Castelo de Lula desabando

Não está bom para o presidente Lula (PT). O seu terceiro mandato não empolga os brasileiros, ou a maioria. A aprovação do governo e do próprio presidente caem com uma velocidade impressionante.

Mesmo com os esforços do presidente para reverter essa tendência de queda nas pesquisas, as ações não estão surtindo efeito.

Lula já trocou o chefe da comunicação do governo e colocou o marqueteiro da sua campanha de 2022. Sidônio Palmeira já fez muitas mudanças na comunicação nas redes sociais do presidente, na segunda-feira colocou Lula para falar à nação sobre programas antigos como se fossem novidades em uma peça eleitoral.

O que se observa é um governo sem marca, com políticas erráticas, desorganizado politicamente e Lula achou que voltaria para continuar onde parar o seu segundo mandato, só que se passou mais de uma década e o Brasil mudou. Não é questão de comunicação, a maioria da população não apoia o que está vendo.

O mais alarmante para o governo é que a rejeição ao Lula chegou em locais inimagináveis, como o nordeste. Desde 2002, na primeira vitória do PT, os nordestinos dão vitórias ao lulismo e vitórias com média de 70% dos votos.

O exemplo que o quadro está mudando é a pesquisa que saiu hoje que mostra a rejeição superando a aprovação do governo no estado da Bahia, o estado que o PT governa desde 2007.

Lula ainda tem 2025 inteiro e o primeiro semestre de 2026 (o segundo já é a campanha eleitoral) para mudar esse cenário desfavorável, mas o presidente opta por um modelo ultrapassado esperando que os ventos de bonança do passado voltem a soprar no presente.

E se acham que a provável prisão de Jair Bolsonaro vai favorecer o governo vão quebrar a cara. Apesar do ex-presidente vencer em pesquisas para 2026, a maioria desaprova o que Bolsonaro fez ao perder em 2022. O brasileiro procura um novo caminho, só não consegue achar ainda.

Lula vai pagar nas urnas o apoio a Maduro

O governo Lula (PT) vai mandar a embaixadora do Brasil na Venezuela para representar o país na posse do terceiro mandato de Nicolas Maduro, o tirano que governa o país vizinho com mão de ferro e controla as instituições daquele país.

Maduro foi declarado vencedor da eleição realizada em julho de 2024 pelo Conselho Nacional Eleitoral que diz que ele recebeu 51% dos votos, mas a oposição garante com as atas que recebeu dos fiscais quem venceu foi Edmundo Gonzalez Urrutia, o principal candidato opositor, com quase 70% dos votos.

Maduro desrespeitou o Acordo de Barbados liderado pelo governo Lula quando foi firmado o compromisso de realizar eleições livres, transparentes e respeitar o resultado. Teve eleições, mas longe de ter sido livres e transparentes.

A oposição teve dificuldades de inscrever o seu candidato, a líder Maria Corina Machado não pôde ser candidata acusada de crimes e inabilitada pela Suprema Corte, a sua substituta também foi impedida e até hoje não se sabe o motivo. Edmundo Gonzalez foi a terceira escolha da oposição.

Após o resultado contestado milhares de manifestantes foram reprimidos e presos, além de vários partidários da oposição sequestrados. Corina voltou a se apresentar em público depois de um tempão sumida por medo de ser presa liderando protesto contra Maduro e chegou a ser sequestrada e liberada muito provalmente por medo da forte reação internacional que aconteceria se a ditadura mantivesse ela presa e sem paradeiro conhecido.

Em 2023, Lula recebeu com pompa e cerimonial de chefe de estado em Brasília Maduro, rompendo com a política do governo brasileiro anterior, de Jair Bolsonaro, a distância com o governo venezuelano. O presidente brasileiro chegou a dizer que as acusações contra Maduro eram “narrativas”, que o “companheiro” precisava controlar a narrativa e um tempo depois respondendo sobre o que acontece na Venezuela disse que a democracia é relativa. Mais tarde Lula reconheceu que lá não é uma democracia normal, mas não é uma ditadura, é um “regime desagradável”.

O governo brasileiro não reconhece a vitória de Maduro nem da oposição, fica pedindo as atas que nunca apareceram em posição que favorece ao regime e ao mandar um representante para a posse inevitavelmente acaba por reconhecer e legitimar o processo eleitoral venezuelano que não seguiu o tratado costurado pelo Brasil. O PT, por outro lado, logo após a proclamação do resultado pelo conselho eleitoral venezuelano correu para reconhecer e parabenizar Maduro.

Lula e PT que aqui bradam por democracia e se intitulam salvadores dela, apoiam um regime que suprimiu a democracia na Venezuela. Esse apoio a Maduro será cobrado em 2026.

Avaliação do governo e um alerta a Lula

Avaliação do governo do presidente Lula (PT) caiu mais um pouco e está em 35,5% de quem acha o governo ótimo/bom. Quem acha o governo petista ruim/péssimo está em 30,8% e regular 32,1%.

Pode não ser um cenário desesperador, mas reacende o alerta de que o governo não vai bem perante a população.

O Brasil continua dividido e muito polarizado, o que reflete na avaliação do governo.

Lula foi eleito por uma frente ampla, mas governa como se a vitória em 2022 fosse só dele e do partido. Essa questão do corte de gasto para salvar o arcabouço do ministro Fernando Haddad é só mais um exemplo.

Lula enrola e não deseja cortar despesas por ideologia e medo de tomar uma medida impopular que faça sua aprovação cair ainda mais. O problema é que se porstegar ou não cortar ou fingir que cortou alguma coisa essa bomba mais cedo ou mais tarde vai explodir em forma de inflação e consequentemente em juros para conter a inflação.

A eleição nos EUA e a vitória de Donald Trump deixou uma amarga lição para o governo brasileiro: os indicadores econômicos podem até parecerem positivos, mas se não chegar na população não adianta. A economia real fala mais alto.

Não é maldade do mercado, mas a realidade que se impõe. Se o governo gasta, gasta, gasta, uma hora a conta chega e a fórmula de compensar aumentando impostos e taxas tem limite. É preciso cortar de algum lugar, enxugar a máquina, cortar privilégios e penduricalhos para não precisar cortar benefícios sociais.

Lula tem razão ao dizer que o Congresso e empresas têm que contribuir com o ajuste fiscal. Concordo que políticos, empresários e militares precisam contribuírem. Mas o presidente poderia também cobrar do judiciário e fazer a lição de casa estancando a sangria parando a gastança.

Datafolha: avaliação Lula e Bolsonaro próximas reflete polarização

Pesquisa Datafolha que mostra as avaliações de Lula e Bolsonaro semelhantes no mesmo período dos seus respectivos governos reflete o período de país dividido. Essa divisão está difícil de ser superada e não deve ser por muito tempo.

As redes sociais ajudam na polarização. Em busca de engajamento as pessoas se dividem em tribos e uma não conversa com a outra.

Os políticos vendo que a polarização os ajuda fazem é inflamar suas militâncias. Qualquer um que busque furar essa bolha é logo rotulado de “isentão”. Apesar disso a maioria das pessoas se sentem cansadas dessa divisão, mas por mais paradoxo que pareça as tribos são mais fortes, barulhentas e influenciam pessoas.

Por outro lado, a pesquisa serve de alerta para o governo Lula. Sua aprovação perto da do governo anterior é um sinal que a população não sentiu muita diferença e combinado com o resultado da última eleição apertado como foi uma brecha a oposição volta ao governo. Além do mais, Lula está cada vez mais longe da frente ampla que o elegeu.

Maduro não vai cair sozinho

Dificilmente vai ser por vias legais e eleitorais que o regime ditatorial de Maduro vai cair. Não sou a favor do uso da força nem de revoluções, mas não vejo outro caminho

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela declarou Nicolas Maduro reeleito para mais um mandato no país. Maduro está no poder desde 2013, após a morte de Hugo Chavez. Ele teria vencido seu opositor por 51% a 44% dos votos. Mas a sua vitória é muito questionada pela oposição e outros países. A Venezuela vive num regime de exceção há anos. Maduro controla as instituições venezuelanas, inclusive o órgão eleitoral, e faz o que bem entender no país para seus interesses.

O resultado desta eleição está muito viciado por medidas tomadas antes e durante a eleição pelo governo, como restringir o acesso ao voto de venezuelanos que moram fora, fechamento das fronteiras para exilados não voltarem e poder votar, além de desconvidar observadores internacionais da União Europeia e proibir a entrada de ex-presidentes de outros países para acompanhar a eleição. A principal líder de oposição Maria Corina Machado foi impedida de participar da eleição. A sua substituta também não pôde se inscrever numa manobra até hoje sem explicação. A oposição foi para disputa com o diplomata Edmundo González, desconhecido de boa parte da população.

Maduro falou na campanha que, se não ganhasse, haveria uma banho de sangue e guerra civil fratricida na Venezuela. Até o presidente Lula o criticou suavemente e levou em resposta que tomasse chá de camomila. Respondendo sobre suspeita de fraude na eleição Maduro disse que o sistema eleitoral venezuelano é um dos mais seguros e criticou os de Brasil, Colômbia e EUA que não seriam auditados, o que levou o TSE brasileiro a desistir de enviar técnicos para acompanhar a eleição e soltar nota dura como resposta.

A questão é como é possível confiar no resultado anunciado pelo conselho eleitoral venezuelano. A oposição acusou que as atas das urnas não estavam sendo entregue como manda a lei. A Venezuela vive sob um regime autoritário e violento. Não tem como confiar no resultado divulgado pelo conselho eleitoral chavista.

Como fica o Brasil? O governo Lula vai chancelar uma eleição viciada que não foi justa nem livre e que se tem dúvida sobre o seu resultado? Muitos países, de governos de direita e esquerda, não reconheceram o resultado da eleição na Venezuela. Apenas países alinhados ao regime reconheceram o resultado, a maioria autocratas. Será um grande vexame histórico da nossa diplomacia reconhecer o resultado por questões ideológicas, mas com Celso Amorim como conselheiro do Lula para política externa não se duvida.

Dificilmente vai ser por vias legais e eleitorais que o regime ditatorial de Maduro vai cair. Não sou a favor do uso da força nem de revoluções, mas não vejo outro caminho para a Venezuela. Não vejo Maduro desistindo do poder e das benesses, até para não responder por seus crimes. A questão é que a oposição não tem instrumentos para uma tomada de poder pelas armas sem apoio internacional. Os EUA e outros países aceitariam intervir na Venezuela?

Pobres venezuelanos que continuarão a viver sobre um regime autocrático e provavelmente o êxodo de pessoas fugindo de condições degradantes resultado de políticas errôneas vai continuar e até aumentar atingindo principalmente países vizinhos como o Brasil.