
Os fins não justificam os meios. A forma importa tanto quanto o conteúdo e os decretos do presidente Jair Bolsonaro mudando normas de aquisição de arma de fogo extrapolaram o limite do poder de um decreto regulamentador de uma lei ou portaria. Feriram a separação dos poderes. E não importa se o STF “caga” na cabeça do Congresso, como disse o senador Major Olimpio (PSL-SP) da tribuna criticando o ativismo judicial dos ministros, um erro não justifica o outro.
A questão das armas é bandeira de campanha do presidente e impulsor da própria popularidade de Jair Bolsonaro. Mas o propósito dos decretos sobretudo o que se refere ao porte esconde algo mais misterioso por trás. Foi tão amplo que lembrou Hugo Chávez criando as milícias chavistas que hoje sustentam a ditadura de Maduro na Venezuela. Para completar o combo do chavismo, o presidente faz discursos de que a arma na mão do cidadão de bem é para defender mais que a vida e sua propriedade, é para defender a sua liberdade contra governos tiranos como se tivesse incentivando a criação de um exército paramilitar (milícia).
Já virou clichê de armamentistas a carta do referendo de 2005, mas a última consulta popular no Brasil é distorcida para encaixar na narrativa que a população é pró-arma e o estatuto dificulta para o “cidadão de bem” a aquisição de uma arma para legítima defesa e “só bandidos estão armados porque não compram armas legalizadas”. A pergunta era se a população referendava a proibição do comercio bélico e 59.109.265 (63,94%) milhões negaram esse artigo do estatuto. Uma votação que nunca um candidato a presidente alcançou. Não foi sobre revogar o Estatuto do Desarmamento. Após 14 anos do referendo, as pesquisas mostram que a maioria é contrária flexibilizar as regras de posse e porte de arma de fogo.
Mas esquecendo do mérito, a forma como o governo quer conduzir suas pautas incomoda e a pressão abusiva que o presidente e sua matilha virtual fazem contra o parlamento é antidemocrático, antirrepublicano, anticivilizatório. É um governo que passa a imagem de autocrático e, às vezes, de autoritário. O mesmo voto popular na mesma urna que elegeu o presidente elegeu senadores, deputados federais, deputados estaduais, governadores, prefeitos e vereadores. O Congresso não vota a favor do governo por patriotismo nem deixa de ser patriota se o contrariar. Existe uma clara tentativa de deslegitimar o Parlamento e parte do próprio presidente. Um dos mecanismos é estimular o confronto institucional. Por exemplo, governar por decreto ou reeditando MPs que caducaram ou modificadas o que afronta a Constituição.
Situação que provoca reação de quem está emparedado e a votação no Senado derrubando o decreto presidencial é mais um aviso ao governo. Provavelmente, a Câmara deve referendar a decisão dos senadores ou o STF vai entrar em campo de novo.

Mais um episódio de atirador deixa os EUA e o mundo em choque. O ocorrido aconteceu na igreja de