Nova “PEC da “Blindagem”

A classe política está prestes a deferir um golpe fatal no combate ao crime organizado. Atenção: qualquer crime organizado. Seja de facção criminosa, assaltar um banco, assaltar o erário público (corrupção), planejar golpe de Estado, os controles investigativos construídos durante anos, décadas e vários governos não existiriam mais.

A Polícia Federal perderia o sentido de existir. Por exemplo, só poderia agir se o governador do estado pedir. Essa aberração passaria no Congresso sob pretexto do combate aos faccionados. É um cavalo de tróia.

O governo federal enviou um pacote antifacção, Hugo Motta (Republicanos), presidente Câmara, para agradar a oposição deu a relatoria ao deputado Guilherme Derrite (PP/SP), que é secretário de segurança de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o favorito do “centrão” para ser o adversário do presidente Lula (PT) em 2026.

Derrite deformou o projeto do governo. Parecia ser uma guerra política, de narrativa sobre segurança pública. É muito pior. O que tramam é o desmonte de mecanismos de combater crimes do Estado brasileiro para blindar políticos. É a PEC da blindagem 2.

Porta dos Fundos satiriza “PEC da Blindagem”

O humor é uma válvula de escape para problemas da vida e uma arma política. Na política existe o humor crítico e o humor “chapa branca”, quando passa a defender um grupo político ou governos.

Chico Anysio marcou época com imitações escrachando políticos. Tom Cavalcante também faz imitação de políticos e mais recentemente Marcelo Adnet.

A produtora Porta dos Fundos faz esquetes de temas variados e a política não poderia faltar, mas ultimamente deixou de lado até pelo clima de polarização radicalizada.

Em setembro, Porta dos Fundos voltou com esquetes de política aproveitando acontecimentos do mês em alta: julgamento de Jair Bolsonaro e a aprovação na Câmara da PEC da blindagem.

Assista e deleite-se.

Vídeo antigo para o outro lado da polarização.

PEC da blindagem derrotada

Senado Federal fez o seu dever como casa revisora e barrou a PEC da blindagem aprovada pela Câmara dos Deputados.

Por unanimidade (26 votos, o presidente da comissão, Otto Alencar, só vota para desempatar), os membros da CCJ votaram contra o maior absurdo que tramitou, foi a votação e aprovado no parlamento brasileiro.

O relator Alessandro Vieira (MDB/SE) fez um retório profundamente técnico sem margem para manobras ou que a dita cuja possa ser ressuscitada em outro momento.

Já foi escrito escrito aqui o que é e representa essa PEC 3/2021. Deixo o texto aqui e aqui os deputados que votaram a favor e contra. Que seja esquecida no arquivo.

PEC da blindagem: votos dos deputados

Jornal O Globo fez um verdadeiro serviço de utilidade pública estampando nome e cara dos deputados que votaram favoravelmente (e contra) a PEC da blindagem.

É preciso que todo brasileiro saiba quem votou a favor do maior absurdo já perpetrado no Congresso Nacional, a casa que deveria zelar pelo bem público e pela democracia faz um ataque brutal contra a moralidade e a democracia.

A PEC da blindagem não só atinge a moralidade blindando todo tipo de crime e abrindo a porta para o crime organizado entrar de vez na política como afeta a democracia.

É preciso dizer um não bem alto para barrar essa patifaria e não renovar o mandato quem deixou a digital nesse projeto.

Classe política quer ser a casta mais protegida

Fica difícil defender a classe política dos antipolítica quando os próprios políticos jogam contra. A famigerada PEC das prerrogativas que é a PEC da blindagem ou sendo mais direto a PEC da bandidagem aprovada na Câmara dos Deputados faz a classe política ser a casta mais protegida dessa nossa República torta.

Simplesmente os nossos políticos querem que eles tenham o poder de autorizar ou não investigações contra eles mesmos e por votação secreta. Escárnio e despudor.

É conversa para enganar trouxa dizer que é para proteger as prerrogativas dos parlamentares contra abusos do STF. Estão é ampliando o foro para contemplar até presidentes de partido com representação no Congresso sem cargo eletivo.

A blindagem é o medo de investigações sobre o mau uso das emendas parlamentares que começou a descarrilhar na década passada com sucessivas PECs que tornou o Congresso Nacional hipertrofiado pegando um pedaço generoso do orçamento do governo.

Antes vigorava o presidencialismo de coalizão, o velho franciscano “é dando que se recebe”, mas Eduardo Cunha rompeu com ele aprovando as emendas impositivas tirando o poder de barganha do Planalto. Arthur Lira, sucessor de Cunha, veio com mais medidas disruptivas e o contrassenso de esconder quem enviou a emenda.

As emendas parlamentares sempre foram um ativo eleitoral e os deputados/senadores usavam para fazer publicidade em seus redutos captando votos. Do nada passaram a querer esconder o seu nome na destinação da emenda e sem projeto definido. A porta aberta para infinitas formas de desvios foi aberta.

Não querem prestar contas das emendas, dinheiro público, também não querem responder por possíveis desvios. E irão para praças e casas dos eleitores em 2026 pedir voto sem a menor vergonha na cara. O eleitor terá a chance do troco e higienizar o parlamento na urna, mas não tenho muita esperança que isso aconteça.