costa (PMDB) tentou novamente ser governador e mais uma vez saiu derrotado.
2018: Descontentes com o governo Pimentel em uma quadra conturbada e sem querer os tucanos de volta, os mineiros elegeram Romeu Zema (Novo). O outsider aproveitou a onda que elegeu Jair Bolsonaro presidente para derrotar petistas e tucanos.
Depois de Ceará e São Paulo, chegou a vez de conferir as eleições no Rio de Janeiro a partir de 1982 após a redemocratização.
1982: Leonel Brizola (PDT) e Moreira Franco (PDS) fizeram uma disputa apertada decidida voto a voto. Brizola saiu vencedor por 1.709.180 votos contra 1.530.706 votos.
A eleição ficou marcada pelo escândalo da Proconsult.
O Caso Proconsult foi uma tentativa de fraude nas eleições de 1982 para impossibilitar a vitória de Leonel Brizola, candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao governo do Rio de Janeiro, de modo a favorecer Moreira Franco, candidato apoiado pelo regime militar. A fraude consistia em um sistema informatizado de apuração dos votos, feito pela empresa Proconsult, associada a antigos colaboradores do regime militar. A mecânica da fraude consistia em transferir votos nulos ou em branco para que fossem contabilizados para Moreira Franco, candidato do PDS (antigo ARENA). As regras da eleição de 1982, quando se votou para governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador impunham que todos os votos fossem em um mesmo partido. Portanto, estimava-se um alto índice de votos nulos. Os indícios de que os resultados seriam fraudados surgiram da apuração paralela contratada pelo PDT à empresa Sysin Sistemas e Serviços de Informática que divergiam completamente do resultado oficial. Outra fonte que obtinha resultados diferentes dos oficiais foi a Rádio Jornal do Brasil. Roberto Marinho foi acusado de participar no caso.
A fraude foi extensamente denunciada pelo Jornal do Brasil (principal concorrente de O Globo da família Marinho no Rio) e relatada posteriormente por Paulo Henrique Amorim, Maria Helena Passos e Eliakim Araújo. Devido à participação de Marinho no caso, a tentativa de fraude é analisada no documentário britânico Beyond Citizen Kane de 1993. A Rede Globo por sua vez, defende-se que nunca havia contratado a Proconsult e que se baseava a totalização dos votos daquela eleição na totalização própria que o Jornal O Globo estava fazendo.
1986: O vice-governador Darcy Ribeiro (PDT) foi o candidato da situação contra o opositor Moreira Franco, que trocou o PDS pelo PMDB e a troca o fez sair vencedor por 3.049.776 votos a 2.217.177 votos.
1990: Leonel Brizola (PDT) volta a ser eleito governador após a derrota na disputa presidencial de 1989. Brizola enfrentou dessa vez Jorge Bittar (PT) e venceu com facilidade – 3.521.206 votos a 1.040.227 votos.
1994: Marcello Alencar (PSDB) venceu Anthony Garotinho (PDT) em um inédito segundo turno no RJ – 3.537.866 votos (56,08%) x 2.771.074 votos (43,92%).
1998: Com a desistência do governador Marcello Alencar em tentar a reeleição, Anthony Garotinho (PDT) derrotou Cesar Maia (PFL) – 4.259.344 votos (57,98%) a 3.087.117 votos (42,02%) – e virou governador.
2002: Garotinho deixou o governo para ser candidato a presidente, a vice-governadora Benedita da Silva (PT) assumiu o governo e disputou a reeleição contra Rosinha Matheus Garotinho (PSB). A esposa do Garotinho foi eleita já no primeiro turno com 4.101.423 votos (51,30%).
2006: Sérgio Cabral Filho (PMDB) disputou o segundo turno contra Denise Frossard (PPS). Cabral venceu com 5.129.064 votos (68%).
2010: Altamente popular, Sérgio Cabral não teve dificuldade para ser reeleito já no primeiro turno com 5.217.972 votos (66,08%).
2014: O vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) assumiu o governo nos últimos meses para tentar a reeleição e conseguiu derrotando Marcelo Crivella (PRB) por 4.343.298 votos (55,78%) a 3.442.713 votos (44,22%).
2018: O favorito era o ex-prefeito Eduardo Paes (Democratas), mas a eleição daquele ano foi marcada pela operação Lava Jato que virou a política de ponta cabeça impulsionando a onda antissistema. O desconhecido Wilson Witzel (PSC) surpreendeu ao terminar em primeiro no primeiro turno e confirmou a vitória no segundo contra o Paes – 4.675.355 votos (59,87%) a 3.134.400 votos (40,13%).
2022: Witzel foi cassado pela Assembleia legislativa e o vice-governador Cláudio Castro (PL) assumiu o governo sendo reeleito já no primeiro turno com 4.930.288 votos (58,67%).
Os estados voltaram a realizar eleições diretas para governador em 1982. Em dezembro passado fizemos uma cronologia das eleições para governador no Ceará.
Agora é São Paulo, o principal estado da federação. O mais populoso, mais industrializada, mais rico, o centro econômico do Brasil.
Em 1982, Franco Montoro venceu Reynaldo de Barros.
Montoro (PMDB) 5.209.952 (49,04%)
Reynaldo de Barros (PDS) 2.728.732 (25,68%)
Curiosidade: Foi a primeira eleição que o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva disputou.
Em 1986, o governador Montoro indicou o vice-governador Orestes Quércia (PMDB) para sucessão e ele venceu o empresário Antônio Ermírio de Moraes (PTB).
Quércia 5.578.795 (40,78%)
A. Ermírio 3.675.176 votos (26,86%)
Em 1990, Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB) disputou o segundo turno contra Paulo Maluf (PDS). Fleury, que teve menos votos do que Maluf no primeiro turno, contou com a ajuda do terceiro colocado Mário Covas, do recém-criado PSDB fundado por uma ala dissidente do PMDB.
Fleury 7.368.730 (51,77%)
Maluf: 6.865.157 (48.23%)
Em 1994, o tucano Mário Covas é eleito governador derrotando a surpresa que foi o ex-prefeito de Osasco, Francisco Rossi.
Mário Covas (PSDB) 8.661.960 (56,12%)
Francisco Rossi (PDT) 6.771.454 (43,88%)
Em 1998, Covas contou com a ajuda da terceira colocada Marta Suplicy (PT) no segundo turno para derrotar Paulo Maluf.
Covas (PSDB) 9.800.253 (55,37%)
Maluf (PPB) 7.990.598 (44,63%)
Em 2002, após a morte do governador, o vice-governador Geraldo Alckmin assumiu o governo e conseguiu a reeleição derrotando o candidato de Lula.
Alckmin (PSDB) 12.008.819 (58,64%)
José Genoino (PT) 8.470.863 (41,36%)
Em 2006, desbancado por Alckmin na disputa no partido para ser o candidato a presidente, José Serra teve que se contentar em disputar para governador e venceu com facilidade no primeiro turno.
Serra (PSDB) 12.381.038 (57,93%)
Aloizio Mercadante (PT) 6.771.582 (31,68%)
Em 2010, Geraldo Alckmin voltou triunfante vencendo no primeiro turno.
Alckmin (PSDB) 11.519.314 (50,63%)
Aloizio Mercadante (PT) 8.016.866 (35,23%)
Em 2014, mesmo após uma estiagem que provocou racionamento de água, Alckmin voltou a ser eleito no primeiro turno conquistando o quarto mandato de governador, sendo três como cabeça de chapa e duas vezes no primeiro turno.
Alckmin (PSDB) 12.230.807 (57,31%)
Paulo Skaf (PMDB) 4.594.708 (21,53%)
Em 2018, João Doria venceu Márcio França (PSB) e manteve o PSDB no comando de São Paulo com a ajuda do “BolsoDoria”.
Doria 10.990.350 (51,75%)
França 10.248.740 (48,25%)
Em 2022, o carioca Tarcísio de Freitas (Republicanos) venceu Fernando Haddad (PT). O ministro de Jair Bolsonaro recebeu a ordem do presidente para ser candidato no principal estado e acabou com o reinado dos tucanos.
Na redemocratização, os estados foram os primeiros a ter eleições diretas para governador, antes de ter para presidente. No Ceará, já aconteceram 11 eleições.
Em 1982, venceu Gonzaga Mota, do PDS, o partido substituto da Arena que foi o partido de sustenção política dos militares.
Em 1986, o PMDB venceu em quase todos os estados impulsionado pelo sucesso passageiro do Plano Cruzado do presidente José Sarney. O jovem empresário Tasso Jereissati surpreende ao derrotar o vice-governador Adauto Bezerra. Seu governo foi marcado por uma transformação econômica e social.
Em 1990, Tasso, que trocou o PMDB pelo recém criado PSDB, faz o seu sucessor, Ciro Gomes, que era o prefeito de Fortaleza. Ciro ampliou as transformações no estado chamando a atenção do presidente Itamar Franco, que o convidou para ser ministro da Fazenda na consolidação do Plano Real.
Tasso volta ao governo do estado em 1994 e é reeleito em 1998.
Em 2002, o PSDB mantém o poder no Ceará, mas Lúcio Alcântara quase é derrotado por José Airton (PT) – 0,08% de diferença – 3.047 votos. A campanha de Lúcio apelou até ao voto “LuLu” – Lúcio e Lula.
Em 2006, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro, derrota Lúcio já no primeiro turno. Tasso não queria que o governador fosse para a reeleição e não fez campanha para Lúcio. Inácio Arruda foi eleito senador na chapa com Cid e Lula.
Em 2010, Cid é reeleito. Mas aquela eleição ficou marcada pela derrota de Tasso para o Senado. O presidente Lula fez a chapa Eunicio Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT) para justamente derrotar Tasso. Lula queria vingança contra alguns senadores que lideraram a derrubada da CPMF. Tasso sentiu o abandono de antigos aliados e se aposentou da política.
Em 2014, Cid lança Camilo Santana (PT) e vence no segundo turno Eunicio Oliveira (PMDB) apoiado por Tasso, que volta para política se elegendo senador com grande votação.
Em 2018, praticamente sem adversários, Camilo é reeleito com quase 80% dos votos no primeiro turno. Cid Gomes (PDT) foi eleito senador e a grande surpresa naquela eleição foi a segunda vaga para o Senado. Eduardo Girão (PROS) tirou a vaga do Eunicio (PMDB), que era presidente do Senado, por 0,16% de diferença – 11.993 votos.
Em 2022, PT e o grupo do Ciro Gomes romperam. PDT lançou o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio, e não a governadora Izolda Cela, a vice que assumiu o governo com a renúncia de Camilo para disputar o Senado (eleito com quase 70% dos votos). Camilo e Lula lançaram Elmano de Freitas (PT) contra Roberto Claudio e foi eleito no primeito turno, Claudio terminou em terceiro atrás do Capitão Wagner (UNIÃO BRASIL). Ciro amargou um quarto lugar na eleição presidencial com apenas 3%, o seu pior resultado eleitoral. Anunciou aposentadoria da política, mas voltou ao PSDB e seu nome é quem ameaça a reeleição do governador Elmano.