Jair Bolsonaro na festa do Palmeiras e o torcedor mais do partido/ideologia que do clube

Jair Bolsonaro entregar a taça de campeão ao capitão do time que torce não há problema, só choro de quem não aceita a derrota eleitoral de quem diz que votou pela democracia

O Palmeiras foi campeão brasileiro há dois domingos e recebeu o troféu pela conquista do 10º campeonato nacional na sua arena abarrotada de torcedores de todas as idades, gênero, cor, do mais simples cidadão ao mais alto da República que ainda não foi empossado no cargo, o presidente eleito Jair Bolsonaro. Há controvérsia de quem o convidou para assistir ao jogo da última rodada na tribuna, se a CBF ou o Palmeiras após o presidente eleito parabenizar o clube pela conquista na rodada anterior no Rio de Janeiro que, aliás, ele já queria ter ido naquele jogo e foi aconselhado a desistir por medida de segurança. Não importa.

No Allianz Parque, Palmeiras venceu o Vitória pelo placar de 3 a 2 encerrando literalmente em apoteose. Jair Bolsonaro desceu ao gramado e foi ovacionado pela torcida e algumas vaias. Normal para uma eleição que a rejeição dos candidatos do segundo turno foi que decidiu a eleição. Nas redes sociais torcedores palmeirenses que não votaram em Bolsonaro revoltados chegando ao ponto de comunicar que deixariam de ser sócio-torcedor e boicotariam produtos do clube e patrocinadores. Pode ser blefe e também pouco importa. Ninguém é obrigado a virar sócio-torcedor e boicote é uma ferramenta legítima do consumidor.

Agora, figuras de destaque como jornalistas – torcedores do Palmeiras e de outros clubes – estão usando o fato de o presidente eleito ter ido ao pódio, entregado medalhas aos campeões, entregado a taça ao capitão Bruno Henrique e – ó crime cruel – ergueu a taça junto com os jogadores para soltar para fora toda sua ira pelo resultado eleitoral.

Na Inglaterra, a tradição manda quem está no posto de Rainha entregar a taça ao campeão do torneio mais antigo do mundo, a Copa da Inglaterra. Na América – USA, é tradição o campão da NBA visitar a Casa Branca e o presidente. Não houve a visita do último campeão por alguns jogadores não gostar do atual hóspede de lá, Donald Trump. Já no Brasil, toda vez que a seleção brasileira vence a Copa do Mundo o chefe da nação recebe os campeões na volta ao país e o campeão recebe a Copa do Mundo do chefe de Estado do país-sede. O Corinthians já foi para Brasília para uma visita com a taça de campeão brasileiro ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva o presenteando até com medalha de campeão.

Jair Bolsonaro entregar a taça de campeão ao capitão do time que torce não há problema, só choro de quem não aceita a derrota eleitoral de quem diz que votou pela democracia. O Brasil tem problemas mais urgentes para questionar o futuro presidente.

Não pode é o presidente fazer lobby para uma construtora que tem contratos com o governo construir um estádio para o clube que torce e usar o cargo para um banco público financiar a obra e outro banco público ser o avalista do empréstimo. Lula ordenou a Odebrecht, o BNDES financiou a juros bem menores que praticados no mercado e Caixa avalizou a construção do sonhado estádio do Corinthians em Itaquera. De quebra tirou a Copa de 2014 do Morumbi e fez a prefeitura de São Paulo abrir mão de 400 milhões em isenção fiscal para ver se empresários ajudariam a pagar a conta em troca de investir na periferia da cidade. A Arena Itaquera saiu no noticiário da Lava Jato.

Tornar o que aconteceu domingo uma polêmica é tirar o foco de uma conquista brilhante do Palmeiras. Partindo de torcedores de clubes rivais é compreensível. Faz parte do futebol. Quando vem do torcedor – famoso ou não – do próprio clube campeão por não se sentir representado e não aceita como presidente quem a população escolheu, só demonstra que este prefere o partido ou a ideologia que o clube na qual diz ser torcedor e seu caráter (nada) democrático.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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