A narrativa de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faz uso político do cargo para sabotar a economia e prejudicar o governo do PT cai por terra.
Pesquisa Quaest anota que mais da metade da população acha que o presidente do BC usa critérios técnicos na condução da preservação da moeda brasileira.
Por outro lado, 66% concordam com as críticas do presidente Lula a taxa Selic que está em 10,50%. Mas a maioria da população entende que a culpa não é de Campos Neto.
O povo sabe que os juros são altos porque é o remédio amargo para segurar a inflação. O governo gasta além da conta e não quer que os juros subam.
Para os juros caíram é necessário que as contas públicas estejam saudáveis, o que não se observa agora nem no horizonte. Teve déficit em 2023 e, provavelmente, não vai ter déficit zero prometido pelo ministro da Fazenda Fermando Haddad nem com o prometido corte de gastos.
No passado recente uma condução subserviente do BC ao governo Dilma os juros caíram e a inflação chegou a dois dígitos. Não se baixa os juros por vontade do chefe do Planalto. Para isso é preciso fazer o dever de casa e não se descuidar da rigidez do orçamento.
A autonomia do BC veio em boa hora, mas o mandato de Campos Neto vai terminar em dezembro de 2024 e Lula vai poder indicar um presidente seu.
Não gastar mais do que arrecada é da vontade política e Lula não quer sacrificar o investimento público para fazer superávit. Quer o estado indutor da economia e socorrendo os mais pobres. Mas arrombar as contas públicas acaba no fim por prejudicar a economia e os mais pobres.
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Avaliação do governo Lula: 36% aprovam
Pesquisa Quaest mostra que o presidente Lula (PT) estancou a sangria na popularidade do governo.
Em julho a avaliação positiva foi para 36% e a negativa recuou para 30%. Ambas estavam em 33% em maio.
Em uma população dividida é alvissareira para o presidente a atual aprovação. Longe dos tempos áureos dos governos Lula anteriores, mas os tempos são outros.
O governo precisa ter menos ruídos e mais ações propositivas.
Em um país dividido, a economia pode salvar governo Lula
Pesquisa Atlas/CNN mostra que o Brasil continua dividido mais de um ano da eleição mais dividida da história. A avaliação do governo está com 42% de ótimo/bom e 42% de ruim/péssimo.
A divisão que prosseguiu mesmo após a eleição deve se arrastar até as eleições de 2026. Para o governo minimizar a polarização e tentar subir a aprovação tem que fazer a economia deslanchar e não deixar estagnar ou cair.
Mas para isso precisa rever a política econômica de fazer o ajuste fiscal pelo lado da receita. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já sinalizou que vai fazer cortes. O problema é convencer o presidente Lula. O presidente não gosta muito da palavra corte de gastos.
Lula, porém, vai ter que optar por crenças ou por manter o país organizado se quer chegar até o fim de seu mandato com chance de ser reeleito ou de fazer o sucessor. Porque se optar pelas crenças e a economia desandar será engolido pela conjuntura.
Em uma população cindida, popularidade de Lula é boa

Saiu pesquisa da CNT – Confederação Nacional dos Transportes sobre a avaliação do governo do presidente Lula (PT). A aprovação do governo está com 37,4% e a avaliação pessoal do presidente está com 50,7%.
Em uma sociedade cindida, a aprovação está positiva. Vai demorar anos, talvez décadas para um governo ter 80% de aprovação novamente. Talvez não ocorra mais.
Mesmo passados quase dois anos da última presidencial, ela ainda reflete nos números e no humor do brasileiro. Quem é de esquerda vai dizer que o país está no rumo certo; quem é de direita vai na contra mão e dizer que o país está péssimo. O centro, fiel da balança, vai para o lado a depender das circunstâncias.
Mas mesmo com esse quadro polarizado não significa que o governo não deva procurar ter uma imagem positiva e furar a bolha. Pelo contrário, deve se esforçar mais para entregar um país estável economicamente e socialmente.
Tudo errado
Empresários buscando o Congresso por benefícios fiscais de um lado; o governo de outro tentando arrecadar mais e mais e taxando tudo que ver no caminho
O governo federal entrou em nova rota de colisão com o Congresso Nacional. Dessa vez, se trata da prorrogação da folha de pagamento para setores da economia e prefeituras.
O Congresso prorrogou a desoneração da folha até 2027, o presidente Lula (PT) vetou atendendo pedido do ministro da Fazenda Fernando Haddad e o Congresso derrubou o veto. Insatisfeito, o governo recorreu ao STF e o ministro Cristiano Zanin atendeu o governo derrubando a lei monocraticamente e remeteu ao plenário para referendar ou não sua liminar.
Irritou bastante o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD/MG) o governo recorrer ao judiciário contra uma medida debatida e aprovada no Congresso. E disse que vai recorrer e mostrar “a verdade” sobre a desoneração da folha. A desoneração da folha conseguiu um feito que foi unir empresários, políticos e sindicatos.
Todos nessa briga estão errados. Empresários querendo fugir de impostos com benefícios fiscais; o Congresso ao aprovar uma política controversa (economistas mostram que a desoneração da folha não gerou grande números de empregos e quem é favor argumenta que a desoneração garante muitos empregos) para a população que deteriora as contas públicas; o governo ao recorrer ao STF por não ter voto no Congresso para barrar a proposta e o próprio STF por se meter nessa briga (faço uma ressalva que o tribunal foi empurrado para briga pelo governo, pois foi provocado e tem que arbitrar).
A sanha do governo Lula em arrecadar e fazer o ajuste fiscal só pelo lado da receita está acabando com a credibilidade da política econômica. O governo deveria fazer um grande programa de cortes de gastos desnecessários para cumprir a meta de déficit zero em 2024 e superávit em 2025.
O governo não deveria brigar com o Congresso justo em um momento que tenta distencionar a relação. A política de desoneração da folha é ruim, mas o Congresso aprovou e derrubou o veto. Aceita e vai procurar outro jeito de equilibrar as contas.
Empresários não deveriam fazer lobby e brigar por benefícios fiscais setoriais, mas por um amplo corte de impostos para todos. Ocorre que um amplo corte de impostos só é possível através de um robusto corte de despesas. Só que este governo não gosta de falar em cortes.
Enquanto isso, vamos vivendo de puxadinhos e puxadinhos. Empresários buscando o Congresso por benefícios fiscais de um lado; o governo de outro tentando arrecadar mais e mais e taxando tudo que ver no caminho.